sábado, 31 de dezembro de 2022

FELIZ ANO NOVO PRA VOCÊ!

   

    Aconteceram várias coisas em 2022 que deram uma balançada geral na vida das pessoas. Mas no final das contas a gente está aqui prosseguindo com a perseverança e dedicação de sempre, lamentando, claro, aqueles que ficaram pelo caminho por força do destino que é reservado a cada um.
    Nós que ficamos por aqui para continuar a caminhada ficaremos empenhados em comemorar e agradecer essa oportunidade de chegar até aqui. Não deixa de ser um privilégio poder usufruir de tudo que a vida nos proporciona e poder resistir a todas as coisas e situações que abalaram nossa estrutura, incluindo nossas emoções, coragem, competência e fé.
    Estarei sempre concentrado para absorver as melhores energias, que vão permitir que meus projetos de vida se concretizem, e mentalizando positivamente para que ventos renovadores soprem em todos os quadrantes do mundo e descortinem um novo horizonte para a vida do planeta como um todo.
    Acredito firmemente que as pessoas estarão também envolvidas em grandiosos projetos com o objetivo de alavancar suas vidas nos planos pessoal, financeiro, profissional, sentimental, espiritual, enfim, dentro daquilo que é prioritário e necessário para cada um. Que bom essa liberdade que a gente desfruta para escolher o que é melhor.
     Aproveito a oportunidade para agradecer a você que ocupou um tempo precioso em sua agenda para ler todas essas coisas e assuntos que eu tenho abordado aqui nesse espaço. Eu imagino alguma coisa que você deixou para fazer depois porque foi ler meu texto. Muitas vezes te decepcionei com algum assunto que não te agradou, um tema que não te interessa, uma mensagem que não lhe causou empatia alguma.
     A cada notificação que você recebia, a expectativa do que viria dessa vez, caraca, de novo, toda hora! O cara escreve uma coisa, agora é outro assunto, pelo amor de Deus!
     Já tive de voltar muitas vezes ao texto para endireitar erros que a gente vê depois, uma passagem qualquer que não caiu bem, uma sintaxe diferenciada, esquisita, uma construção infeliz, uma gramática fora do padrão, enfim, uma preocupação do mesmo tamanho da sua perplexidade com algo que pareceu bizarro já no primeiro parágrafo. Foi mal.
    Está sendo um aprendizado pra mim lidar com toda essa expectativa de ser razoavelmente agradável, independente de você discordar ou curtir. Eu aceito da mesma forma, obrigado.
    Vou continuar gastando minha energia, meu tempo e minha petulância para escrever, simplesmente, porque eu amo muito tudo isso e está dando pra conciliar com a minha agenda, sem trazer prejuízos pra ninguém, sem comprometer a atenção que eu sempre dispenso ao meu pessoal e às minhas tarefas.
    Agradeço a você que me encheu de esperança para produzir mais. Obrigado pela moral!
    Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

A FITA DO PELÉ

   

   Eu já vi muitas vezes em bancas de jornais aquelas fitas em VHS com vídeos de vários jogadores do passado, que certamente serviram de inspiração para muitos meninos que acalentavam o velho sonho de jogar futebol.
   Não precisa nem fazer muito esforço de consciência, pois a própria lógica já revela qual era a fita mais solicitada.
    Agora rola nas redes sociais um vídeo que mostra vários craques do presente executando jogadas de gols e dribles, em edição com a sobreposição da mesma jogada executada por Pelé.
    O material revela momentos de jogadores já consagrados no futebol, numa mostra de que muita gente conseguiu aprimorar a arte de jogar bola, a ponto de se consagrar cada um no seu tempo e oportunidades, jogar nos principais clubes do Brasil e da Europa, ganhar dinheiro, fama e ficar rico, sem, no entanto, atingir as maiores marcas do Pelé.
    Pode ser que lá na frente alguém consiga suplantar os feitos de Pelé. As novas filosofias e tecnologias que o futebol utiliza atualmente pode permitir de uma hora para outra o surgimento de personagens com um currículo cada vez mais próximo do que Pelé construiu em sua majestosa trajetória.
    Só que com o futebol ganhando cada vez mais protagonistas, o triunfo de Pelé vai se tornando também um desafio maior a ser superado.
    De qualquer forma, ninguém tira de Pelé o pioneirismo de transformar o futebol em arte. Isso mesmo. Num tempo em que o velho esporte bretão ainda era feio de se ver, os caras maltratando a bola em gramados mundo afora, Pelé incorporou beleza no trato com a bola.
    O rótulo de astro do futebol que tantos boleiros mereceram ostentar foi Pelé quem inaugurou, pela forma como envergava as camisas que vestia, pela manha com que iludia seu oponente, pela inteligência com que concluía a jogada, pelo talento com que operava o gol, pela maestria com que transformava uma partida de futebol num espetáculo maior.
    A partir de agora, qualquer forma de preservar a memória de Pelé e eternizar seus feitos é tão somente uma forma de agradecimento por tudo que Pelé realizou, porque o futebol certamente seria outra coisa, outro esporte, não fosse Pelé fazer do futebol a arte de jogar bola.
     De todos esses craques que dão brilho ao futebol e contribuíram para toda essa projeção que o futebol ganhou no mundo, pode acreditar, muitos deles certamente compraram a fita do Pelé, entende.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

UM NOVO TEMPO

 

   Não é de hoje que eu vejo as pessoas muito metódicas nesse período de Natal, fim de ano, enfim. Todo ano há uma métrica certa pra ajeitar tudo, mesmo pra quem deixa tudo para última hora.
   A arrumação da casa, aquela correria toda no supermercado, no shopping, fora os projetos de desapego total prometidos para próximo ano, já no primeiro dia útil. Nada de fumar, beber, só agenda fitness, vida nova. Tem gente que só limpa as gavetas e troca a cortina nessa época. É uma agenda tão certa quanto à Missa do Galo.
     Mas, quando alguma coisa sai errado cada um escolhe seu culpado preferido, aquele em quem certamente vão atribuir a culpa pelo contraste à estética das coisas que sempre funciona direitinho, mas que esse ano deu ruim. Quer dizer, ainda é estranho para muita gente quando algo foge do padrão.
   Pra mim, a culpa disso tudo é do Galileu Galilei. Antigamente, era tudo aleatório, aí vem o cara com mania de perfeição e começa a medir as coisas, fazer com que tudo fosse certinho, todas as ordens de grandeza, inclusive o tempo, fazendo com que as pessoas escolhessem um momento ideal pra fazer algo, quando na verdade o fortuito e o inesperado também podem trazer soluções e mais felicidade. Rabanada, por exemplo, é coisa pra se fazer quando se tem vontade, em qualquer época do ano. A mesma coisa bacalhau, panetone, fazer regime e malhar.
    Definitivamente, essa simetria do mundo, de tudo certinho sempre, atrapalha a evolução das coisas e das pessoas. Já notaram que muitas coisas só dão certo dentro da margem de erro, pra mais ou pra menos? O acaso está aí para reforçar isso. As preliminares podem ser melhores que o coito em si, por que não? Quantas peladas são decididas já nos acréscimos?
    Pois é, e nesse cenário muitas coisas boas estão no lugar e num tempo diferente do costume. Eu sempre digo que chutar o pau da barraca faz bem pra humanidade, desde que não traga más consequências para o mundo, apenas o torne mais agradável ou dentro dos padrões de cada um. Às vezes dar sete pulinhos só não adianta, porque o fardo do cara é tão grande que precisa de mais ondinhas, vai vendo.
     Portanto, abaixo o modelo padrão do mundo! É preciso rever todos os manuais de instruções através de emendas também, e elaborar novas formas de vida. Repaginar também as velhas teorias. Até Freud voltaria para reformular o princípio do prazer, só que agora com a rabanada como objeto de estudo, olha que delícia.

