quarta-feira, 28 de outubro de 2020

IDEIA DE JERICO

    O presidente Jair Bolsonaro fica entrando na pilha do ministro da economia, Paulo Guedes que, sempre que pode, faz uma pressão para tentar emplacar o Estado mínimo no Brasil sem qualquer discussão, sem critério algum que possa sustentar a viabilidade de um projeto com essa complexidade toda.
   Só isso explica esses arroubos do presidente, como agora, em criar esse decreto que autoriza o Ministério da Economia a abrir estudos que possibilitem a parceria público-privada no Sistema Único de Saúde.
   Pra começo de conversa, em tempos de pandemia seria uma afronta à inteligência da opinião pública em momentos de aflição e agonia pela Covid- 19, mas a verdade é que a complexidade do SUS, que engloba as três esferas de administração, implica discussões e estudos com autoridades e especialistas da área de saúde, não é só a área econômica que iria deliberar sobre isso.
   E a outra questão é justamente a que levanta suspeita em todos. Já que o Bolsonaro havia desmentido a privatização do SUS no decreto, a parceria com empresas privadas na gestão das Unidades Básicas de Saúde é uma versão mais ampliada do que já ocorre nos estados e municípios, em modelos de gestão da saúde pública, em algumas praças, com registros de escândalos e precariedade do serviço.
   No Rio de Janeiro, esse modelo de administração através de Organizações Sociais a gente já conhece como funcionava, regada a propina, favorecimento e vantagens que em nenhum momento trazem benefícios para os usuários do sistema. Não é difícil imaginar a complexidade desse modelo em nível nacional. Seria tão ou ainda mais complicado que a atual forma de gestão num país de dimensões continentais como o Brasil.
   Na fala do ministro Paulo Guedes para defender o decreto, ele sugere incentivar a participação da iniciativa privada para melhorar a qualidade do serviço. Ora, ministro, dá pra tornar excelente a saúde pública no país, desde que o governo utilize todo o recurso destinado ao setor; não diminua o orçamento da saúde como fez este ano; crie mecanismos para monitorar a gestão dos hospitais federais, pois, no Hospital Geral de Bonsucesso, por exemplo, a diretora dava festas, mesmo com a própria unidade respirando por aparelho.
   Pois bem, ainda bem que Jair Bolsonaro voltou atrás e  revogou o decreto 10.530 depois da repercussão negativa que a decisão isolada e descabida do presidente provocou.
   Nesse cenário de estado mínimo que o neoliberalismo propõe, cada país tem suas peculiaridades, suas características que levam em conta vários fatores. Se o Paulo Guedes acha que é fácil encolher o Estado sem sacrifícios, só com uma canetada, e ainda mexendo na saúde da população, pode desistir que a sociedade está atenta.
   Se o presidente acredita que pode decidir de forma unilateral sobre questões que envolvem a vida das pessoas, mesmo que não seja pilha do Paulo Guedes, pode revogar essa ideia de jerico.

DE QUEM É A CULPA?

  É muito pouco provável que alguém vá ser responsabilizado pelo incêndio no Hospital Geral de Bonsucesso. É só fazer um balanço da rotina do hospital nesses últimos anos ou décadas, até, para se avaliar o tamanho da tragédia que se abateu em mais uma unidade de saúde pública.
   É justamente essa questão da responsabilidade que vai precisar ser resolvida para impedir que essa agonia de sempre continue, que esse drama se perpetue.
    É claro que vai rolar aquele velho jogo de empurra que vai resvalar em gestões anteriores, porque ninguém vai querer levar culpa sozinho. Por acaso, aconteceu alguma coisa com aquela diretora do hospital que dava festas enquanto os pacientes da emergência  eram atendidos em contêineres? Por que não revisaram os geradores e toda a estrutura do complexo depois que a Defensoria Pública da União produziu um relatório alertando de risco iminente? De quem é a culpa pela falta de equipamentos de segurança constatado e alertado pelo Sindicato do Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência? Como uma unidade daquela dimensão funciona sem um plano de combate à incêndio atualizado?
   São questionamentos que remetem à impunidade das coisas no Brasil, ninguém é culpado de nada, não se pune ninguém por nada, apesar de haver instrumentos jurídicos  para isso. Se houver alguma punição para dar uma satisfação à opinião pública, vai cair sobre alguém que não era responsável, mas que de repente fez uma gambiarra e passou a ser o provável culpado por tudo. Aquela velha história da corda que a gente sabe onde arrebenta.
    Por sorte, a equipe de funcionários do HGB já estão acostumados a trabalhar no limite de sua capacidade e função e a tragédia não foi maior por força da dedicação de todos em mais um momento angustiante para todos.
   Infelizmente a situação só tende a piorar, ainda mais nesses tempos de pandemia em que o volume de atendimento nas unidades de saúde se sobrecarregou, o que vai gerar um inchaço, um esgotamento maior, fazendo com que esse evidente colapso evolua para um quadro pior, porque outras unidades de saúde, estadual e municipal, também apresentam os mesmos problemas estruturais, como bem mostra reportagem do jornal O DIA.
   De qualquer forma, há uma questão de responsabilidade que precisa ser equacionada antes que deem atenção básica de verdade à saúde pública no Brasil. É bom que haja um envolvimento maior por parte de toda a sociedade, os governos, o Congresso,  a esfera jurídica, mas sem essa politização que agora virou moda, principalmente na área de saúde.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

