sexta-feira, 26 de junho de 2026

A FEBRE DO CAOS



     Já estava demorando o bafafá sobre as bets no Brasil. Mais uma febre, uma dor de cabeça ou qualquer outra coisa com a qual se possa classificar mais um tormento na vida das pessoas. 
     Se existe hoje uma campanha ferrenha sobre a nova modalidade de apostas por aqui, é bom lembrar que a sociedade brasileira já está acostumada a jogos de azar há muito tempo. 
     Em 1784, foi criada a primeira loteria do Brasil em Ouro Preto(MG) para financiar obras públicas. No ano de 1844, o imperador também oficializou uma loteria para fomentar hospitais. Já em 1892, o Barão de Drummond criou o Jogo do Bicho e por último, em 1962, o governo federal monopolizou as loterias que até hoje a Caixa Econômica Federal administra.
      É fácil imaginar que não é de hoje que a população brasileira ganha estímulos para fazer uma fezinha. Gerações e mais gerações do passado cresceram jogando bingo nas festas da escola, nas quermesses da igreja, nas ações entre amigos ou em qualquer outra modalidade em que vale o que está escrito. A única coisa que nunca emplacou no Brasil foram os cassinos.
      Desde aquela época, nunca houve campanhas de alto impacto sobre os riscos da jogatina no seio da sociedade com efeito em prejuízos financeiros e dependência. Até porque, além das apostas em geral, havia como sempre o consumo de bebidas e cigarros, também igualmente danosos à população. 
     O certo mesmo era ter, já naquela ocasião, matérias de esclarecimentos à população, estendido inclusive às escolas para informar os jovens dos perigos de vícios de toda a natureza. O máximo que a gente ouvia era a velha e boa recomendação dos pais e nada mais.
    Agora, pela dimensão e impacto da publicidade das bets, as campanhas de conscientização têm de ter a mesma amplitude e energia para trazer aos jovens, principalmente, a realidade desse cenário nebuloso e doentio das apostas em larga escala.  
     Já que não se pôde proibir essa febre no Brasil, porque o lobby da categoria e a grana envolvida falaram mais alto, a própria Lei n° 14740/23 deve ser renovada para alertar sobre os efeitos da jogatina desenfreada, como já ocorre, por exemplo, nos avisos nos maços de cigarros sobre os males do vício do tabaco.
     O que não pode é essa gama de gente envolvida nos eventos de futebol, jornalistas, ex-jogadores e afins, explanarem em alto e bom som, sem a menor cerimônia, as maravilhas do novo eldorado de projeção social. 
    É preciso frear o ímpeto de toda sorte de influenciadores, que mesmo sabendo dos seus efeitos danosos, instigam o público sistematicamente por força dos algoritmos e, claro, a $atisfação garantida.
     Como bem reza a propaganda, não é sobre a oportunidade. É sobre as consequências que já pairavam em relação ao álcool e ao fumo, às drogas, enfim. É sobre produzir algo saudavelmente a si próprio no lugar de apostar que o caos é certo.
     Com toda essa repercussão, é bem provável que as mídias alterem a estética da mensagem, mas a narrativa será a mesma, pode apostar.
     
    

      

     

      



domingo, 21 de junho de 2026

UM NOVO CENÁRIO DA BOLA

  

    Em cada edição de Copa do Mundo aparece um ou mais estreantes na disputa. Aquela seleção que acaba sendo o saco de pancada dentro do grupo, fazendo apenas figuração na Copa. A seleção daquele país que ninguém imaginava que jogava bola. Aquele lugar que a gente pensava que era apenas paraíso fiscal e destino turístico de forasteiros.
     Só que nesses recantos o povo de lá também aprendeu a jogar futebol. Foi através deles que a gente começou a acreditar que não tem mais bobo no futebol.
    Apesar de ainda não serem aquela Brastemp, já começam a dar trabalho e impor obstáculos a seus adversários, vai vendo. E com isso vai aumentando a galeria de países, cada um com suas possibilidades, que vão dando um jeito de mandar um time a campo. 
     O lado bom de toda essa amplitude que a arte de jogar bola vem tomando é que o futebol vai retomando o caráter de coletividade da modalidade, como sempre se sugeriu desde a sua concepção. Se em toda a história do futebol a presença dos fora de série, dos craques renomados, dos salvadores da pátria, desconstruiu-se um pouco a essência de unidade em campo, pelo lampejo individual da tal figura proeminente do time, hoje, independente do status de alguém na equipe, as movimentações que a gente vê agora no futebol, a performance do time, tem de fato essa proposta do coletivo sobrepondo o individual.
     A ideia é que mesmo a equipe que tem em seu plantel aquele jogador top de linha, este vai simplesmente se adequar a um esquema que prega justamente a participação de todos no esquema tático do time. E não é de hoje que vários times em todos os quadrantes do mundo da bola se destacam nas principais competições sem nenhuma figurinha carimbada em campo, e não é diferente que desde edições passadas de Copa do Mundo surge sempre uma seleção emergente inserida nessa nova realidade do futebol.
     Para a felicidade geral de todos os amantes do futebol vai haver sempre jogadores diferenciados que serão disputados no mercado da bola, mas pelo entendimento que se faz para a evolução do futebol, pela nova visão sinalizada nos principais centros de formação, o aspecto coletivo é que vai prevalecer.
     Os jogadores hoje em dia, principalmente aqueles que atuam sob a batuta de treinadores com visão moderna, têm funções diferenciadas em campo. Há uma nova concepção de como ocupar os espaços em campo, de novas movimentações, de desenhos táticos inovadores, num cenário dentro das quatro linhas que prioriza o coletivo.
     Com isso, equipes sem expressão no círculo do futebol começam a despontar na galeria de grandes disputas, clubes e seleções, por entenderem uma nova tendência no velho esporte bretão. Nas Copas do Mundo mesmo, a tendência é que surjam novos atores nesse espetáculo.
     A conferir.



