Dificilmente o Donald Trump come peixe por conta dos festejos da Semana Santa. A religião predominante dos americanos não segue esses dogmas, mas o Trump certamente já degustou a iguaria nas comilanças em família, nas reuniões da governança ou dos negócios.
Num desses momentos, entre uma garfada e outra, ele pensa e estuda estratégias para sair pela porta de frente nessa treta que ele arrumou com o Irã. Nesse cardápio diversificado que é a globalização em tempos de guerra ou de paz, o que o cara escolheu agora para se fartar é bem mais difícil de engolir que as delícias experimentadas na Venezuela, desde o prato de entrada à sobremesa, tudo maravilhosamente perfeito e tal.
Agora, parece que a parada é mais intragável. Em meio ao alto índice de desaprovação dos americanos ao conflito no Oriente Médio, à resistência do Irã, aos prejuízos em áreas estratégicas da região e tudo mais que possa influenciar o seu futuro político, a digestão desse prato pode ser mais demorada.
Eu penso num peixe caprichosamente preparado para o presidente, e Vossa Excelência tendo que separar as espinhas sutilmente ali no canto do prato. Só faltava essa agora. Como sair dessa enrascada? O Aiatolá resistindo bravamente com os recursos tecnológicos e sabedoria de que dispõe e agora uma situação mais espinhosa aqui na frente para resolver. Não tinha um peixe melhor pra servir, não, amigo?
Pois bem, a gente costuma vê através da mídia global o Trump numa posição bem confortável, porque é da cultura do ocidente mostrar-se bem na fita, mas não é isso que acontece. A comunicação global hoje é bem acessível, o suficiente para vislumbrar as agruras do presidente americano em mais um evento de intromissão na vida alheia.
O mundo não está mais partido ao meio como antes. Há várias frentes reivindicando seu quinhão à frente da globalização. O dólar não é mais a única moeda de troca do planeta. Há outras alternativas de negócios entre as partes. Mais povos com tecnologias de ponta, mais armas, mais parceiros, mais seguidores, enfim.
Se em eventos anteriores os Estados Unidos sempre levavam a melhor na comilança global. Saía de pança cheia e arrotando a satisfação da vitória. Agora, há outras opções no cardápio, e é preciso saber degustar o que se põe à mesa, inclusive, o talher adequado a cada iguaria, senhor presidente.
Então, se for possível sugerir ao Trump, que ele fique esperto e se ligue no menu, que o Irã é um peixe cheio de espinhas.

Tá difícil!
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