sábado, 24 de dezembro de 2022

FELIZ NATAL



   Praticamente em todo o mundo é celebrado o Natal nessa época do ano, até mesmo em lugares onde há a prevalência de outras denominações, outro calendário, enfim, onde há uma cultura bem diversa do que parece ser o Natal para determinado povo, segundo as tradições de cada um.
     É preciso destacar, porém, que dentro da esfera espiritual que cerca uma crença religiosa, há toda uma questão humana, no momento em que as falas, as pregações que procuram difundir um valor, um ensinamento, acabam por impregnar nas mentes o que pode ser o mais adequado para as relações humanas.
     E nesse expediente Jesus Cristo seguiu firme em seu propósito, tanto que Ele é considerado até mesmo nas práticas anteriores, milenares, que veem Jesus Cristo como uma grande referência de como deve ser o olhar para as pessoas. Inclusive, há literatura religiosa de matrizes diferentes que fazem essa consideração da importância de seu legado para o mundo.
     Eu sou muito leigo para falar sobre religião. Sei apenas da importância da fé na vida das pessoas como forma de cada um seguir adiante com seus anseios, suas aspirações, seus projetos de vida. Foi assim que me livrei de alguns vícios. É assim que eu procuro me moldar, sem pretensão alguma de ser perfeito, essas coisas.
    Mas sei também que de dentro para fora eu preciso estar preparado para oferecer o que eu sei que tenho de melhor, porque foi isso que Jesus Cristo empreendeu ao longo daquelas andanças com seu cajado. A cada obstáculo à sua frente, o terror, a ira, ou qualquer tentativa de impedimento de seu propósito, ele ia se fortalecendo.
     Se a gente hoje luta contra tudo que afeta nossa dignidade e vai resistindo bravamente, é porque se entendeu o grande projeto de Jesus Cristo de cada um com sua cruz, seu fardo, diminuindo ou aumentando seu peso ao longo do caminho de acordo com as ações de cada um no trato com as pessoas nesse mundo velho sem fronteira.
   A gente usa esse período do ano para reflexão, mas esse cuidado, esse zelo, essa concentração, esse respeito, esse amor são práticas cotidianas que não dependem de calendário nem de festa. Se na consciência humana é fundamental esse estilo de vida, então a gente incorpora de vez em nossa agenda social tudo que nos faça evoluir como pessoa humana, tanto os sonhos que cada um procura realizar quanto a capacidade de conviver com as diferenças entre as pessoas em todos os aspectos de vida em comum.
    É importante não desistir, não esmorecer nunca, porque nossas ações também servem de referência no seio familiar, no ambiente de trabalho, social. Tem sempre alguma coisa em nós que é importante para muita gente. É isso que fica, o tal legado que a gente deixa, que as pessoas seguem e compartilham.
     Que possamos sempre dar essa contribuição para o mundo, para as pessoas que nos rodeiam. Que a Luz do Senhor possa iluminar nossos caminhos e clarear nossas mentes. Que a nossa rabanada seja cada vez mais suculenta e o nosso amor cada vez maior.
    Feliz Natal!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

PRORROGANDO A RABANADA



   Não tem jeito, todo ano é assim. No começo até a metade do período tudo flui dentro dos conformes. Na outra metade parece que toda aquela arrumação vai ficando fora de ordem.
    Na folhinha do calendário é fácil reparar que nos primeiros meses do ano as anotações estão bem grafadas, as letras bem certinhas. Tem até aquelas setinhas apontando um assunto importante para o tal dia especial.
    Do meio do ano em diante os lembretes já começam a surgir em forma de garrancho, rabiscado de qualquer jeito e até tapando uma daquelas fases da lua. O aniversário de muita gente que você lembrava todo ano foi esquecido; não tem mais a marcação do dia em que comprou o gás; o dia das bodas passou em branco. Cadê aquele coração ao lado de um número referente a alguém? As flores que sugerem afeto. A lâmpada de uma grande ideia.
     Na verdade, não tem tristeza alguma nisso que parece um vazio. Pense no quanto de tempo as pessoas levaram cuidando e investindo nos outros, sem que o seu próprio dia do mês lá no papel não tenha uma menção qualquer a respeito de si mesmo.
    A representação da ordem e disciplina das coisas e fatos da vida que o calendário revela a todo instante vai esvaziando, sim, à medida em que seus anseios e aspirações vão se tornando prioritários, e agora você já reserva mais tempo e espaço para si. Isso, sim, já pode ficar marcado na folhinha como um dia grandioso, uma conquista, marca lá.
    Uma coisa é ter a capacidade de acumular funções, de conciliar as tarefas, os projetos. Assobiar e chupar cana como as pessoas se gabavam de realizar com facilidade. Tem ações em todo esse pacote que são metas dos outros que lhe impõem. São favores que te suplicam por graça ou exploração. E objetivos sem garantia de sucesso, sem planejamento.
     Outra coisa é a velha lista de prioridades, onde o que fica para depois não quer dizer que é menos importante, apenas mais complexo, o que vai te exigir mais espírito, mais concentração, mais conhecimento, mais equilíbrio, enfim. Daí a necessidade de você ser o primeiro da fila, só isso.
  Antes que pensem que sou narcisista, individualista, egoísta, em detrimento do que posso oferecer de melhor, devo dizer que precisamos estar preparados em todos os aspectos até para massagear o ego de alguém, senão o serviço não fica perfeito. Imagina, o ano passou e eu acabei adiando meu ensaio de aprender a fazer rabanada, justamente pensando nos felizardos que vão degustá-la depois.
     Talvez seja meu projeto para o ano que vem. Só não sei se será o primeiro da fila.

domingo, 18 de dezembro de 2022

O HOMEM DE UMA CAMISA SÓ



  Quando começa uma Copa do Mundo aparecem também várias seleções, vários jogadores cotados para serem campeões, aqueles em quem as pessoas comuns, a crítica especializada e demais palpiteiros apostam suas fichas num desfecho de vitória.
    Mas, na verdade, só uma figura no meio de toda uma constelação de boleiros vindos de todos os cantos do planeta como tamanho desafio estaria predestinado a terminar com o maior triunfo.
    Ao mesmo tempo em que o mundo se rende à consagração da Argentina na Copa do Qatar, o protagonismo de Lionel Messi em toda a campanha é uma vitória à parte do maior atleta desses últimos tempos, por tudo que o astro maior da Argentina conquistou antes de chegar agora ao ápice da carreira.
    Lembrando que Lionel Messi se consagrou jogando fora de sua pátria, na Espanha, onde cresceu, fez fama, carreira e família, mas nunca se desgarrou de sua pátria de berço, a Argentina, que hoje chega ao topo do mundo. Eu mesmo cheguei a imaginar o Messi virando um cidadão espanhol, por sua ligação forte com o Barcelona, jogando por quem o recebeu desde criança, como acontece com vários atletas que se aventuram em outros países e acabaram trocando a camisa, o amor e a torcida a seu favor.
    É muito comum numa Copa do Mundo algumas seleções cheias de atletas vindo de outras praças, com nova trajetória, um novo desafio, uma nova vida, enfim, um novo caminho a percorrer no mundo da bola.
    Mas Lionel Messi é um astro diferenciado até nisso e soube com muita sabedoria, amor e talento driblar o que parecia ser uma realidade em sua vida também, como já foi para outros boleiros. E Lionel Messi é assim, o homem de duas pátrias, mas com um só camisa. Todo o tempo em que o argentino construiu sua vida fora de casa não foi suficiente para que Lionel Messi vestisse outra camisa, senão a da Argentina, sua pátria de fato, de raiz, de amor e agora de glória também.
    Agora que Lionel Messi entra na última curva de sua grandiosa trajetória, não poderia faltar em sua bagagem esse troféu maravilhoso de campeão do mundo pela seleção argentina. Seria uma injustiça muito grande não ficar marcado na história de Lionel Messi essa consagração maior.
   Se a Argentina hoje está em júbilo pela vitoriosa campanha no Qatar, Lionel Messi entra definitivamente na galeria dos grandes astros do futebol, porque o mundo todo agora o consagra, o cidadão de duas pátrias, mas com um só sentimento, de amor pela Argentina, campeã mundial.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