domingo, 14 de junho de 2026

MAIS UMA COPA ESQUISITA



   Já virou lugar-comum classificar a Copa do momento como a maior, a melhor de todos os tempos. De quatro em quatro anos é sempre assim.
    Só que isso fica apenas na publicidade que se faz de um evento dessa magnitude para atrair a moral da opinião pública, incluindo até os que não gostam de futebol.
     Mas quando eu vi o álbum da Copa com figurinhas de boleiros que nem foram convocados deu pra ver que ia ser a mais esquisita também, como as outras. É o tipo da coisa estranha que sempre dá margem para premonições. Assuntos de bastidores mesmo. Não é pela pantomima que a seleção brasileira vem demonstrando ultimamente, até porque, todo mundo já sabe jogar bola hoje em dia e o Brasil não está mais com essa bola toda.
      O mundo do futebol já é na sua configuração um outro mapa entrelaçado nesse que a gente já conhece, mas com fronteiras diferentes, gente com nacionalidade alternativa. Tem seleção formada, tanto com imigrantes como com nativos, numa movimentação que remexe até nos registros históricos da humanidade, ou a bem da verdade, no conceito de pátria, soberania, essas palavrinhas bem em voga atualmente.
    Eu acho até que o velho espírito do futebol anda ou vaga, sei lá, em polvorosa, com tantas contradições movendo o mundo da bola. 
    Nem vou destacar o revanchismo histórico-futebolístico do colonizado suplantando o colonizador, que já faz tempo que rola essa treta no futebol, mas numa saudável disputa, tudo bem.
    Só que eu vi com uma certa estranheza a delegação da Espanha entrando em triunfo no México depois de tudo que eles fizeram com os Astecas, e não teve nem uma plaquinha de protesto na saída do saguão do aeroporto, os caras sendo revistados, essas coisas. Pois é, a história prossegue e a vida continua sem ressentimentos, só lembranças. 
    Esquisito mesmo é ver o Irã na terra do Tio Sam fazendo figuração na Copa. Nem acredito que o país persa tenha grandes pretensões na disputa, ainda mais agora com a cabeça dos caras lá no Estreito de Ormuz, certamente vai interferir no desempenho da equipe, ou não? Mas é meio estranho, mesmo com a velha atmosfera de união entre os povos como essência maior da Copa do Mundo. E se eles se enfrentarem no mata-mata? Eita! Já pensou, Donald Trump e Mojtaba Khamenei na tribuna de honra?
    Bom...isso é apenas um delírio de quem escreve, mas tudo pode acontecer. Do primeiro ao último jogo vai rolar alguma coisa figurando nos trends, viralizando, criando memes e, claro, polarizando também, porque, se não tiver resenha, não é Copa do Mundo. 
    De qualquer forma, a gente fica aqui acreditando que essa Copa do Mundo em três países ainda pode dar o que falar.
      
    

    

     