POR UM RIO RENOVADO

  Não faz muito tempo que a prefeitura manteve parceria com os governos estadual e federal num cenário que trouxe muito ânimo para a população pela possibilidade de grandes projetos para o desenvolvimento da cidade serem implementados. Tudo que poderia faltar em outras praças  sobrava aqui. Havia recursos sem aquelas burocracias, sem aqueles entraves, porque as esferas de governo eram fechamento puro.
   Era só botar em prática o que sempre se desenhou para o Rio, uma grande transformação para deixar a cidade no nível de uma grande metrópole de fato, com os principais serviços públicos funcionando plenamente, de modo, claro, a diminuir o sofrimento da população em seu cotidiano e trazer bem-estar para a todos.
   E essa expectativa de um novo horizonte para o Rio parecia certa quando ensaiaram com UPA, UPP, Clínicas de Família, BRT, VLT, e o projeto que nascia como a cereja do bolo de toda essa roupagem que o Rio de Janeiro estava inaugurando: o Porto Maravilha. Nem é preciso muito esforço para ver a precariedade disso tudo agora.
   O que parecia ser a menina dos olhos da prefeitura e motivo de orgulho para os cariocas se transformou num cenário de terra arrasada. Quem anda por ali até vê que houve um ensaio de intervenção urbana, mas o conjunto, aquilo que agrega todos os elementos do projeto, está tudo indefinido, vazio, e o pior, sem garantia de que a área será realmente revitalizada, porque não era só um simples projeto de intervenção urbana, é uma grande obra que englobaria na região emprego, moradia, cultura, lazer e mobilidade urbana.
   Mas como todo projeto de parceria público-privada levanta as suspeitas de sempre, o Porto Maravilha como uma operação urbana de consórcio, operado por empresas envolvidas em corrupção, ficou também a desejar uma nova paisagem para o Rio, além da decepção por parte de quem prometeu renovar e modernizar a nossa cidade maravilhosa.
   Hoje, a prefeitura tenta, por via judicial, fazer a Caixa Econômica Federal retomar a manutenção da região por força de contrato firmado no tempo em que foi concebido o Porto Maravilha, cujo fundo imobiliário a instituição federal é gestora.
   Pelo cronograma do projeto inicial, as obras de revitalização do Porto Maravilha terminaria em 2022, mas como os tais Certificados do Potencial Adicional de Construção encalharam por força da crise que se abateu em 2016, mesmo com toda a liberdade de poder construir edificações acima do gabarito da região, não houve quem se interessasse em investir no local.
   Com a proximidade das eleições, outra expectativa de um personagem diferente na administração municipal que possa refazer essa ponte com a CEF e dentro de um cenário de transparência e credibilidade e fazer do Porto Maravilha a porta de entrada para demais investimentos para o Rio de Janeiro e renovar o orgulho do carioca.
  

sábado, 24 de outubro de 2020

O GOL DE SANTOS DUMONT

   É muito importante destacar o nome do Pelé nesse tempo de sua primavera em que completa oitenta anos,  pela bravura e competência com que representou o Brasil nas vezes em que esteve em campo. Para quem não gosta ou não se liga em futebol os números de Pelé podem até ser irrelevantes, mas há o reconhecimento do quanto ele elevou o nome do Brasil.
   Mas essa data especial no mundo do futebol também coincide com o gol de placa de outro brasileiro ilustre: Santos Dumont. Se a gente voltar lá atrás e ver como era o Brasil e trazer para esses tempos modernos de hoje, com todas essas tecnologias norteando a vida das pessoas, a saga de Santos Dumont é muito representativa para os avanços da aviação no mundo. Em nenhum momento o seu pioneirismo pode ser desprezado, quanto mais se distancia daquele sublime sobrevoo em seu 14bis, em Paris, naquele 23 de outubro de 1906,  até os dias atuais, em que a aviação também vem acompanhando todas essas revoluções tecnológicas.  
   Há, até hoje, aquela velha polêmica em torno da paternidade da aviação entre o nosso Santos Dumont e os irmãos Wright, mas amplamente favorável ao brasileiro que conseguiu levantar o 14bis com autonomia, ou seja, com propulsão do próprio equipamento, ao contrário dos americanos que lançaram mão de outros meios para alçar seu aparelho. Se ficou alguma dúvida na época, os próprios fatos definem Alberto Santos Dumont como o pai da aviação.
   O povo brasileiro não pode, jamais, deixar cair no esquecimento os feitos de Santos Dumont, cuja proeza de inaugurar uma nova era para o mundo é também um golaço para entrar na galeria dos grandes feitos da humanidade.
   

