Já estava demorando o bafafá sobre as bets no Brasil. Mais uma febre, uma dor de cabeça ou qualquer outra coisa com a qual se possa classificar mais um tormento na vida das pessoas.
Se existe hoje uma campanha ferrenha sobre a nova modalidade de apostas por aqui, é bom lembrar que a sociedade brasileira já está acostumada a jogos de azar há muito tempo.
Em 1784, foi criada a primeira loteria do Brasil em Ouro Preto(MG) para financiar obras públicas. No ano de 1844, o imperador também oficializou uma loteria para fomentar hospitais. Já em 1892, o Barão de Drummond criou o Jogo do Bicho e por último, em 1962, o governo federal monopolizou as loterias que até hoje a Caixa Econômica Federal administra.
É fácil imaginar que não é de hoje que a população brasileira ganha estímulos para fazer uma fezinha. Gerações e mais gerações do passado cresceram jogando bingo nas festas da escola, nas quermesses da igreja, nas ações entre amigos ou em qualquer outra modalidade em que vale o que está escrito. A única coisa que nunca emplacou no Brasil foram os cassinos.
Desde aquela época, nunca houve campanhas de alto impacto sobre os riscos da jogatina no seio da sociedade com efeito em prejuízos financeiros e dependência. Até porque, além das apostas em geral, havia como sempre o consumo de bebidas e cigarros, também igualmente danosos à população.
O certo mesmo era ter, já naquela ocasião, matérias de esclarecimentos à população, estendido inclusive às escolas para informar os jovens dos perigos de vícios de toda a natureza. O máximo que a gente ouvia era a velha e boa recomendação dos pais e nada mais.
Agora, pela dimensão e impacto da publicidade das bets, as campanhas de conscientização têm de ter a mesma amplitude e energia para trazer aos jovens, principalmente, a realidade desse cenário nebuloso e doentio das apostas em larga escala.
Já que não se pôde proibir essa febre no Brasil, porque o lobby da categoria e a grana envolvida falaram mais alto, a própria Lei n° 14740/23 deve ser renovada para alertar sobre os efeitos da jogatina desenfreada, como já ocorre, por exemplo, nos avisos nos maços de cigarros sobre os males do vício do tabaco.
O que não pode é essa gama de gente envolvida nos eventos de futebol, jornalistas, ex-jogadores e afins, explanarem em alto e bom som, sem a menor cerimônia, as maravilhas do novo eldorado de projeção social.
É preciso frear o ímpeto de toda sorte de influenciadores, que mesmo sabendo dos seus efeitos danosos, instigam o público sistematicamente por força dos algoritmos e, claro, a $atisfação garantida.
Como bem reza a propaganda, não é sobre a oportunidade. É sobre as consequências que já pairavam em relação ao álcool e ao fumo, às drogas, enfim. É sobre produzir algo saudavelmente a si próprio no lugar de apostar que o caos é certo.
Com toda essa repercussão, é bem provável que as mídias alterem a estética da mensagem, mas a narrativa será a mesma, pode apostar.

Realmente essa criação das BETs foi idêntica aos cassinos no Brasil no século passado, quando muitos pães de família jogavam seus salários do mês, pensando em ganhar alguma coisa e ficavam sem grana para prover sua família.
ResponderExcluirTexto muito elucidativo sobre o assunto.
ABS.
Valeriano