O JOGO É JOGADO


   A Copa do Mundo do Qatar chegando ao fim, a final da disputa já confirmada entre Argentina e França e a expectativa de mais um jogo eletrizante pra terminar o torneio em alto nível. Serão 64 jogos completados que ao todo oscilaram entre muitos jogaços e outras tantas peladas brabas também.
    Mas foi bacana. Eu acho até que foi a Copa mais esquisita que já rolou. Primeiro porque foi no fim do ano, diferente das outras edições. E num país sem tradição no futebol, mas que foi escolhida dentro da esfera política da Fifa.
     Isso mesmo, o órgão máximo do futebol tem politicagem também, tá pensando o quê? A Fifa tem um mapa diferente desse que todo mundo conhece. A entidade, inclusive, tem mais países congregados que a ONU. A geopolítica do futebol é outra coisa. Algumas seleções jogam com atletas de outras nacionalidades com técnicos que às vezes também falam outro idioma, mas no final todo mundo se entende, porque o futebol é assim mesmo, mágico e universal.
    E agora, se o Qatar tem uma posição e uma importância diferentes na globalização, no ambiente político tradicional, no cenário do futebol está num patamar bem considerável, em que dirigentes locais, assim como em praticamente toda a comunidade árabe, já investem pesadamente em futebol.
    Essa gente não se limita apenas em criar infraestrutura moderna e atraente para a prática do futebol dentro de seus domínios. Os caras adquirem, compram clubes europeus, formando grandes equipes pra fazerem frente nas disputas do continente e em nível nacional.
    Aliás, vamos combinar que é do Qatar o empresário dono do Paris Saint-Germain, clube francês por onde atuam os dois astros que vão se enfrentar na final, o Mbappé pela França, e o Lionel Messi pela Argentina.
     É uma coincidência que se não causar muita perplexidade no universo dos boleiros, vai certamente garantir um espetáculo maravilhoso de um futebol de alto nível, pois, deixando um pouco a politicagem de escanteio, os dois finalistas dessa Copa do Mundo no Qatar foram realmente os melhores, aqueles que menos maltrataram a bola, e tanto o craque francês quanto o argentino, como se dizia antigamente, são os caras que chamam a bola de você, seja em qual for o território onde rola o jogo.
    Todo mundo que se ocupa do futebol hoje, quem joga, quem administra, quem comenta, quem dá palpite fala da evolução do futebol de uma forma espetaculosa, midiática, quando na verdade os próprios fundamentos do futebol, que são a base da modalidade, é que precisam ser constantemente aprimorados.
    Tem jogador que parece treinar passe, chute a gol e dribles em vídeo games depois que acaba o treino em campo. Com o joystick na mão o cara bate escanteio e corre pra cabecear. Só que o futebol ainda não é virtual, o jogo é jogado mesmo. E é isso que a gente espera ver em mais uma final de Copa do Mundo.
    Eu aposto que sim, quer valer?


domingo, 11 de dezembro de 2022

FIGURINHA REPETIDA

    

   Pelas resenhas que foram apresentadas tão logo esgotaram as chances de a seleção brasileira prosseguir na disputa pela Copa do Mundo, a velha narrativa de como se comportou a equipe no Catar já dá o tom do tempo que ainda vai durar a filosofia do velho esporte bretão no Brasil.
     Os caras ficam discutindo por que o Neymar não iniciou a cobrança de pênalti; por que o Tite escalou neguim machucado, meia bomba; de quem é a culpa e por aí vai, e blá blá blá... Eu mesmo pergunto por que o Tite também foi escalado para essa Copa novamente.
     Bom, se ao longo das últimas três ou quatro edições de Copa do Mundo a seleção brasileira jogou com algumas figurinhas repetidas, inclusive o próprio Tite, é porque não houve desejo algum de fazer as mudanças que colocasse a seleção brasileira no mesmo patamar de seus concorrentes.
      Como deu para observar, equipes sem tradição no futebol, apenas figurando nas competições lá atrás, agora começam a bater de frente, pois já investem com tecnologia, formação e conhecimento, incorporando o que há de melhor.
   E a nossa seleção? A seleção brasileira há muito tempo está aquém do que já representou um dia. Nem essa molecada que vai surgindo e se destacando aqui no Brasil é suficiente para mudar esse cenário de vexame.
    Agora, olha só. Quando eles vão jogar no exterior em grandes clubes eles evoluem na carreira, arrebentam, porque lá os treinadores sabem explorar o potencial de uma promessa que surge. Os caras têm uma visão diferenciada, evoluída sobre como formar um grupo forte, competitivo.
    Nessas mesmas Copas em que o Brasil definhou já eram nítidas as mudanças nas outras praças do futebol. Há hoje todo um procedimento diferente.
    Agora mesmo no Catar, foi possível ver cada vez mais equipes adotando táticas diferentes na forma como ocupam os espaços do campo, preparação física em alto nível; disciplina tática, conexão entre os setores do campo. Claro, é uma agenda conhecida no futebol, mas com um desenho mais moderno e evoluído dentro das quatro linhas.
     Eu não queria falar sobre a escalação da seleção para o Catar, porque há discussões mais importante a serem feitas, mas qualquer treinador como um mínimo de profissionalismo e bom senso olharia com bons olhos os times que mais se destacaram aqui dentro da nossa casa. Em outros tempos o Flamengo e o Palmeiras seriam facilmente a base da seleção por tudo que essas equipes apresentaram nos últimos anos.
    Isso é uma outra questão que precisa ser resolvida. O campeonato brasileiro bombando, revelando promessas, confirmando talentos já conhecidos e o técnico da seleção brasileira, com o aval da CBF, adota outros critérios cheios de interesses, suspeição, para formar uma seleção minimamente competente.
     Eu acho que a sociedade, a parcela que curte futebol, tem de começar a cornetar essa gente em prol de mudanças profundas, tipo essas hashtag da vida ai, e renovar as cabeças pensantes do futebol brasileiro.
     Chega de figurinhas repetidas.

                                                                  Foto: O Globo 

domingo, 4 de dezembro de 2022

A COR DA BOLA


    Em época de Copa do Mundo sempre rolam aquelas enquetes pra saber qual a primeira Copa que alguém viu pela primeira vez.
    Eu lembro da Copa de 70 porque eu andava com minha mãe pelas ruas e via um alvoroço danado das pessoas, fogos, gritaria, mas pela idade, criança ainda, não tinha como me envolver com futebol.
    A campanha de 74 também passou batido. Nessa época, a galera ouvia rádio, novela, noticiários e os campeonatos de futebol daqui do Brasil, enfim. A televisão ainda tinha baixa adesão, era cara demais, e além do mais era uma mídia que ainda não dispensava espaço para o futebol.
    Era o rádio que levava a alegria do futebol para o público, onde ele estivesse, pois havia os radinhos de pilha portáteis, através do qual o torcedor assistia de fato aos jogos. A fala do narrador descrevia com precisão todo o cenário da partida. A tal magia do rádio que construía a imagem sem que a gente visse alguma coisa.
    A televisão surgiu justamente para materializar os elementos que o rádio utilizava com sucesso. A gente passou a ver a cor da bola, da grama e da camisa dos caras. Bom...na Copa de 78 isso foi possível, porque já estava tudo colorido mesmo. E a propaganda já estava bem agressiva e estimulante pra neguim comprar televisão nova para acompanhar a Copa.
     O pouco que eu entendo de futebol, não para tecer teoria, claro, mas para fazer comentários, torcer e dar palpites, eu assimilei lendo sobre o assunto e acompanhando nos noticiários, mas a televisão confirmou a expectativa que o público tinha sobre o que representava o futebol na cultura popular.
    E assim a minha geração vem seguindo os eventos de Copa do Mundo pela televisão e mídias digitais que surgiram depois de várias outras mudanças na vida dos brasileiros, como por exemplo, a Coca-Cola gigante de mais de três litros, na minha época era um litro pra família toda, além, claro, das próprias televisões, algumas já do tamanho da parede da casa.
    Hoje, ninguém vai tirar o pioneirismo do rádio na difusão do futebol. Até porque o rádio também acompanhou as transformações tecnológicas e ocupa seu grande espaço de sempre, mas a televisão tem um público maior, cresceu na mesma proporção da população.
      É nesse sentido que a Copa do Mundo ganhou toda essa projeção espetacular ao longo de cada edição, pelo caráter imagético que o maior evento esportivo formou em larga escala. A FIFA que tem mais países congregados que a ONU vem promovendo mudanças na organização das disputas de quatro em quatro anos pautadas na dimensão do público que a televisão abrange.
    Já há, inclusive, a iminência de mais países disputando a Copa em futuras edições, talvez a próxima já, porque está todo mundo aprendendo a jogar bola, e o país anfitrião tem sempre outros interesses quando se candidata para sediar a Copa. 
    O futebol, o mercado, o poder, tudo junto e misturado numa grande rede, fazendo praticamente todo o planeta parar o que está fazendo para ver a bola rolar.

