sábado, 23 de maio de 2026

A BOLA DA VEZ

 

    Essa Copa do Mundo já tem tudo pra ser a mais esquisita de todos os tempos, ao contrário da mídia que sempre classifica a disputa do momento como a melhor e tal, enfim, é assim desde quando nem havia televisão pra ver a cor da bola.
    Como o mundo todo vai assistir às peladas, melhor para quem vai ver os jogos de dia, o prefeito local dando feriado no dia do jogo, o patrão bem chateado porque desmancha um pouco durante a Copa a escala 6x1, enfim, um Deus nos acuda que no final das contas o cara até desconta no home office depois.
   Aqui no Brasil vai ser bem sinistro com a diferença de fuso horário os jogos do Brasil rolando de noite, atrapalhando a programação da novela, a hora da comida, fora a comemoração nas ruas que dificilmente vai ter naquela empolgação toda que a galera já está acostumada a fazer de dia. Por enquanto, a animação fica por conta do álbum da Copa, só isso.
    O povo brasileiro é tão vibrante com festa que neguim vai dar um jeito de comemorar nas altas horas, porque tem jogo da seleção às dez da noite, vai vendo Se ganhar, não tem como desligar a televisão depois da resenha e ir pra cama. Nos bares vai rolar um estica, aquela concentração regada a várias saideiras nas praças, onde há sempre um cara com aquele isopor gigante cheio de long neck, bagulho muito doido.
    Nos condomínios...bom, nos condomínios é onde costuma dar merda de fato e de sempre, principalmente com relação aos níveis de decibéis que é inevitável. Imagina o cara soprando a vuvuzella debaixo da janela, justamente do sujeito que não gosta de futebol e este, pê da vida, liga pro síndico, olha a encrenca. Não pode faltar a velha zoação clubista, que quando ultrapassa os níveis etílicos aceitáveis ganha contornos de guerra. Tem sempre uma treta que vem à tona. É o Estreito de Ormuz no playground do prédio.
    Mas são suposições, porque nem as ruas estão enfeitando este ano. Além do horário esquisito, uma parcela da torcida tá bem descrente da seleção brasileira nesses últimos tempos, de repente é isso. As gerações mais novas não sabem a saudade que a gente sente daqueles caras com chuteiras pretas e zero tatuagem. Aí, sim, dava gosto investir nos apetrechos.
    Hoje, com o futebol bem globalizado, os craques das outras seleções têm muita moral também por aqui e uma galera fica na expectativa de ver as outras seleções com boleiros de outro patamar. E isso dá à Copa do Mundo um glamour a mais. Para os brasileiros é até uma compensação, caso os brazucas deem mole mais uma vez. Em nome da alegria de viver tá valendo também ver os rivais batendo um bolão.
    A Copa do Mundo é o momento do futebol que não tem essa polarização exacerbada, por isso que mais uma vez será bom de se ver, mesmo que a seleção brasileira fique pelo caminho.


terça-feira, 19 de maio de 2026

O FATOR NEYMAR

  

    Quem nunca foi técnico de futebol que atire a primeira pedra, pois não é de hoje que geral dá palpite na escalação da seleção brasileira, e o assunto Neymar não poderia ficar de fora de mais um bafafá no seio da sociedade.
     Se em tempos passados havia uma grita quase unânime em torno de determinado boleiro, parece que agora o Neymar divide bem ao meio a opinião pública.
      É até normal nesses tempos de polarização que haja esse racha para convocar ou não o cara. Seria o caso até de fazer uma pesquisa, mas eu acho que o público em geral acaba colocando também no pacote a performance do jogador fora das quatro linhas.
     De tudo que eu tenho visto do Neymar nesses últimos tempos, suas declarações públicas, sua vida em família, amigos e fofoca em geral, nada disso serviu de peso para que eu avaliasse o seu mérito para estar na seleção brasileira. Até porque esse fatores em nenhum momento interferiram na trajetória de Neymar quando este estava no auge da carreira, jogando na Europa e tal.
    Se falta ao Neymar um título de campeão mundial pela seleção, não foi por causa de seu estilo de vida essa lacuna em seu currículo.
    Agora, o Neymar tem mais uma chance de ser protagonista na seleção por fatores dentro do contexto do futebol apenas. Eu até acho que só está rolando toda essa resenha porque Neymar está jogando numa equipe que não atravessa uma boa fase, o Santos. Se ele estivesse numa grande equipe lá fora, seu passaporte já estaria carimbado pra Copa antes de qualquer um.
       Atualmente o futebol brasileiro passa por uma fase de renovação com vários jovens se destacando em seus clubes, alguns já até convocados por Ancelotti para a Copa do Mundo. Só que nenhum deles, assim como outros que já estão há mais tempo na seleção, atingiu um patamar que permitisse à opinião pública e demais entendedores de futebol a exclusão de Neymar do plantel da seleção brasileira.
     É por isso que eu vou, sim, puxar brasa pra sardinha do Neymar.
      Eu sempre falo daquele boleiro que quando pega a bola, não sabe o que fazer com a redonda, porque não tem recursos, a bola bate na canela e sai pela lateral. Há aquele que tem aquela jogada conhecida de todos, manjada, que na maioria das vezes até funciona, dá certo.
      Agora, o Neymar...bom, o Neymar quando tem a bola ninguém sabe qual será a jogada, porque o cara tem um repertório vasto, o suficiente para iludir o adversário, operar uma grande jogada, concluir para o gol ou dar assistência, enfim, essas coisas do futebol que o Neymar tira de letra. Ou seja, enquanto os outros são burocratas demais, Neymar ainda se destaca pela habilidade técnica e talento em doses muito maiores que qualquer boleiro brazuca. E jogando pela seleção, junto de jogadores mais qualificados, seu talento pode ficar ainda mais evidente.
     Assim como já ocorreu na defesa de outros jogadores, não levo em consideração nem dou importância ao que Neymar faz fora das quatro linhas. Eu ouço as pessoas detonando Neymar por sua posição política, sua vida pessoal, seus devaneios, seu isso, seu aquilo, como se o perfil do Neymar fosse uma novidade no meio futebolístico.
     Se o Neymar vai trazer o tão sonhado hexa, é difícil prever. Não se sabe nem se ele será titular, mas o que Neymar ainda é capaz de oferecer à seleção brasileira pode perfeitamente facilitar um provável triunfo do Brasil na Copa do Mundo.
     De qualquer forma, convocar o Neymar para a Copa foi um golaço do Ancelotti. Agora, a gente espera que o Neymar também faça os dele no Mundial.
     Avante, Brasil. Avante, Neymar.