domingo, 18 de outubro de 2020

OS ÍDOLOS TAMBÉM VACILAM

    Quanto mais se avolumam esses escândalos envolvendo figuras públicas mais complexa vai ficando a definição do que é de fato um ídolo. Eu falo isso seguro de que todo mundo tem um pra se chamar de meu, aquele em que você se espelha no talento, no discurso, na beleza, na roupa que veste, na música que canta ou no bolão que ele bate nas quatro linhas.
   Antigamente, era mais difícil saber o que essas pessoas que são referência de alguém, de milhares ou de milhões de seguidores faziam em suas vidas pessoais. Agora, eles mesmos fazem questão de exibir o aconchego de seus lares, a família, o amor pelos animais, as viagens, as resenhas, enfim, tudo que se pode copiar de fato, claro, se sua vida social e financeira permitir.
   Mas apesar de toda essa vida bacana escancarada, ainda assim fica aquela pulga atrás da orelha sobre o caráter, a personalidade dessa gente bronzeada, porque o que não falta hoje é aquela pessoinha pública decepcionar seus adoradores, seus fãs ou seguidores, o que seja, com aquele pequeno desvio de rumo que mancha e  muito a reputação do cara. Quando a figura fica só na ostentação, tudo bem, o problema é quando ele revela a sua personalidade.
   Só pra ficar em fatos recentes, imagine a decepção que figuras como o Robinho, a Flor de Liz e o senador Chico Rodrigues causaram nas pessoas que os tinham como referência. Apesar de essas pessoas que agora caíram em desgraça com a opinião pública continuarem em alta em outro ambiente ou em outro grupo social por um motivo qualquer, vai surgir alguém saindo em defesa dele, “Ah, não importa o que ele fez,  ele tá sempre socorrendo a gente aqui”, de qualquer forma, ficou exposto ali as vísceras de quem parecia ser uma unanimidade.
  Por isso eu acredito que esse conceito de personalidades vai sofrendo alterações.  Agora, com o advento das redes sociais essas celebridades, as que ainda não vacilaram por ai, obviamente, continuam com sua audiência e os milhares de likes, mas terão de ser mais vigilantes com sua imagem, suas atitudes, seus gestos, assim como o comportamento fora dos holofotes, porque, até isso vem à tona também, de repente, assim do nada, e ai, todo aquele prestígio conquistado a duras penas desmorona de vez. 
   A pessoa que sai do ostracismo e passa a ser conhecida tem de ter essa noção do que é ser uma figura pública. Ela passa a ser referência de muita gente, e hoje, com os passos cada vez mais vigiados em grande rede, fica exposta além da estética, da superficialidade, a conduta que acaba tendo um peso maior, pois, nesse critério de construção de imagem a parte de fora e a de dentro são colocados na balança. 
   Portanto, a primeira impressão é a que fica, mas só pra quem ainda não deu mole por aí.

