sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A BALANÇA DO CACHORRO

   

  
     Nos dias seguintes ao fatídico caso do Orelha, a repercussão não poderia ser diferente de toda a dimensão que se formou, que de repente a gente nem sabe se a alma do pobre animal vai ficar sossegada.
     Com o registro de mais um caso de crueldade para entrar nos anais da história de absurdo no Brasil, agora o foco é saber como a legislação vigente no país vai interpretar, analisar e punir os assassinos do cachorro.
      Pra começo de conversa, é preciso deixar claro a todos, especialistas, palpiteiros, opinião pública, apostadores, votação, plebiscito ou qualquer outro elemento utilizado para fazer algum juízo do caso, que é possível penalizar os agressores dentro do que determina a lei, ou seja, existe lei pra isso.
      É isso que traz alento para a sociedade sobre a possibilidade de responsabilizar culpados de eventuais crimes cometidos, seja qual for o delito, os motivos, as circunstâncias, serve para qualquer um...quer dizer, não é bem assim. Existe aí um elemento que pode definir o andamento e desdobramento de todo esse processo que tramita agora.
     É que uma grande parcela da população brasileira não acredita que haverá punição aos jovens criminosos, considerando que estes são filhos de gente influente na sociedade, que são ricos, e que dessa forma não serão penalizados, que não vai dar em nada, que nesse país quem tem dinheiro não vai preso e por aí vai.
     Não tem como falar dessas coisas com todo aquele cuidado com as palavras, como antigamente, pois isso não é mais novidade no seio da sociedade, nem tampouco nos círculos do judiciário brasileiro. Não é se hoje que a população se indigna quando a justiça, ainda que dentro do que lei permite interpretar, não traduz em seus vereditos os anseios da sociedade por uma justiça verdadeiramente impiedosa com criminosos de qualquer natureza e estrato social.
     Em todas as tipificações de crimes previstos na legislação, há registros diversos de casos dessa mesma natureza, em que o martelo sempre bate contrariando o sentimento da opinião pública por punições exemplares e rigorosas.
     Da mesma forma que advogados habilidosos encontram brechas dentro dos códigos para livrar seus clientes de eventuais culpas, seja com o velho princípio da misericórdia que beneficia os coitadinhos ou a já manjada carteirinha de maluco, o magistrado também pode entender a demanda da sociedade e atender ao clamor público.
    O que não pode é uma parcela da população ficar sempre isenta de punição, porque é do mesmo círculo dos julgadores.
     Não há garantia de que se houver uma pressão cada vez maior, ainda mais agora com esse ambiente de rede nessa dimensão, vai haver alguma mudança de rumo na justiça.
     Mas seria uma forma de deixar um exemplo para a sociedade, saber que a lei vale para todos, e ainda trazer um alívio para a alma do Orelha.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

PARA ONDE VAI A RAÇA HUMANA?

  

   Já há especulações sobre se a humanidade é viável em seu próprio meio. As múltiplas invenções e conquistas ao longo de sua existência podem não mais ser a garantia da tal evolução que tanto alardeiam por aí.
     Por mim estamos longe do ideal, ainda mais quando percebemos que os cachorros, os passarinhos, os peixes, as formigas e as lagartixas estão bem conectados e imbuídos de sua missão e cumprindo fielmente o seu papel, o que nos deixa em segundo plano no planeta nessa premissa básica que é a comunhão e seus desdobramentos, valores e tal.
     Não será novidade se formos extintos desse mundo, não do espaço físico, obviamente, porque daremos sempre um jeito de ficar por aqui. Haverá sempre uma tecnologia capaz de protelar nossa estadia no universo, mesmo com toda a precariedade da alma, do espírito como a aura da estupidez, que vai passando de geração em geração.
      Haverá sempre um jeito de disfarçar a ignorância sobre o pretexto da modernidade, mesmo sem qualquer indício de que há de fato evolução nessa trajetória.
     Mas me refiro à extinção conceitual, em que o homem já não é mais viável em seu espaço, principalmente porque degrada o seu meio, os seres que os cerca e junto ainda subverte a essência de seu semelhante a todo instante.
     É perigoso, assustador e preocupante sob o ponto vista humano que essas pessoas ainda engatinhando, dando os primeiros passos na vida, sem noção alguma do que move o mundo, sem princípios, sem educação, desprovidos do mínimo de caráter, incorpore a faceta mais cruel da humanidade.
     Pelo andar da carruagem, essa gente ainda vai trilhar por muito tempo seu caminho respingando o ódio como propósito de vida, cuja cultura da imbecilidade ganha corpo ainda no berço e vai se lapidando no seio da sociedade, contaminado o ambiente e engrossando cada vez mais a fileira dos imbecis
   Por mais que a gente se esforce para achar a melhor definição para essa barbárie, vão faltar adjetivos que poderão ser empregados em toda a sua plenitude.
     Eu desconfio que será mais uma questão que vai se arrastar por força da fraqueza humana em punir com severidade a sanha dos delinquentes. É mais uma tragédia sem reviravolta. É mais um absurdo se eternizando. Não será difícil para os futuros antropólogos encontrar vestígios de um povo hostil, cruel e desumano.
     Por tudo que tem realizado e difundido por aí, dificilmente a raça humana vai se repaginar.