sexta-feira, 5 de junho de 2026

A MULHER DOS SEIOS VAZIOS

  
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  Pode alguém eliminar sua própria culpa por intermédio do julgamento alheio? Pode alguém ficar livre de seu fardo depois do crivo da justiça dos homens?
    Independente do peso da lei e da crueldade dos atos impensados que espantam ou não a opinião pública, a consciência de cada um tem uma voz que anjo nenhum é capaz de calar. Uma voz tão gritante que até o demônio se quiser interferir vai se sentir acuado.
    Se esse for o cenário iminente para casos banais, fortuitos, de ferimento leve, ainda assim passíveis de julgamento, imagine a mãe que recebeu a incumbência da proteção e resolveu recolher suas asas. Imagine a figura nascer com a nobreza da concepção e desandar de sua mais nobre missão, abdicar de seus seios fartos e renunciar à divina providência a ela conferida.
     A única pessoa que poderia proteger de fato o pobre menino Henry Borel em seu momento de agonia era sua mãe. Em qualquer circunstância dos acontecimentos era ela a primeira a surgir em socorro ao seu rebento. Pesa-lhe as costas que em plena convivência ela não tenha tido esse discernimento ou tenha ocultado esse caráter em troca de algo que certamente não é mais importante que a vida daquele que tinha na figura de sua mãe a garantia da proteção, da dedicação e do amor a qualquer custo.
    Pelo lado da justiça seria mais conveniente considerar a dignidade da criança indefesa, que teve seu projeto de vida interrompido, se for possível fazer essa interpretação das letras da lei, sei lá, não sou especialista nessa área.
     Mas, mesmo que conste em lei o princípio da misericórdia a quem quer que seja, é estranho aos olhos da sociedade e, principalmente, à luz da humanidade que o veredito dado à mãe desnaturada tenha prevalecido sobre o princípio divino da vida, cuja proteção é justamente o elemento mais reivindicado nos círculos jurídicos. A justiça no seu expediente normal costuma seguir essa linha.
      Para nós, que somos leigos, é espantoso a alegação final da juíza Elizabeth Louro de que o sofrimento pela perda do filho e o açoite da opinião pública tenham sido suficientes para punir Monique Medeiros pelo seu desmando e violência ao próprio filho, assistindo passivamente à sua aniquilação ao abrir mão de seu mais importante papel social.
    Se não vale para a justiça dos homens uma falta tão grave, passível do martelo mais pesado, a consciência há de ser implacável com ela. Dificilmente Monique Medeiros vai dormir o sono dos justos, eu acredito. Mesmo com o referendo do perdão, que alegria vai haver para os dias subsequentes viver com os seios vazios? Haverá sempre essa culpa que nem sombra rondando os passos, um peso a fustigar seu colo, de repente, um castigo sem fim.
     É claro que isso não ameniza a culpa do homicida Jairinho. Mas, apenas a misericórdia divina pode absolvê-la desse fardo.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

A SOBERANIA CONTRA A VASSALAGEM

      

     Nem é preciso fazer alguma pesquisa pra saber a conduta de alguém que faz campanha contra seu próprio país. Dá pra falar isso com muita segurança porque é uma questão que está dentro de um contexto que vigora em qualquer parte do mundo.
      No futebol mesmo a gente vê o cara que muda de nação por força de sua filiação, ele passa a ser cidadão em outra nação por ter direito de escolha. Trabalho, família, estudo, conflito entre nações e mais. Ou seja, há uma movimentação natural de cidadãos pelo mundo, mudando seu domicílio por vários motivos, mas sem desconstruir aquilo que é assentado naturalmente e oficialmente estabelecido.
     Se tem uma coisa que dificilmente vai mudar é o conceito de patriotismo em qualquer campo de atuação. A defesa que um país faz de seus interesses dentro ou fora de seus domínios tem o alinhamento de seus cidadãos em sua grande maioria. Para a outra parcela que não endossa as pretensões de sua própria nação, fica a dúvida se há preocupação com possíveis prejuízos a outrem em caso de um conflito, por exemplo, ou outra questão, ou interesses de seus pares, independente de ser atraente ou não ao seu país.
    Agora, quando o sujeito faz a propaganda abertamente, explícita de uma causa em detrimento de seu próprio país, já passa a ser uma questão a ser tratada na esfera jurídica com muito rigor, para justamente não haver reincidência lá na frente, as pessoas acharem que isso é normal e agir sem cerimônia alguma e ficar por isso mesmo, enfim, a pessoa se comportar a margem da soberania do Brasil e não sofrer as consequências, já que existem mecanismos, leis e instituições suficientes para frear o ímpeto, não só do Flávio Bolsonaro como de qualquer outro cidadão brasileiro que atente contra a soberania, o conjunto de tudo que o Brasil construiu ao longo de nossa história para atingir esse patamar de uma nação soberana.
    É natural que haja divergências nas discussões aqui em nossa casa de temas ligados ao nosso interesse, apenas. Ninguém lá de fora pode interferir em nossos debates. E se houver algum brasileiro que acene em colaboração aos objetivos de outra nação, a sociedade precisa estar atenta a essas ações para justamente evitar prejuízos para nossa causa, para a causa do Brasil como um todo.
    Complementando o começo da fala, dificilmente há registro de alguém fazendo essa propaganda explícita e escancarada em outras praças. É difícil imaginar alguém em outras nações fazendo essa publicidade às avessas e não ser penalizado à altura do que significa desconstruir a essência e a natureza de seu próprio lar. Como seria um americano, um russo, um chinês com essa petulância?
     Pois é, o Brasil também pode dispensar o mesmo tratamento para essa vassalagem.