sábado, 17 de outubro de 2020

BANALIZANDO A MALANDRAGEM

    Vivemos um tempo em que certas coisas absurdas tomam formato de algo natural, normal. Eu digo que vivemos porque pode ser passageiro também. Pode ser que lá na frente haja uma mudança de rumo e tudo que agora parece normal volte a ser bizarro novamente. Claro, quando a sociedade em sua grande maioria entender que todo processo deve ser interpretado da forma como ele é em sua origem, ou seja, não se pode inverter os valores ou a ordem das coisas como se isso fosse, sei lá... permitido por lei.
   Em mais um episódio de bizarrice que já ilustra o cenário político faz tempo o senador Chico Rodrigues(DEM-RR) é flagrado com dinheiro público que seria destinado ao povo de seu estado, Roraima, para o combate ao Covid-19. O que deveria chamar mais a atenção é o ato em si, o roubo, a sacanagem com o dinheiro, não a forma como ele se manifesta. Não interessa se a grana estava na cueca do sujeito. Seria um dinheiro sujo de qualquer maneira se estivesse em gaveta, mala ou baú.
   O que não pode é uma ação dessa natureza, tipificado como crime perante a lei em vigor no país, se banalizar assim, naturalmente, e não haver nenhuma expectativa de penalidade como efeito da vigilância do povo com a coisa pública. 
   Que se deixe de lado esse corporativismo que estimula as práticas ilícitas. Já era para todo o Senado estar mobilizado para cassar o mandato do senador Chico Rodrigues, independente de partido, corrente ideológica. É a honra do Senado que está em jogo. Esse sujeito certamente ocupa a cadeira que alguém usou no passado para dignificar o Senado Federal e o estado representado ali. 
   Mesmo que o senador Chico Rodrigues não se envergonhe de decepcionar o seu eleitorado em Roraima, o Conselho de Ética da casa não pode hesitar em cassar o mandato do parlamentar, cujo partido, o Democratas, também deve tomar uma posição em nome da moralidade pública, e não ficar sob as amarras do compadrio e do corporativismo só porque é a sigla do presidente da casa, David Alcolumbre, e também do Conselho de Ética, Jayme Campos.
   Não há nada que possa amenizar a culpa e má-fé do senador Chico Rodrigues, não há atenuantes quando o  dinheiro público for o objeto da malandragem. Há, sim, um agravante, pois o recurso desviado era destinado à área de saúde, em que vidas humanas estão envolvidas, principalmente agora nesses tempos de pandemia.
   Não precisa ser de Roraima pra se indignar, basta ser brasileiro, basta ser humano. A sociedade brasileira não pode mais conviver com o ilegal, o errado, e achar que é normal, que é assim mesmo, tipo tá tranquilo, irmão e segue o barco.
   O senador Chico Rodrigues só faz isso porque não frearam o ímpeto de seus pares no passado. Será que convencionou achar que isso mudaria com tempo? Não. Simplesmente, banalizaram o ilegal junto com a impunidade. Esse sujeito, Chico Rodrigues, é o fiel representante de um pais atrasado, aquele Brasil que no passado institucionalizou a bandalha, a canalhice, a sacanagem com o povo brasileiro. 
   É  por causa de gente assim como o senador Chico Rodrigues e tantos outros que parte da sociedade trata essa imoralidade como coisa normal. 
   Cabe ao povo brasileiro vetar esse projeto de lei para o Brasil.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

EDUARDO PAES NÃO FUNCIONA

 
De todos os candidatos a prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes é o que mais nos permite fazer uma avaliação mais precisa de como pode ser a próxima gestão da cidade.
   Enquanto os outros geram suspeitas e desconfiança, tanto os conhecidos quanto os novatos, deve-se esperar mais um pouco a propaganda deles na mídia, assim como os debates, de onde pode surgir o diferencial de cada um, aquele detalhe que pode definir a escolha da maioria para governar a nossa cidade.
   Já, o Eduardo Paes é aquele velho conhecido dos cariocas, governou o Rio de Janeiro por dois mandatos, por força e obra de seu padrinho político, Cézar Maia, que também fez as vezes de alcaide na cidade maravilhosa.
   Se a gente falar que não houve benefícios à população em sua gestão, pode estar havendo um pouco de injustiça também. Mas não foram mudanças que se eternizaram na realidade da cidade, ou como bem ele dizia nas publicidades que fazia, o tal legado para a população. E olha que Eduardo Paes governou em total interação com os governos estadual e federal na época, o que deixava o Rio de Janeiro com uma certa vantagem com relação às outras unidades da federação.
   Os cariocas poderiam, neste momento, estar gozando de várias ações implementadas por ele, porque, havia a promessa de grandes feitos para a cidade, principalmente pela expectativa que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos geraram para a população nos preparativos desses eventos esportivos que o Rio sediou.
   Até o seu discurso na propaganda atual poderia estar enaltecendo sua passagem como prefeito e os resultados positivos para todos que aqui vivem. Não daria nem tempo nem motivos para alfinetar seu sucessor, como faz insistentemente nessa tentativa de voltar ao cargo. Aliás, ele só fala mal do Marcelo Crivella porque não conseguiu emplacar seu sucessor, e agora fica criticando justamente o gestor que o sucedeu. 
   Então, nesse sentido, é muito pouco provável que Eduardo Paes possa administrar o Rio de Janeiro novamente com uma roupagem diferente. Ele nem dá sinais de que pode ser diferente e melhor, apenas faz questão de destacar seus 30 anos de vida pública sem que isso tenha transformado o Rio de janeiro num eldorado.
   Hoje, se há serviços públicos precários na cidade, sua gestão contribuiu para manter esse nível. Se em algum momento tudo parecia maravilhoso, foi momentâneo, num tempo suficiente para maquiar a cidade em pontos e setores estratégicos e passar uma boa imagem que ele vende agora. 
   Lamentável que tenha passado despercebido de muita gente os projetos inacabados ou mal sucedidos ligados direta ou indiretamente à sua administração. Deve ser gente que paga plano de saúde e não precisa de uma UPA, de uma Clínica da Família, cujo nível de eficiência é insuficiente para a demanda da população que sofre na fila por uma consulta ou internação. 
   Nessa nova tendência  de transporte por aplicativo, muita gente não vê linhas de ônibus sem condições alguma de rodar pelas ruas da cidade, com tarifa absurda, bancos soltos, pneus carecas, sem ar-condicionado, desmandos dos empresários do setor e vista grossa, claro, do então prefeito Eduardo Paes.
   Nas comunidades é onde mais se vê a ausência do poder público, principalmente da municipalidade. Faltam vagas em creches, saneamento básico e coleta regular de lixo em todas as favelas cariocas, localidades que Eduardo Paes sempre mira em suas promessas, sem cumpri-las, no entanto. 
     Para não dizerem que estou perseguindo Eduardo Paes, devo dizer que outros prefeitos, os anteriores e o atual, Marcelo Crivella, também hesitaram em transformar a cidade do Rio de Janeiro ao nível das grandes metrópoles mundiais.
   Em 2012, o Rio sediou a Rio+20, um Fórum global com proposta de desenvolvimento das cidades com ênfase na sustentabilidade, o meio-ambiente atrelado aos principais projetos de cidades e nações. Seria a oportunidade de o Rio de Janeiro dar um salto de qualidade em sua gestão, mas Eduardo Paes também contribuiu para o fracasso do encontro, cujos pontos e temas abordados foram ignorados.
   Agora, Eduardo Paes está aí, tentando administrar o Rio de Janeiro novamente, usando uma narrativa que atenta contra ele mesmo, a promessa de que o Rio vai voltar a funcionar. Para quem teve a chance de otimizar, renovar, modernizar o Rio de Janeiro  e não aproveitou, é melhor que não corramos esse risco novamente.