sábado, 26 de novembro de 2022

A VIDA POR UM FIO



   Um grupo está reunido em protesto bloqueando o fluxo de uma estrada em Mato Grosso. Alguém chega e pede passagem alegando que precisa passar para levar seu filho a uma cirurgia de emergência no olho. O favor foi negado e rechaçado em função do comprometimento do grupo com a causa reivindicada ou reclamada, melhor dizendo. “Que fique cego, não vai passar!”.
    Qualquer um no argumento mais plausível vai interferir na contenda alegando que a liberdade ou direito de um termina quando a do outro começa.
    Termina aí o que poderia ser resolvido da forma mais sustentável, mais racional, ou dentro de um elemento que eu considero o mais importante nas relações humanas em qualquer circunstância: o fator humano.
     Por mais que a causa fosse justa e amparada no que é permitido manifestar, há sempre uma brecha, um atalho, uma exceção à regra, quando a vida é que está por um fio, mas parece que o mais elementar foi ignorado. Isso não tem nada a ver com processo político
    O que fica parecendo é que o Brasil está inaugurando uma era de grandes conflitos, como se nunca tivéssemos tido uma grande causa para resolver com distúrbios, cancelamento e mortes. É como se a gente não tivesse experiência de reverter situações de crise, incertezas, por isso que a vida alheia fica por um fio.
    Nunca fomos arrasados por uma guerra, mas temos nossas enchentes, alagamentos, queda de barranco, bala perdida, fome, desemprego, cenários que sempre despertam a solidariedade, porque a vida das pessoas está em primeiro lugar.
    De tantas vezes que o brasileiro foi conclamado a resolver pendengas sem garantia de sucesso, o futuro do Brasil é incerto até hoje. Um novo processo começando não é um progresso em si, é um recomeço apenas. Porque nós brasileiros estamos sempre começando do zero e contabilizando momentos importantes, apesar de difíceis, mas históricos para fins de registros.
    Essa balbúrdia que a gente tem presenciado em algumas vias pelo Brasil não pode ser considerado um fato importante para entrar nos anais da história. Para a sociedade lembrar lá na frente de um movimento político e tal, que trouxe mudanças para a vida brasileira. Só que não.
     Só serão lembrados como protagonistas da cultura do ódio, arruaceiros, impondo ação sem qualquer embasamento legal que justifique esse delírio, essa estupidez, essa falta de humanidade.

                                                        Foto: UOL Noticias

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

VIVA O BRASIL

 

   Não tinha como ser diferente a reação popular com uma vitória maravilhosa da seleção brasileira na estreia no Qatar. A expectativa e preocupação que são sempre normais antes da partida deram lugar à empolgação da torcida em todo o Brasil depois que o jogo terminou.
     Eu fui para a rua depois do jogo e vi uma alegria que há muito tempo não se via. Eu até pensei que não houvesse muita animação por ser apenas o primeiro jogo, ainda mais depois de um tempo conturbado que envolveu e dividiu os brasileiros por todo o país no cenário político.
    Mas, felizmente, a alegria tomou conta das pessoas em todos os cantos da cidade, e em todos os lugares onde havia concentração da torcida para assistir ao jogo a comemoração por cada gol era única, num só barulho, num só grito que estava guardado no peito de cada brasileiro, que no momento certo iria extravasar aquilo que o brasileiro está acostumado a fazer, que é comemorar.
      O Brasil estava precisando muito dessa alegria de norte à sul do país. Veio em boa hora essa vitória brasileira na Copa, para que a população pudesse novamente sorrir e vibrar, porque o futebol tem, sim, essa força, essa magia de resgatar a felicidade do povo brasileiro que sabe de sua responsabilidade e consciência no que diz respeito ao destino do país.
     A alegria que a galera extravasa nesse momento festivo que o futebol sempre proporciona certamente não vai tirar o foco do brasileiro sobre o destino do pais nesse processo que interessa a todos.
     A mesma liberdade que a gente tem de fazer escolhas nos permite também gritar juntos, porque a felicidade é de todos quando houver motivos para comemorar e saborear o gosto da vitória, assim como aflige a todos num período tenso e incerto para o país.
    O Brasil já passou por momentos mais críticos que esse e em nenhum momento o brasileiro deixou de comemorar quando havia festa e júbilo, nem esqueceu do respeito que cada cidadão deve demonstrar um para o outro em momento de transformação, mudança e transição.
     O futebol nem é mais o ópio do povo, como se dizia antes. O brasileiro está mais maduro e consciente sobre o que pode verdadeiramente mover a sua paixão e qualquer outro sentimento no momento adequado. O Brasil nem é mais a pátria de chuteira, pois a sociedade vai buscando um outro espaço para a nação brasileira ocupar no cenário mundial.
    Aos poucos a gente vai fazendo o mundo todo olhar para nós de um jeito bem além do orgulho que o Brasil tem de saber jogar bola.
     Continuamos buscando com determinação, amor e alegria tudo aquilo que a nossa liberdade nos permite buscar, sem que isso possa desconstruir o que o brasileiro tem de melhor, que é a sua alegria de viver.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

POR TRÁS DOS ARRANHA-CÉUS

  

  Bom, se todo mundo achava que essa Copa no Qatar seria diferente, porque no mundo islâmico não pode isso, não pode aquilo, não foi diferente das outras edições os cenários que geral já está acostumado a ver em paralelo as ações dentro das quatro linhas.
    Hoje, mais do que nunca um evento que reúne pessoas do mundo inteiro vai ter um caráter político numa dimensão cada vez maior, porque isso já é uma tendência no mundo, independente de como se dão as regras do país anfitrião e os interesses da Fifa em todo esse cenário.
    Pra começar aquela cerimônia de abertura politicamente correta, de igualdade, liberdade, essas coisas, o Morgan Freeman gastando a fala, beleza, sob a vista do dirigente do país, o Emir Tamim que governa o país com mão de ferro e não escondeu o constrangimento de aplaudir a peça que reivindicava justamente o que o seu regime veta e condena.
    Lógico que não se pode julgar a soberania de um país independente como o Qatar, que tem suas leis, sua cultura, religião, enfim, mas a gente foca nas contradições de quem almeja se inserir numa nova ordem mundial com as mesmas mazelas e incongruências de outras nações poderosas, e não consta que o Qatar seja um eldorado naquele espaço do Golfo Pérsico. Não parece que o Qatar seja só de arranha-céus.
     A Copa do Mundo é um evento esportivo, mas o anfitrião da vez sempre aproveita para mostrar ao mundo o que ele pretende no cenário global com a capacidade que ele tem de se desenvolver, se modernizar por intermédio de seus recursos e ainda ampliar as relações com quem quer que seja pelo mundo afora.
    No Qatar, todo o barulho que se ouve fora das quatros linhas é uma síntese do que já rola em vários cantos do planeta. As manifestações, protestos e reivindicações num ambiente de Copa do Mundo são um grito a mais no meio da torcida ou dos jogadores em campo, um pequeno universo que concentra e representa segmentos da sociedade cancelados, açoitados, marginalizados e desfavorecidos em seus redutos.
     Para a opinião pública, é importante que o movimento das mulheres no mundo todo, o combate ao racismo dentro e fora do ambiente futebolístico e demais reivindicações estejam também sob os holofotes de todo o mundo apontados para o Qatar.
    Também é fundamental que um regime autoritário e excludente sinta a atmosfera desse movimento dentro de seus próprios domínios, pois não se perderia jamais a oportunidade de ampliá-lo numa ocasião como essa, numa praça como essa em que há registros de impedimento de várias naturezas.
    Enfim, depois do apito final, não se sabe que frutos o Emir vai colher por receber o mundo em sua casa e quais os benefícios disso tudo para a população local.
     Em meio a tantas incertezas por trás dos arranha-céus, o melhor legado é a liberdade.

