sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Rio, eldorado olímpico

   Esse Rio de Janeiro que está sendo exposto para o mundo não é aquela urbe que se divide entre o glamour e a miséria. Pelo menos durante essa Olimpíada, todas as nossas mazelas e maravilhas misturadas vão dividir espaço com outras culturas e costumes, porque a cidade maravilhosa virou o palco do mundo.
   Afastem as angústias e tormentos de um povo sofrido em todos os seus estratos sociais; esse povo que diariamente sangra em seu cotidiano, para dar lugar ao espetáculo de como vivem em outras pairagens essa gente que vem lá de longe.
   Para os governantes que camuflam nossos defeitos e imperfeições, mas que às vezes até escapolem quando nossos visitantes perambulam pelas ruas da cidade e respiram nossos ares também, seria até bom que isso ficasse em segundo plano e só voltasse depois, em  outros palanques para isso, porque, para os próximos dias até o fim dos Jogos o pódio é o lugar mais concorrido.
   Agora, o status de uma grande metrópole toma outra dimensão, quando o Rio de Janeiro se transforma em um planeta só, sem fronteiras, com todo mundo junto e misturado.
   Em um curto espaço e tempo, nossos visitantes conhecerão como a gente respira e faz essa cidade pulsar também, ao mesmo tempo em que sentiremos de perto como essa gente se comporta dentro de seus domínios, ao trazer para junto de nós suas cores, suas manias e vícios.
   Com tanta gente respirando o mesmo ar, a energia de uma cidade efervescente no seu cotidiano acaba se multiplicando pela vibração que toma conta de todos. E a expectativa desses forasteiros de conhecer todos os recantos do Rio é a mesma com relação às disputas das modalidades esportivas.  
   Não é difícil imaginar que nossa imagem toma mais realismo, bem diferente das propagandas que são veiculadas dos cartões-postais que se conhecem ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que nos familiarizamos com as maneiras de como eles se comportam na cidade.
   Com relação aos outros eventos que recebem gente de fora, como carnaval e réveillon, essa Olimpíada que dura mais tempo até cria mais intimidade entre povos diferentes, o que pode até exportar para as outras praças a experiência que todos vão conhecendo e vivenciando.
   É essa experiência que vai servir como legado para os que vieram para cá, independente da herança que ficará para nós depois de toda essa confusão de gente transitando no Rio de Janeiro, cidade por enquanto uma verdadeira Torre de Babel.
   Certamente a cidade maravilhosa não será o modelo ideal de lugar para se viver. O que pode marcar o Rio positivamente é a nossa capacidade de organizar uma festa deslumbrante, principalmente a alegria do nosso povo de receber bem nossos visitantes, mesmo com a casa um pouco desarrumada, como de costume.
   Se alguém levar a culpa por alguma coisa que deu errado em nossa cidade, com certeza os cariocas ficarão imunes a qualquer avaliação negativa, porque em todo canto do Rio tem sempre alguém sorrindo, fazendo do Rio de Janeiro um eldorado momentâneo.
  
                                                                                                                                                   
 
  



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