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O ENTENDIMENTO CONFUSO

    É claro que ia dar o que falar a liberdade que o traficante André do Rap conseguiu com a liminar proferida pelo ministro Marco Aurélio Mello.  
   É necessário destacar, pra começo de conversa,  que toda essa comédia de erros tem fundamentação legal. Por incrível que possa parecer, está tudo dentro da lei mesmo, não é brincadeira, não. Se houve alguma tentativa de modernizar um parágrafo, um inciso ou um artigo qualquer pra se adequar aos novos tempos, ficou no meio do caminho esse ensaio. 
   Veja só, entendimento que é um termo muito utilizado no meio jurídico para esclarecer uma decisão ou interpretar o que diz uma lei, na verdade  é confuso também, ninguém se entende, porque as leis brasileiras são assim, cheias de atalhos, de contornos, permitindo que cada um siga um caminho. 
   E foi justamente isso que ilustrou o falatório sobre a soltura do traficante. Libertaram o cara que já tinha duas condenações em segunda instância, mas a tal revisão da prisão depois de noventa dias não foi feita dentro desse prazo, daí um criminoso de alta periculosidade sair tranquilamente pela porta da frente como um verdadeiro escárnio à sociedade. 
   Pois é, tanto se discutiu sobre as condenações em segunda instância que esgotariam completamente o princípio da inocência  que o próprio Congresso cheio de gente intrincada com a justiça não se empenhou o bastante, por que será? Todo o esforço do Sérgio Moro em emplacar a novidade foi em vão quando ele saiu do governo.
   Agora, fica o Supremo tribunal Federal tendo que abrir os trabalhos às  pressas na Corte pra desenhar, porque só desenhando mesmo, o melhor e  mais adequado entendimento sobre relaxamento de prisão de um elemento que tem mais motivos para estar preso que voando por ai.
   Portanto, nem adianta outra mobilização pra recapturar o André do Rap, com tempo, recursos e logística gastos mais uma vez, enquanto o Congresso vai empurrando com a barriga a questão até que se esgote a paciência da sociedade e abra mais precedentes, pois, dentro da população carcerária está cheio de gente nessas condições.
   Quando ao STF, antes de se definir de quem é a competência para fazer a revisão aos noventa do segundo tempo, é melhor que se decida pela manutenção da prisão, a renovação automática do xilindró, se ninguém aparecer pra reclamar o condenado. 
   A sociedade vai agradecer essa moral.
    