sábado, 19 de novembro de 2022

A BOLA DA VEZ


   É bola rolando mais uma vez nesse grande campeonato que é a Copa do Mundo, sempre num lugar diferente, porque tem uma fila gigante de países querendo sediar um evento dessa magnitude.
     E dessa vez é o Qatar, esse país forasteiro no cenário do futebol, mas que tem bastante grana para organizar a festa segundo os critérios da FIFA. Eu digo forasteiro, estranho, porque o Qatar não tem tradição no futebol, pelo menos por enquanto, já que aos poucos todo mundo vai aprendendo a jogar bola.
    De qualquer forma, é mais uma festa com um monte de gente de idioma, cultura, religião e habilidades diferentes para fazer gol. Esse Qatar que poderia estar falando português, tá pensando o quê?
     Pois é, lá no passado, nas Grandes Navegações, Portugal andou dando umas esticadas bem além do Cabo da Boa Esperança e ciscou também lá pelas bandas do Golfo Pérsico, chegando a amarrar umas caravelas num píer qualquer do Qatar, mas os turcos cortaram o barato dos gajos em pegar as pérolas de lá com a mesma facilidade com que surrupiaram o ouro do Brasil.
     Mas isso é outra história, gente, até porque o Qatar hoje vive da renda e riqueza do petróleo e do gás, o suficiente pra levantar aqueles arranha-céus e claro, fazer estádios bem bacanas para acomodar uma massa cheia da grana, porque essa Copa não é pra mochileiro, não, companheiro. Um souvenir lá é mais caro que a camisa oficial da seleção aqui no Brasil, vai vendo.
   No mais, o Qatar será momentaneamente o Planeta Bola, onde os confrontos revelarão as diferenças como contraponto da disputa. Vai ter partida entre nações irmãs, amigas, e outras como reedições de velhos conflitos, como Estados Unidos e Irã, de por exemplo. Haja coração e fair-play. Disputa entre colonizador e colonizado. Qualquer falta desleal, é puro revanchismo. E Jogador que faz o sinal da cruz quando entra em campo pode correr risco na terra do Islã. Não adianta nem chamar o VAR.
     Aos torcedores só resta seguirem as regras da casa. Aliás, a regra é clara por lá. No começo os caras até flexibilizaram, mas depois endureceram e agora é bico seco geral. Eu lembro logo de alemães e ingleses numa hora dessa, coitados, ficaram tão bolados quanto o patrocinador. A FIFA vai pensar duas vezes antes de escolher um país islâmico para sediar a Copa novamente.
    A gente descontrai, mas sabe que tudo isso faz parte de um grande cenário de diversidade que é o planeta em sua integridade. Não faltam eventos no mundo que trazem à tona essa questão tão importante, principalmente agora nesses tempos de intolerância em nível global. E a Copa do Mundo é o acontecimento que mais aflora essas diferenças.
    É claro que há toda uma questão política envolvida nesse processo de espalhar a maior disputa do futebol no mundo, e o mundo árabe também é protagonista na história de formação de civilizações e a pluralidade cultural ao redor de cada nação, assim como o ocidente e outros continentes, de onde brotam gente de todos os cantos jogando bola e rompendo fronteiras, disseminando a arte do velho esporte bretão.
    E a peleja no Qatar não será diferente. Vamos que vamos.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

DE QUEM É ESSE LIXO?

  

    A única vez que a Baía da Guanabara esteve sob os holofotes da mídia foi quando o poder público ensaiou despoluir toda aquela área naquele velho e mal fadado projeto criado em 1994, resquícios ainda de todo aquele discurso da Eco-92 que o Rio sediou.
   Naquela época, a única preocupação era recuperar o ecossistema local e deixar o espelho d’água reluzente para a foto do cartão-postal da cidade ficar bem bacana, e todas as cidades do entorno da Baía com saneamento básico, olha que maravilha.
    Agora, foi preciso uma carcaça velha de navio se desprender do ferro, bater na Ponte, levar perigo aos usuários da via, para todo mundo se lembrar que ficou muita coisa por fazer na Baía da Guanabara ao longo dessas décadas.
     Hoje, a questão ambiental é muito mais complexa, há uma série de fatores envolvidos, e haja fóruns para discutir o assunto. As nações e vários organismos se encontram e haja documentos, relatórios, promessas e um falatório interminável para no final resultados bem aquém do que esperavam.
     A COP-27 está aí em mais uma tentativa de tornar o planeta mais atraente, mais saudável e sustentável, essas coisas. As pautas discutidas agora são muito mais abrangentes, mais globais, melhor dizendo.
    Portanto, menos mal que o incidente não trouxe danos maiores para a vida das pessoas e para a estrutura da ponte. Continuamos respirando aliviados e sobrevivendo ao descaso de governantes de todas as esferas, empurrando a responsabilidade, um para o outro, como sempre acontece.
     Tanto a Capitania dos Portos, o Instituto Estadual do Meio Ambiente e o Ibama não levarão a culpa por esse entulho a céu aberto. Tem uma questão jurídica envolvida que vai livrar a cara dessa gente toda. E aquele trambolho vai ficar lá por mais tempo compondo aquela paisagem, ofuscando nossas vistas, nossas vergonhas e tudo mais.
    A Baía da Guanabara é apenas mais uma promessa de tempos atrás, com o mesmo nível de degradação que há muito se verifica nos rios, lagoas, no Pantanal, no Cerrado, na Floresta Amazônica, guardadas as devidas proporções, tudo bem, mas com o mesmo grau de preocupação e urgência frente às demandas de todo o seu entorno.
     O pior já passou.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

CERTAS CANÇÕES DA VIDA

 

   Muito bacana o último show do Milton Nascimento em Belo Horizonte. Em pouco mais de duas horas de espetáculo, o Bituca reviveu toda a sua trajetória de mais de 60 anos de carreira. Um período que se confunde com a vida de uma enorme legião de fãs, inclusive, a minha.
    Vendo aquele público maravilhoso em completa devoção e agradecimento a tudo que Milton Nascimento produziu ao longo da carreira passou um filme na minha cabeça.
    Quando eu comecei a prestar atenção em músicas, identificar o que soaria melhor para mim, Milton Nascimento já soltava a voz nas estradas. Foi nessa época que eu ouvi “Travessia”. Eu não tinha a menor ideia de quem era Milton Nascimento, mas foi através daquela bela canção que minha mente fluiu para os melhores acordes.
      A minha sorte foi ter em meu convívio familiar a referência de pessoas que já haviam identificado Milton Nascimento como um talento nato, e ter apostado em tudo que o Bituca produzisse dali pra frente e botasse para rolo nas rádios, nas vitrolas e nos bailes da vida.
      E assim me foi apresentado Milton Nascimento de forma compulsória, mas que certamente teria influência em minhas escolhas, porque até nisso Milton Nascimento se tornou especial, ou seja, ele serviu de referência não só para vários artistas que surgiram depois, além, claro, da reverência que astros já consagrados faziam para ele, a gente aqui de fora, só ouvindo, criava automaticamente um modelo a ser seguido nas primeiras playlists.
    Tudo que a gente queria ouvir de outras vozes teria que ter o nível de Milton Nascimento, ou algo próximo daquela beleza de som, de voz, de poesia em forma de canção.
    E Bituca foi com o tempo fazendo parte de vários momentos de minha vida, como certamente serviu de trilha sonora do grande público em fases pertinentes a cada um, porque é assim mesmo toda a obra de Milton Nascimento, uma canção que valia por uma época no plano cultural, social, político, enfim, eu sinto uma saudade danada de quando tocava “Maria Maria”, “Canção da América “, “Coração de Estudante “, “Caçador de mim”, “Encontros e Despedidas”, e por aí vai o que representou para mim a vida e a obra de Milton Nascimento.
     Até hoje eu fico cantarolando que meu caminho é de pedra, é verdade. Talvez seja uma forma de reconhecimento ao maior talento, de amor à melhor das poesias e, principalmente, de agradecimento à influência adquirida.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

