Pode alguém eliminar sua própria culpa por intermédio do julgamento alheio? Pode alguém ficar livre de seu fardo depois do crivo da justiça dos homens?
Independente do peso da lei e da crueldade dos atos impensados que espantam ou não a opinião pública, a consciência de cada um tem uma voz que anjo nenhum é capaz de calar. Uma voz tão gritante que até o demônio se quiser interferir vai se sentir acuado.
Se esse for o cenário iminente para casos banais, fortuitos, de ferimento leve, ainda assim passíveis de julgamento, imagine a mãe que recebeu a incumbência da proteção e resolveu recolher suas asas. Imagine a figura nascer com a nobreza da concepção e desandar de sua mais nobre missão, abdicar de seus seios fartos e renunciar à divina providência a ela conferida.
A única pessoa que poderia proteger de fato o pobre menino Henry Borel em seu momento de agonia era sua mãe. Em qualquer circunstância dos acontecimentos era ela a primeira a surgir em socorro ao seu rebento. Pesa-lhe as costas que em plena convivência ela não tenha tido esse discernimento ou tenha ocultado esse caráter em troca de algo que certamente não é mais importante que a vida daquele que tinha na figura de sua mãe a garantia da proteção, da dedicação e do amor a qualquer custo.
Pelo lado da justiça seria mais conveniente considerar a dignidade da criança indefesa, que teve seu projeto de vida interrompido, se for possível fazer essa interpretação das letras da lei, sei lá, não sou especialista nessa área.
Mas, mesmo que conste em lei o princípio da misericórdia a quem quer que seja, é estranho aos olhos da sociedade e, principalmente, à luz da humanidade que o veredito dado à mãe desnaturada tenha prevalecido sobre o princípio divino da vida, cuja proteção é justamente o elemento mais reivindicado nos círculos jurídicos. A justiça no seu expediente normal costuma seguir essa linha.
Para nós, que somos leigos, é espantoso a alegação final da juíza Elizabeth Louro de que o sofrimento pela perda do filho e o açoite da opinião pública tenham sido suficientes para punir Monique Medeiros pelo seu desmando e violência ao próprio filho, assistindo passivamente à sua aniquilação ao abrir mão de seu mais importante papel social.
Se não vale para a justiça dos homens uma falta tão grave, passível do martelo mais pesado, a consciência há de ser implacável com ela. Dificilmente Monique Medeiros vai dormir o sono dos justos, eu acredito. Mesmo com o referendo do perdão, que alegria vai haver para os dias subsequentes viver com os seios vazios? Haverá sempre essa culpa que nem sombra rondando os passos, um peso a fustigar seu colo, de repente, um castigo sem fim.
É claro que isso não ameniza a culpa do homicida Jairinho. Mas, apenas a misericórdia divina pode absolvê-la desse fardo.

Boa noite,amigo! Difícil acreditar que ela não previu essa tragédia, com um anjinho tão indefeso 😓 Revoltante!!!😓😔
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