terça-feira, 13 de outubro de 2020

FALTA AMOR AO RIO

    Quando chega a época de eleições parece que o amor floreia no coração dessa gente que fala ou faz qualquer coisa pra sentar na cadeira do prefeito. Eu fico imaginando o coração do cara pulsando em ritmo acelerado com a expectativa de governar a cidade, resolver essa penca de problemas que o Rio tem, descascar o abacaxi de cada lugar da cidade com o coração pulsando de emoção, nessa relação de amor e paixão por essa metrópole com maravilhas, mazelas, perigo, beleza, calor humano, tudo misturado, e o prefeito tirando tudo isso de letra, porque tudo é divino e maravilhoso quando é feito com amor.
   Deve ser realmente encantador cumprir uma agenda de governo sempre com o sorriso estampado no rosto, sem perder a ternura, mesmo que seus auxiliares venham à sua mesa toda semana com balanços e relatórios de tudo que precisa ser feito para o Rio de Janeiro ser  aquela cidade apaixonante pra se viver.
   Se tem alguém ou muita gente que pensa diferente, beleza, mas é esse cenário que eu imagino quando vejo um candidato à prefeito da cidade maravilhosa dizendo em todas essas inserções de  propaganda eleitoral que ama a cidade.
   É fácil compreender como é esse amor de alguém que tem raízes fincadas aqui. Não é surpresa alguma declarar esse amor pelo lugar onde tudo começou no caso dos nativos, assim como daqueles que escolheram o Rio como morada.
   Mas uma coisa é falar o que pensa, o que sente, até porque, quem tem boca fala o que quer, como dizem por aí. Agora, outra coisa é mostrar esse amor com ações práticas no dia a dia.
   Pra quem respira a nossa cidade em sua rotina e percorre todos cantos de um lado para o outro, à pé, de ônibus, trem, metrô ou bicicleta tem uma ideia dos cuidados com o Rio de Janeiro. 
   Se de um lado tem o sujeito que joga uma latinha de refrigerante no meio da rua, sem a menor cerimônia, do outro tem o poder público que oferece os principais serviços à população de forma precária. 
   Diante de todo esse cenário, não tem como disfarçar nossas mazelas, insistindo em divulgar a beleza da cidade nos velhos cartões-postais. Nesses tempos de redes sociais, é  muito fácil um forasteiro chegar aqui no Carnaval, no réveillon  e viralizar uma situação bizarra do Rio de Janeiro.
   Não adianta ficar zoando o paulista, o mineiro ou o amigo que mora na Baixada Fluminense e quando vai à praia deixa todo o lixo na areia quando vai embora. É triste ver o cara roubando fio da rede elétrica em plena luz do dia, o outro mijando no pé da árvore ou dando calote no BRT. Para o cidadão que  espera e exige o melhor de quem governa a cidade, o ideal é que ele faça a sua parte também.
   Pois é justamente essa postura que a gente espera do prefeito e legisladores da cidade do Rio de Janeiro. Muito mais do que amar o Rio é fazer da nossa cidade aconchegante e funcional para nós que vivemos aqui. É muito comum ver as ruas policiadas, mais limpas, metrô funcionando, trem e ônibus sem caô em dias de Carnaval, Réveillon ou eventos esportivos, e depois tudo volta a desandar quando os visitantes vão embora.
   Não adianta que amar o Rio seja um mote de campanha ou plataforma de governo. É preciso diferenciar a gestão das outras anteriores que sempre maquiaram a cidade pra fingir que tudo funciona, quando na verdade é tudo precário, à meia-sola.  Já não rola mais o Rio ter perfis diferentes em cada localidade, o Rio do rico e o Rio do pobre. É necessário seguir os protocolos ambientais nos principais projetos de desenvolvimento para o Rio de Janeiro para que sejamos uma cidade moderna de fato.
   A saúde, a educação, a segurança das pessoas têm de ser levadas à sério, sem essas parcerias público-privadas cheias de suspeição que só trazem prejuízos à população. 
   Por fim, dá pra fazer essa triagem na hora de votar. É só observar as condições da cidade, como ela já estava antes e como ela continua até hoje. Tá na hora de dar uma verdadeira prova de amor ao Rio.


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A LADAINHA VOLTOU

    Gente, começou aquela velha ladainha de sempre. Sim, porque não tem como definir de outro jeito a propaganda eleitoral que rola na TV e no Rádio. Em uma semana de programa já dá para ter uma ideia de como será o resto da campanha.
   Claro que há aquela expectativa de algo diferente depois de um tempo ruim, mas nas primeiras falas a gente volta à mesmice de sempre: os caras atacando um ao outro em meio a um monte de coisas que precisam ser feita e nenhuma solução, nenhum fato novo saindo da boca dessa gente.
   É justamente em temas espinhosos que poderia sair novas ideias, outros rumos para a política. Com tanta coisa acontecendo no cenário político que poderia servir de gancho para outros modelos de administração.
   Em vez disso, a turma foge de conversa séria, preferindo ataques pessoais sem nada que se possa aproveitar. A corrupção aí, comendo solto, e ninguém acena com um papo decente. Na verdade, fica até difícil tocar no assunto, porque os principais candidatos que estão nas cabeças, segundo essas pesquisas malucas ai, todos têm ligação ou já esteve ligado com alguma coisa ou gente suspeita.
   Mas se não dá pra falar disso agora, tem a questão da pandemia que poderia clarear a mente dessa gente sobre a questão da saúde. Afinal de contas, depois que a Covid-19 der uma trégua, a rede pública vai ficar de um jeito que só uma gestão séria, muito transparente, inclusive, pra botar tudo nos eixos de novo. Numa campanha de alto nível de inteligência dos candidatos surgiria aquele diferencial pudesse efetivamente solucionar o problema ou pelo menos ensaiar outra diretriz pra uma questão que pede pressa.
   Outro assunto de grande interesse pra geral é a questão ambiental nesses tempos de queimada destruindo a Floresta e o Pantanal. Se tem um tema que pode ser crucial nessa discussão toda, qualquer mudança, qualquer expediente, qualquer intervenção que projetem para a cidade tem de ter a causa ambiental atrelada, e se ninguém acenar com alguma proposta dessa natureza, seguir essa linha de administração moderna e renovadora a cidade vai continuar do jeito que sempre foi. 
   As redes sociais também poderiam ampliar mais o debate pela dimensão e abrangência social, mas o que se vê são discussões inúteis, informações vazias, fake news e outros elementos apenas espetacularizando o ambiente. É a parte em que todo mundo, candidatos e eleitores contribuem para piorar ainda mais o negócio.
   Vamos esperar o debate pra ver como é que fica.
   

