Essa Copa do Mundo já tem tudo pra ser a mais esquisita de todos os tempos, ao contrário da mídia que sempre classifica a disputa do momento como a melhor e tal, enfim, é assim desde quando nem havia televisão pra ver a cor da bola.
Como o mundo todo vai assistir às peladas, melhor para quem vai ver os jogos de dia, o prefeito local dando feriado no dia do jogo, o patrão bem chateado porque desmancha um pouco durante a Copa a escala 6x1, enfim, um Deus nos acuda que no final das contas o cara até desconta no home office depois.
Aqui no Brasil vai ser bem sinistro com a diferença de fuso horário os jogos do Brasil rolando de noite, atrapalhando a programação da novela, a hora da comida, fora a comemoração nas ruas que dificilmente vai ter naquela empolgação toda que a galera já está acostumada a fazer de dia. Por enquanto, a animação fica por conta do álbum da Copa, só isso.
O povo brasileiro é tão vibrante com festa que neguim vai dar um jeito de comemorar nas altas horas, porque tem jogo da seleção às dez da noite, vai vendo Se ganhar, não tem como desligar a televisão depois da resenha e ir pra cama. Nos bares vai rolar um estica, aquela concentração regada a várias saideiras nas praças, onde há sempre um cara com aquele isopor gigante cheio de long neck, bagulho muito doido.
Nos condomínios...bom, nos condomínios é onde costuma dar merda de fato e de sempre, principalmente com relação aos níveis de decibéis que é inevitável. Imagina o cara soprando a vuvuzella debaixo da janela, justamente do sujeito que não gosta de futebol e este, pê da vida, liga pro síndico, olha a encrenca. Não pode faltar a velha zoação clubista, que quando ultrapassa os níveis etílicos aceitáveis ganha contornos de guerra. Tem sempre uma treta que vem à tona. É o Estreito de Ormuz no playground do prédio.
Mas são suposições, porque nem as ruas estão enfeitando este ano. Além do horário esquisito, uma parcela da torcida tá bem descrente da seleção brasileira nesses últimos tempos, de repente é isso. As gerações mais novas não sabem a saudade que a gente sente daqueles caras com chuteiras pretas e zero tatuagem. Aí, sim, dava gosto investir nos apetrechos.
Hoje, com o futebol bem globalizado, os craques das outras seleções têm muita moral também por aqui e uma galera fica na expectativa de ver as outras seleções com boleiros de outro patamar. E isso dá à Copa do Mundo um glamour a mais. Para os brasileiros é até uma compensação, caso os brazucas deem mole mais uma vez. Em nome da alegria de viver tá valendo também ver os rivais batendo um bolão.
A Copa do Mundo é o momento do futebol que não tem essa polarização exacerbada, por isso que mais uma vez será bom de se ver, mesmo que a seleção brasileira fique pelo caminho.










