domingo, 8 de março de 2026

A VOZ DA DIGNIDADE

  

    A causa das mulheres no Brasil ganhou uma dimensão tão grande que é impossível não priorizar a questão que mais repercute hoje em dia.
    A sociedade celebra, sim, as conquistas, os avanços que foram obtidos ao longo desses tempos com muita luta e esforço junto com as políticas públicas de forma que as vozes mais ativas ecoem em todos os quadrantes, todos os estratos, enfim, que todos saibam como os discursos amadureceram a opinião pública.
    Pronto. Esse é o caminho a ser percorrido, mas há interferência no circuito. O feminicídio hoje é a grande praga que assola a sociedade. E apesar de toda a trajetória, a expectativa que se tem hoje ainda é muito pouco animadora.
      A legislação vigente no país, ainda que tenha sofrido algumas modificações, continua muito leniente com os agressores de mulheres. Enquanto não houver punições mais severas, sem esses benefícios de medidas cautelares, tornozeleira eletrônica, a população vai continuar assistindo a números cada vez maiores de agressões, ameaças, intimidações e assassinatos no pior cenário de impunidade que já ocorre em outras modalidades de crimes no Brasil.
    Há registros de sujeitos que cometem uma, duas, três vezes num curto espaço de tempo, amparado por esses atalhos que a lei oferece a eles. Ou seja, a lei beneficia o infrator e deixa a vítima completamente vulnerável, à mercê do seu algoz.
     O único ambiente que pode efetivamente operar as mudanças na legislação, torná-la mais rigorosa e adequada aos novos tempos é o parlamento brasileiro, o poder legislativo. Já há membros naquela casa que sinalizam e avançam com propostas de alteração da lei, mas há também resistência por parte daquela gente. São outros representantes do povo que não têm interesse em ver essas mudanças na realidade brasileira. Resquícios da cultura machista que ainda impera no meio e vai criando obstáculos para grandes transformações.
     De qualquer forma, o feminicídio está inserido na questão da segurança pública, em que os estados devem implementar um projeto específico para essa mazela urbana do mesmo modo com que direciona ações para outras modalidades de crimes.
    São medidas que conjugadas a uma legislação rigorosa vão permitir uma redução drástica nos números do feminicídio, resgatar a segurança e, principalmente, a dignidade das mulheres.


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