sábado, 10 de outubro de 2020

A COMIDA É A VACINA DO POBRE

    Não poderia ter uma premiação mais satisfatória e gratificante para a humanidade o Prêmio Nobel da Paz de 2020 concedido ao Programa Mundial de Alimentos da ONU. 
   No caso da fome como a mazela mais gritante do mundo, é importante que um conjunto de ações promovido por nações ricas se intensifique e melhor, que sirva de exemplo para demais projetos que atendam às necessidades de povos e nações em condições sub-humanas.
   Em lugares pelo mundo, onde há constantes conflitos, como a África, por exemplo, além da violência e destruição que provocam a escassez de alimentos pela infraestrutura precária em regiões conflagradas, nesses tempos de pandemia a falta de alimentos aumenta ainda mais.
   Chama a atenção, no entanto, a fala da presidente do Comitê do Nobel, a sueca Berit Reiss-Andersen à escolha do Programa Mundial de Alimentos ao prêmio da entidade. Quando ela afirma que a comida é a melhor vacina contra o caos, dá para fazer  reflexões  sobre as mazelas de populações desassistidas pelo mundo. O caos a que se refere vai mais além dos cenários de guerra que interrompem ou atrapalharam a ajuda humanitária. Serve de alerta aos países que adotam políticas públicas pouco eficazes no combate à miséria dentro de seus quadrantes.
   O próprio Brasil, que tem uma área cultivável de grandes proporções, tem capacidade para atender as populações famintas ainda concentradas em vários bolsões pelo país, mas ainda hesita em conjugar o agronegócio com qualquer modelo assistencial que reverta o quadro de fome que assola populações em todas as regiões brasileiras, além,  é claro, de uma política econômica totalmente desfavorável à aquisição de itens básicos para a alimentação. Agora mesmo, durante a pandemia, foram justamente os alimentos que mais sofreram aumento de preços, influenciando a alta da inflação no momento atual.
   Tudo isso, somado ao desperdício e a timidez de gestões públicas nas três esferas de governo são fatores que impedem o Brasil de equacionar esse problema dentro e fora de suas fronteiras, no momento em que a pandemia de Covid-19 traz consequências negativas para as classes menos favorecidas em todo o mundo.
   Com relação à ONU, ainda há controvérsia em outras áreas em que órgão pode interferir de forma mais intensa, nos conflitos que fustigam nações fragilizadas por lutas de caráter político, étnico e religioso, na África em especial, assim como no mapa geográfico das doenças que brotaram naquelas terras e a Organização Mundial de Saúde que pouco fez para erradicar o mal em sua origem, permitindo a disseminação fora do continente décadas depois, mas isso é outra história.
   Nada que tire a importância do Programa Mundial de Alimentos, premiada com louvor, por proporcionar a comida como a principal vacina para os pobres.