SEM PLAQUINHA NO QATAR



    Ah, não leva a mal, não, mas vou cornetar a seleção também. Começou a temporada de dar pitacos na escalação da seleção brasileira, já sabendo que a maioria das pessoas que discutem futebol o faz com uma certa paixão clubista ou pelo bom e velho bairrismo que ninguém é de ferro.
     Não é diferente quando rola a convocação dos jogadores para disputar um Copa do Mundo aquele fuzuê de milhões de brasileiros que viram técnicos de futebol de uma hora pra outra, dando pitaco de tudo quanto é formato e escalação ideal para o tão cobiçado caneco de campeão.
    É até normal no meio desses “entendendores” de futebol aquelas falas sem sentido com escalações meio que de várzea até, tudo bem... é tudo movido pela paixão de ver o seu perna de pau preferido vestindo a amarelinha. Vestindo a amarelinha pra jogar mesmo, tá, pessoal, enfim...!
     Agora, o difícil é entender o critério do técnico oficial, no caso, o Tite, para escalar o nosso scratch que vai defender nossas cores no Catar. Pois é, eu puxei scratchl lá do fundo do baú de propósito, porque antigamente havia mais razão na escolha do time. Lembrando que no Brasil sempre vai haver dificuldade de escolha, pois em qualquer época tem uma galera boleira top de linha. E a Taça das Favelas está aí servindo de peneira.
    Por conta disso eu vou, sim, puxar brasa pra sardinha do cara que mais tem causado nesses últimos tempos: o Gabigol. Até porque tem uma nação levantando essa bola, quer dizer, a plaquinha, né. É verdade que o craque do Flamengo divide opiniões. “Ah, mas na Europa ele não rendeu o esperado, não jogou nada!!”, é o que mais se fala do cara.
    Bom, vamos partir do princípio que o time mais badalado desperta um olhar mais instigante do treinador da seleção. Pelo menos era assim no passado. E o Flamengo hoje é esse time badalado, inclusive com o protagonismo do Gabigol, decisivo em partidas importantes, se é que isso vale alguma coisa, tá ligado?
     Eu sempre acreditei que o jogador ganha experiência aqui também, não é só jogando lá fora, onde alguns ganham mais dinheiro que prestígio. E o Gabigol encontrou aqui no Brasil a sua forma de viver e ser feliz. Basta ver o que ele já fez no Flamengo, num período que se confunde com a própria evolução do rubro-negro nos últimos tempos.
     Ou seja, o Gabigol já roeu o osso desde o começo, e agora justamente quando o cara vai começar a desfrutar de todo o prestígio, moral com a torcida, o Tite só chama o Pedro e o Everton Ribeiro? Tudo bem, merecido os caras irem pra Copa, mas o Gabigol já viaja na janelinha do avião bem antes de seus companheiros de time.
     A gente vai ficar aqui torcendo e confiando na escolha do Tite, comemorando e tal. A galera que vai ao Catar já não vai poder tomar uma, bico seco, tranquilo...mas poderia estar exibindo a plaquinha do Gabigol, tá vendo aí, Tite?

sábado, 5 de novembro de 2022

O BEM AINDA É MAIOR

   
    
     Que confusão parece ser essa que está fazendo o mundo viver um caos bem pior do que aquele do qual originou tudo isso ao nosso redor? Quando se começa uma fala, uma discussão assim já questionando alguma coisa é porque o negócio está sinistro mesmo, tá ligado?
    Não parece que a pandemia e a guerra tenham revirado as coisas desse jeito como as pessoas estão falando, botando a culpa no vírus e nas rusgas entre Putin e Zelensky. Tudo bem que esses eventos de doença e guerra deixam marcas que interferem na vida global, mas não há registros de que isso tenha apagado o lado bom do mundo.
     Até porque já houve outras guerras e outras doenças afligindo as pessoas ao mesmo tempo em que uma outra parcela mostrava seu lado mais cruel.
     Mas, agora, por conta de uma atenção maior às tragédias, muito de ações isoladas voltadas para o bem têm ficado em segundo plano. As tragédias as quais me refiro são desconstruções da vida prática, não essas tragédias que costumam provocar a comoção nacional, toda vez que cai um avião, um barranco desliza, um edifício desaba ou pega fogo ou uma celebridade morre.
    A audiência maior hoje é a agenda de ódio, de intolerância e impaciência com quem pensa diferente, com quem acredita numa outra realidade. A gente fala essas coisas por conta das eleições, mas já rola essas impertinências em outros ambientes de convivência humana, não é de hoje.
     E com isso na comunicação global, incluindo a mídia, as redes sociais, conversas de botequim, fórum de debate, encontro de chefes de estados, missa, culto, pajelança, reunião de condomínio, churrasco na laje e outras resenhas que tenham agrupamento de homo sapiens a pauta é a mesma de sempre: se não for fofoca, é gente discorrendo sobre coisa ruim.
    Até eu aqui. O texto já vai terminar e eu ocupei a maior parte do espaço sem um mínimo de audiência ao lado bom da vida. O que vão pensar meus 22 seguidores da página?
     Está cheio de gente por aí praticando o bem sem a menor visibilidade, no momento em que explanar a melhor faceta humana serve de alívio nesses dias loucos, além, claro, de um estímulo a mais para um outro horizonte.
     É gente que de uma forma qualquer massageia o ego de alguém sem exposição alguma. Tipo o cara que dá aula de reforço numa praça, olha que bacana. A pessoa às vezes nem quer aparecer, uma atitude nobre, claro, mas o mundo precisa saber dessas práticas, senão fica parecendo que o mal predomina sobre o melhor que as pessoas têm para oferecer e não é bem assim, bate na madeira aí.

                                                         Foto: Portal VER

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

ESSA TAL DEMOCRACIA


    Foi bem tensa essa campanha eleitoral em todos os aspectos, desde os primeiros momentos até o resultado final da disputa, mas nada que pudesse desconstruir as bases da democracia, aquilo que a gente tem de melhor para decidir nossos rumos.
     Não é porque todo o processo foi nervoso que se vai fazer qualquer análise apenas dentro do cenário negativo que ilustrou a disputa.
    A dimensão do nosso país, a diversidade das regiões, cada uma com suas características e problemas e, principalmente, a diversidade de nossa gente, não implica somente a pluralidade cultural do povo brasileiro, mas também a pluralismo de ideias para decidir, definir e acertar a forma como queremos conduzir nossas vidas através das pessoas que se propõem e são escolhidas para representar todos os segmentos da sociedade.
     E foi justamente isso que todo mundo pode ver agora nesse desfecho eletrizante e conturbado ao mesmo tempo, mas maravilhoso, se a gente relembrar a oportunidade e a liberdade que cada brasileiro teve para fazer sua escolha, o que acabou se refletindo na composição dos legislativos e executivos federal e estaduais.
    Ainda que haja controvérsias quanto a um novo cenário para a vida política no Brasil, a verdade é que há um pouco de cada aspecto da realidade brasileira se insurgindo no horizonte da política através das representações, é isso que a gente pode ver.
    As mulheres tomando cada vez mais espaço nos governos, nos parlamentos, numa força política há muito tempo reivindicada pela sociedade. Pessoas dos mais diferentes perfis se fazendo representar em uma composição que vai retratando o Brasil na sua forma mais fiel e plural. 
     É assim que deve ser, um Brasil de todas classes, raças, credos, direitos e oportunidades.
    É lamentável que haja conflitos ao longo do processo. Apesar de alguns focos de tensão e insatisfação de alguma parcela que ainda queira atentar contra a normalidade das coisas, é gratificante saber que o resultado dessa eleição é fruto de respeito e observância às regras impostas para que tudo funcione dentro da ordem.
      Felizmente deu tudo certo, como bem sugere e permite a democracia com o respaldo da constituição. É preciso alguns ajustes para que o nosso maior patrimônio, a democracia, não fique tão à prova assim como esteve. É inadmissível que a democracia, o único sistema que pode conduzir as nações de forma justa se fragmente.
     Especialmente o Brasil, o país com a maior diversidade cultural, étnica e socioeconômica, que precisa de uma democracia cada vez mais fortalecida para que todos os segmentos da nossa sociedade sejam fielmente representados e também correspondidos em seus anseios e necessidades.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

