sexta-feira, 6 de março de 2026

O PREÇO DA GUERRA

 

   Na teoria uma guerra pode até ter vencedores e vencidos, porque há sempre um lado que tem mais poder, mais força, mais tecnologia. No caso dos americanos, eles têm mais know-how, mais tarimba, enfim, são PhD em invasão de terras alheias.
    Do outro lado ficam os órfãos, a submissão, a interferência externa, o orgulho da luta, o petróleo apreendido, e o dia seguinte pra recomeçar.
    Se há algo que pode igualar os dois lados são as vidas humanas perdidas em ambas as frentes de batalha, independente da diferença de baixas entre ambos.
     Para os Estados Unidos, mesmo aniquilando o rival, não vale a satisfação do sucesso da operação, porque no final das contas o governo americano tem contas a acertar com seu público interno, porque isso divide a opinião pública, e lá nos EUA não é diferente que parte da sociedade local rechaça essa agenda externa, principalmente por parte daqueles que perderam seus entes em conflitos anteriores.
    Ainda tem a questão financeira envolvida, o prejuízo que o erário americano terá no final das contas, porque, não é barato um míssil daquele cheio de tecnologia, além da baixas nas fileiras militares que implicam indenizações, essas coisas, enfim, toda a logística de uma guerra custa caro à população. O próprio processo de enriquecimento de urânio até seu produto final onera em muito o orçamento, pra no final das contas nem ser utilizado, servindo apenas de intimidação, ameaça, pois o seu emprego devastaria a todos, inclusive o lançador, pelo alto grau de destruição do artefato.
     Mas, quaisquer vantagens que Donald Trump venha a obter dessas últimas incursões, Venezuela e Irã, seja no plano político, pelo zelo com a política externa, ou econômico pelo confisco de petróleo e seus efeitos no ambiente interno, pode ser pouco diante do que os Estados Unidos precisam para recuperar o velho prestígio do imperialismo que parece estar se definhando diante da expansão de seu maior oponente no momento, a China, que veio pra quebrar a banca e brigar em outra guerra, comercial e tecnológica.
     É uma outra guerra a que o mundo assiste em outro plano, um outro assunto. Essa atual, de atirar pedras um no outro, é pilha da indústria armamentista que sempre argumenta que tem filhos pra criar.
     Agora, se o triunfo do vencedor traz algum prestígio para a nação, tudo isso cai por terra quando há vidas humanas ceifadas, quando a interferência à soberania alheia não surte o efeito desejado, mesmo que o rival seja também sanguinário dentro de seus domínios. Enfim, não há garantias de aplausos e holofotes para os Estados Unidos.
    Por isso que dentro desse cenário de incerteza quanto ao futuro que cerca a agenda da globalização, é que eu acredito que Trump só está metendo essa resenha porque precisa abafar a sua encrenca com a questão do Jeffrey Epstein, vai vendo.


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