domingo, 4 de outubro de 2020

O BÁSICO DAS PALAVRAS E AÇÕES

    Ainda existe aquele mito de que é difícil falar de economia. Para muita gente fica complicado acompanhar ou interpretar a fala dos especialistas, aquelas pessoas que têm o notório saber. Eu acho até que mesmo quando eles falam de forma simples e se esforçam para que todos entendam, ainda assim sai um monte de palavras difíceis, termos rebuscados, principalmente quando há a verdadeira intenção de explicar algo que não traz solução alguma.
   É um expediente comum a outras áreas de atuação humana, não só no ambiente de economia, finanças, essas coisas, porque como muita gente já percebeu, toda vez que se pretende camuflar, disfarçar, desviar ou mesmo sonegar informações,  fatos e realidade das coisas, é justamente o jogo de palavras a ferramenta utilizada.
   Só que esse recurso se estende também para as ações homem, o outro estágio depois das falas inúteis. 
   Todo mundo tem acompanhado o esforço do governo para criar esse benefício, o Renda Cidadã, para as classes menos favorecidas, dentro da política assistencial que todo governo adota como meio de sobrevivência, não necessariamente do povo, mas do próprio governo.
   Porque é isso mesmo que a gente vê nessa agenda econômica que o presidente Bolsonaro e sua equipe tentam emplacar nesses tempos de pandemia. É evidente que  o presidente quer fazer graça com os mais necessitados sem que outros setores sejam sacrificados. O governo quer criar recursos para o benefício, sem furar o tal teto de gastos, quando seria  melhor conter gastos, o que implicaria cortar despesas de outros setores. Dá para fazer isso, o problema é que ninguém quer dar sua cota de sacrifício. 
   Seria até bizarro acreditar que o presidente ainda insiste em instituir o Renda Cidadã com recursos do Fundeb, o fundo das crianças da educação básica, mas a equipe vai além e cogita empregar o dinheiro de dívidas que a União tem de pagar por força de decisão judicial. Imagine um aposentado que ganhou uma causa do governo por correção de proventos; um cidadão que finalmente vai receber uma indenização para compensar uma perda; ou a compra de computadores para uma escola que vai ficar para depois. 
   Pois é, são esses que seriam sacrificados, não os detentores de grandes fortunas, que em outros países estariam tranquilamente subsidiando essa ajuda do governo. Seria uma maneira de distribuir renda e viabilizar a economia do país de forma mais saudável. Do jeito que Bolsonaro quer fazer apenas aumenta temporariamente o poder de compra dos mais pobres em itens básicos, sem que isso aumente de fato o poder aquisitivo dessa parcela. 
   Ainda há muito receio de fazer o dinheiro circular saudavelmente. Essas crises que rolam no mundo, que de vez em quando abalam as estruturas é fruto justamente disso, o dinheiro mal distribuído no mundo. A maior parte do dinheiro só circula no mesmo lugar de sempre, nas mãos das mesmas pessoas. 
   Aqui no Brasil é a mesma coisa, ninguém quer contribuir em subir o nível das pessoas de baixo. Muito pelo contrário, se aproveitam e aumentam o preço dos alimentos em plena pandemia. Bancos cobram juros de quem atrasou pagamento por causa da crise do coronavírus. São dois grupos econômicos que poderiam contribuir para melhorar a vida das pessoas, mas, não.
   Pois bem, é assim. Dá para falar de forma simples como dá para agir de maneira menos complicada também. 

sábado, 3 de outubro de 2020

DEPOIS QUE VESTE A TOGA

    
   Eu tenho ouvido algumas pessoas indignadas com a indicação do desembargador Kassio Nunes Marques para o Supremo Tribunal Federal feita pelo presidente Jair Bolsonaro. 
   Tanto em meio ao público comum que apoia o presidente quanto entre seus aliados, havia a expectativa de alguém diretamente ligado à ala conservadora, ainda mais depois que Bolsonaro já havia declarado que iria indicar alguém próximo da Igreja ou de toda a ala conservadora.
   Na verdade, a grita diz respeito à origem de Kassio Nunes e sua fidelidade com relação à questões pertinentes e favoráveis ao governo, como se isso fosse praxe, uma tendência nesse expediente de indicação e preenchimento de vaga de ministro do STF.
    Primeiro que pela atual conjuntura em que o presidente anda de mãos dadas com o Centrão, isso certamente implicaria uma mudança de rumo ou do nome a ser indicado para a Corte, adiando a promessa feita de indicar aquele terrivelmente evangélico, que Bolsonaro vai poder cumprir ano que vem com a aposentadoria de outro ministro, o Marco Aurélio Mello, isso se não houver uma mudança de rumo até lá, porque, agora mesmo, com todo esse esforço do presidente em conquistar a Região Nordeste, o nome de Kassio Nunes caiu bem nas pretensões de Jair Bolsonaro.
   Agora, o caráter político que sempre cercou as escolhas para ministros do STF só dura até o indicado ser aprovado na sabatina do Senado. Depois que o cara veste a toga e passa a integrar as fileiras do órgão, a cultura e o regimento da Casa o impede de ser outra coisa que não seja ministro do Supremo tribunal Federal. E se cobram do novo ministro uma postura fiel e condizente com os interesses de quem fez a indicação, poder tirar o cavalo da chuva que a própria história até recente do STF mostra justamente o contrário. 
   Praticamente todos o ministros do STF já deram sentenças contrárias aos interesses do presidente que o indicou,  por razões técnicas e éticas.  O máximo que Kassio Nunes pode fazer é se posicionar em questões polêmicas, independente de serem sensíveis ou não ao governo. Já, obediência e fidelidade dificilmente vão rolar.