A FORÇA DE TRABALHO DO RIO



   Ampliando as discussões sobre os esforços do governo para fazer mudanças no cenário do estado do Rio de Janeiro visando o bem-estar da população, é necessário incluir na pauta a questão do emprego e o efeito prático na vida das pessoas.
     Quando se fala do esgotamento da cidade do Rio de Janeiro isso está ligado diretamente à relação com as cidades adjacentes que compõem a região metropolitana.
    Imagine o indivíduo que sai todo dia de sua casa na Baixada Fluminense para vir trabalhar no Rio. A gente fala justamente daquele universo que diariamente lota os trens, ônibus, naquele inferno que todo mundo já conhece.
     Pois é, agora imagine se grande parte desse contingente tivesse mais oportunidade de trabalho em seu local de origem. Quem conhece e anda em cidades como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Queimados, Niterói, São Gonçalo e Alcântara vê de perto o potencial econômico dessas cidades.
      São redes de supermercados e shoppings-centers que geralmente movimentam essas localidades com a geração de emprego em níveis consideráveis, tudo bem, mas, rodando por esses locais não é difícil ver a quantidade de terrenos ociosos às margens das rodovias.
     São propriedades privadas, imóveis da União, principalmente das Forças Armadas ao longo da Via Dutra, Washington Luís, Rio Magé, BR 101 e demais vias da região metropolitana, que compõe uma paisagem completamente vazia, um contraste com a  efervescência do estado do Rio. Um mínimo de vontade política e parcerias entre as esferas federal, estadual e municipais poderiam perfeitamente remexer alguns indicadores através de políticas públicas de criação de emprego e renda.
    Com isso, uma massa considerável deixaria de descer a Dutra, a 040, a Ponte todos os dias, assentando um monte de gente em seu local de origem. Olha o reflexo que isso teria na mobilidade urbana de toda a região, só para começar.
    A gente tem visto nos últimos tempos uma debandada geral de empresas de grande porte do estado do Rio de Janeiro, fábricas, indústrias, montadoras de carros, num tempo em que esses grupos estariam fortalecendo e ampliando a capacidade de o nosso estado de crescer e fazer jus à sua importância para a população fluminense, para a região sudeste e, claro, para o Brasil.
     Nesses tempos de eleição, os candidatos, o próprio governador e os outros proponentes têm feito discursos de recuperação do estado, mas é tudo muito vago, sem garantia alguma de que a agenda deles vai ter realmente um conjunto capaz de fazer as verdadeiras transformações para o nosso rico e maltratado Rio de Janeiro, que já tem estrutura suficiente para absorver essas mudanças, basta querer.
     Muito se fala sobre a recuperação do estado. É possível por em prática qualquer ação proposta, desde que tenha essa amplitude em todos os sentidos.
     Senão, não rola.
    

terça-feira, 20 de setembro de 2022

POR UM ESTADO MAIS FUNCIONAL

    


  Há aspectos importantes para se destacar a respeito da campanha para o governo do estado do Rio de Janeiro. A gente sempre imagina que o governador conhece as necessidades de cada região do estado, mais precisamente de cada cidade. Ao todo são 92 cidades.
      Se por acaso passa despercebido do governador uma determinada localidade, o mandatário tem sempre seu secretariado que municia o chefe com informações e dados para eventuais projetos a serem implementados.
   No caso da região metropolitana, há uma complexidade maior pelo conjunto de fatores que compõem essa área enorme em torno da capital do estado.
      Sem tirar a importância das outras regiões do estado, cada uma com suas características e peculiaridades, a região metropolitana do Rio de Janeiro, que reúne a capital, a Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo é a parte do estado do Rio que mais tem demandas serem atendidas pelo poder público.
    Por concentrar o maior contingente populacional de todo o estado, a região metropolitana é a área que movimenta a maior parte da economia do estado e também onde os principais serviços prestados à população estão aquém da realidade de uma metrópole desse porte.
     Se houve num tempo passado algum estudo que pudesse adequar as ações do estado às necessidades da massa dessa grande região os números já estão completamente defasados.
    No dia a dia é possível ver a discrepância do que a população precisa para viabilizar sua vida e o conjunto do que tem sido oferecido pela administração pública. Eu destaco três áreas em que há assimetria de toda ordem na atual realidade do estado do Rio: transporte, segurança e saúde.
     Todos os sistemas de transporte público que fazem a ligação intermunicipal não suportam a carga diária de deslocamento das pessoas. Não há conexão entre os modais, todo dia tem uma pane, uma interrupção. Um sofrimento do tamanho do caos e pouco atenção para a mobilidade urbana.
    A segurança é outro setor que opera de forma precária, apesar de um esforço relativo, mas tímido que o governo do estado faz. Algumas localidades têm mais atenção que outras, ou seja, uma parte da população é mais privilegiada, outras, mais desguarnecidas, desprotegidas. Não existe uma política de segurança que abranja todo o estado.
    A rede de saúde é mais uma que traz agonia e apreensão para a população fluminense. A Baixada Fluminense é precária em unidade hospitalar. Muitas pessoas vêm buscar atendimento no Rio, onde já está saturada a rede, por falta de planejamento, investimento e vontade política. Enfim, não há saúde decente para todos.
     Considerando a conexão entre as diversas localidades do estado do Rio de Janeiro, em função da própria funcionalidade da região, o governo estadual precisa trabalhar em conjunto com as prefeituras locais nessas demandas que envolvam toda a região.
    Isso é uma obrigação, uma responsabilidade que deve estar acima de qualquer questão política ou ideológica que costumam cercar as relações entre as esferas de governo.
     O desenvolvimento de todo o estado e o bem-estar da população dependem dessa visão de quem se propor a governar o Rio de Janeiro daqui para frente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

SEM PALAVRAS AO VENTO

  

       A campanha das eleições já está a pleno vapor, e essa já tem um complicador a mais por abranger os outros cargos dos legislativos federal e estaduais.
     É claro que a disputa para a presidência da república e os governos estaduais será sempre a que disperta mais interesse e atenção dos eleitores, ainda mais agora com toda essa polarização em nível máximo de turbulência.
    Mas a briga para as cadeiras nas Câmaras e no Senado também tem suas bizarrices típicas do ambiente, vai vendo.
    Pode até ser que essa disputa fique marcada, justamente por isso, pelo alto grau de intolerância entre todas as partes envolvidas.
     Se tanto eleitores quanto candidatos não reverem seus conceitos, essa baixaria, esse ódio e intolerância, tudo junto e misturado acabarão sendo a principal marca da política como já faz parte do traço de personalidade de milhões e milhões de brasileiros por esse país afora.
     E pior disso tudo é que essa nova agenda acaba ocupando espaço e tempo do que seria realmente necessário discutir. É como se a gente continuasse protelando a discussão de nossos próprios problemas e a política vai deixando para depois dar aquele salto de qualidade que certamente iria interferir na vida brasileira.
     E vamos também combinar, gente, que no meio de toda essa confusão passa despercebido de muita gente, menos de mim, um monte daquelas figurinhas de sempre que só vivem de soltar palavras ao vento, prometendo coisas que não tem nada a ver com as atribuições do cargo que pretendem ocupar. Aquela velha tática de apostar na ignorância do eleitor. Na maioria das vezes é a própria figura o ignorante em questão.
     Está incluído nessa lista também os filhos da política. É uma turma que segue os passos de seus genitores, alguns ainda tentando, outros já com espaço conquistado, dando continuidade aos trabalhos pra manter o nome da família, essas coisas, você sabe.
     Mas tem também filhinho e filhinha escondendo o sobrenome do papai que deu mole e está em maus lençóis, com o nome sujo, uma herança que ninguém quer. Faz de conta que é carreira solo. Há quem ainda acredite nessa gente, fazer o quê?
     Seguindo esse rumo conhecido do calendário eleitoral, a tendência é que não haja mudança alguma, mas eu acredito muito na maturidade do eleitor. É ele que pode operar essa mudança, trocando as peças sempre que puder e entender a necessidade da mudança.
     Em todo pleito tem uma galera cheia de energia, querendo se incluir na política com ideais de interesses coletivos, mas com certa dificuldade pelo pouco espaço de tempo na mídia, além de pouca grana. Pelas redes sociais ficou bem mais fácil identificá-los.
     Um novo ambiente que pode contribuir muito para essa renovação.


                                                Arte: Senado Federal 

terça-feira, 6 de setembro de 2022

UM GRITO A MAIS

   

   O povo brasileiro vai sempre comemorar a independência do Brasil por uma questão de honra e soberania. Qualquer nação que como o Brasil tenha passado pelo jugo das Grandes Navegações até ficar livre das amarras do colonizador e atingir a maioridade com hino, bandeira e moeda próprios vai ter motivos para festejar com o peito estufado de tanto orgulho por termos nossa própria vida e realidade.
    Agora, é bom deixar claro que essa independência que a gente conquistou apenas colocou o Brasil no cenário geopolítico. Somos uma nação que tem o seu espaço no mapa do mundo com fronteiras respeitadas e reconhecidas por todos os países, olha que bacana!
      Se hoje o Brasil desfruta desse prestígio de sermos bem relacionados no mundo, é gratificante para qualquer brasileiro saber desse status de uma grande nação. Que bom que a gente preenche todos os requisitos para que geral venha pra cá vender mercadorias, investir capital, curtir nossas praias e nossas festas de arromba!
    Na sequência da mais importante conquista do Brasil, criamos condições para as organizações políticas, econômicas, sociais e culturais aos moldes do que a sociedade brasileira precisava para prosseguir construindo sua história, sem que ninguém de fora pudesse ou quisesse interferir nesse processo. Ou seja, a gente aprendeu a andar com nossas próprias pernas.
     Bom...aqui dentro de nosso quintal, nesse cenário e realidade que só nós conhecemos a história é outra. É claro que em toda essa obra de construção do país foi preciso criar leis, regulamentos que nos permitissem viver em ordem, porque, senão já viu, né. Se mesmo com regras o brasileiro já mata, rouba, estupra, suja praia e derruba árvore, imagine se a gente não tivesse uma constituição pra chamar de nossa!
     Pois é, o Brasil cresceu tanto que nossas próprias leis não acompanharam a tendência de crescimento do país. Criamos instituições de toda ordem para gerir nosso patrimônio que compreende tanto o resultado de nosso trabalho quanto dos nossos recursos naturais.
    Mas pela dinâmica com que o Brasil vem evoluindo ao longo desses 200 anos, teríamos de renovar a todo instante os códigos que dizem respeito às riquezas, às formas de vida, aspectos culturais, meio-ambiente, inovações tecnológicas e desvios de conduta no plano individual e coletivo.
    Há transformações constantes em todos os campos de atuação de nossa gente, e todas leis vigentes não acompanham essas mudanças. Há sempre uma lacuna a ser preenchida; há sempre um vácuo entre a realidade e a desordem; há uma discrepância enorme entre o tempo das leis e o tempo do cidadão.
    As tais reformas que a gente está sempre ensaiando executar implicam justamente diminuir esse espaço que é quase um abismo, quase um precipício.
    De qualquer forma, comemoremos, sim, a nossa independência. Ela foi um sopro para o nosso projeto de nação soberana. E pode também ser um estímulo ao nosso desejo de sociedade moderna.
     Um grito a mais para a evolução do Brasil.
     

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

NO RITMO DAS TRIBOS



     A gente já estava começando a falar de política porque foi dada a largada para a corrida eleitoral quando começa também o Rock in Rio, tudo junto e misturado no mesmo calendário, e pareado até no barulho que cada evento vai fazer, claro, cada um no seu tempo e ambiente.
     Mas tá valendo mudar o foco por alguns dias pra falar basicamente de um acontecimento que já faz parte da agenda do Rio de Janeiro de tempo em tempo, principalmente porque contagia e traz um pouco de alegria e descontração num momento de grande expectativa e aflição nesses tempos de pandemia e cenário político bastante conturbado.
     E falando exclusivamente do Rock in Rio não se está fugindo ou desviando da política. Esse festival que o carioca, o Brasil e o mundo já conhecem é uma reprodução clara do que se reivindica na política e que já se ensaia numa frequência cada vez maior a cada chamamento de um sufrágio universal.
    O Rock in Rio que lá na sua gênese tinha a prevalência do metal em suas mais variadas vertentes, hoje consagra a diversidade de ritmos como uma tendência universal da própria música, da arte e da cultura em geral, como instinto e espírito da globalização, porque hoje, dificilmente uma batida qualquer fica retida em seu ponto de origem. Se alguém bate uma lata nos confins do universo seus acordes ecoam em toda a galáxia.
     Talvez devesse mesmo o Rock in Rio abraçar e fazer esse congraçamento de tribos e ritmos, porque a música sempre foi assim, essa mistura de barulhos diferentes, o erudito e o popular, o urbano e o tribal em constante transformação.
     E a política dentro de seu espaço e tempo vai construindo esse cenário, não com o mesmo ritmo e compasso do Rock in Rio, evidentemente, mas há uma proposta com esse objetivo. Há elementos e personagens que ensaiam e reivindicam um outro palco ou palanque como queiram. Na verdade, um palanque como esse do Rock in Rio, para uma diversidade tão abrangente e global como já se confirmou o Rock in Rio.
     Pois bem, é isso que a política precisa ser, consagrada e diversificada como o Rock in Rio em sua configuração, em sua organização, esse monte de gente diferente saindo de todos os cantos, cada um com seu barulho peculiar. Assim deve ser a política em falas e representações, assim ela deve ser, fluindo como música, é melhor que seja assim. É melhor que fosse assim, melhor dizendo.
     Que a política tenha outros ritmos, faça mais barulho e congregue mais e mais tribos e gentes diferentes. Do mesmo jeito que funciona o Rock in Rio.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

QUE VENHA A MODERNIDADE

  

    Essa nova banda 5G que em muitos lugares do mundo já está em funcionamento tem tudo para causar mais impacto que as suas versões anteriores, que já vinham aprimorando faz tempo as relações sociais de todas as ordens do mundo.
     Parece que essa de agora, além de mais veloz que seu modelo anterior interfere também nas situações do cotidiano, a internet das coisas como já está sendo classificada. Vai ser uma loucura essa parada, uma dinâmica diferente.
     Na verdade, não é a primeira vez que o advento de novas tecnologias cria essa interferência entre as coisas ao nosso redor. Se essa tentativa de agora vai ser bem mais funcional, como promete os criadores e demais entendedores do assunto, tudo bem, porque o pessoal da antiga sabe bem o sufoco que era no passado.
     Eu bem sou dessa época em que tudo era bem precário. Pela propaganda que se fazia a gente acreditava que os caras até tinham boas intenções, mas faltava, sim, algo mais, já que lá fora, onde também tinha essa novidades não havia registros de ninguém reclamando. Pelo menos a gente não via notícias a respeito no jornal ou na televisão.
     Ops! Era justamente a televisão o núcleo de todas as incertezas e angústias. Tal qual a internet que hoje conecta as pessoas em larga escala, a televisão também tinha essa função, pois unia a galera, família, vizinhos, para ver os “Irmãos Coragem”, quem lembra sabe.
      Bom, dependendo do lugar não era essas maravilhas, não. A novidade parece que já vinha com defeito, mas o brasileiro, essa gente bronzeada que tem seu valor, tem também o seu jeitinho, já que naquela época ninguém ficava de bobeira também não.
     A geração de hoje não sabe de uma das mil utilidades do Bombril como rezava a velha propaganda, ou das vezes em que se subia na laje, no telhado pra ajeitar a antena porque a cara do Tarcísio Meira estava meio torta, o que desconstruía completamente a imagem do galã da época. E vira a antena de um lado para o outro, e volta mais uma vez. Sinistro o negócio, cara. “Agora tá bom”, gritava alguém lá de dentro.
     Era cansativo aquele processo, e qualquer medida para solucionar o problema não durava muito tempo. Alegria de pobre você sabe, né. Pois é, a televisão tá lá, imagem limpinha, aí o vizinho resolve ligar o liquidificador, lascou tudo de novo.
      Hoje, a gente convive com essa conexão de dispositivos diferentes atrelados uns aos outros, Bluetooth, inteligência artificial e tudo mais com a menor interferência possível, mas num passado já bem distante era muito cruel. A gente passou muito sufoco até usufruir das modernidades do mundo.
     A modernidade que é cada vez mais funcional, mas incerta e complicada também, tanto que fica logo obsoleta, vai vendo.
     Eu que já tive aquele famoso carro com 147 problemas, hoje eu comemoro essas boas novas, ainda que com algumas reservas, pois a gente nunca sabe o que vem pela frente, visto que toda tecnologia tem sempre uma implicação qualquer, uma versão mais moderna da famosa dor de cabeça.