segunda-feira, 13 de julho de 2026

O JOGO É JOGADO

   

    A gente tratou aqui recentemente da questão dos sites de apostas e seus malefícios na vida das pessoas nos seus cursos de vida através dos vícios, enfim.
     Agora, no ambiente no futebol as bets também já começam remexer o imaginário do público em geral, no momento em que entidades, clubes e jogadores são patrocinados por essa dinheirama vultosa que as empresas de apostas usam para financiar campeonatos de todos os níveis do futebol.
    Escândalos no futebol é uma coisa antiga. Não é de hoje que rolam umas tretas em disputas diversas pelo Brasil. Se nunca houve algum movimento que pudesse por fim às várias suspeitas de falcatruas com punição aos envolvidos e uma reformulação total no futebol para trazer transparência na gestão do futebol, agora com as  investindo pesado essa seara atraente que é o mundo do futebol, vão engrossar ainda mais as suspeitas toda vez que a bola rolar por aí nos gramados verdejantes, sintéticos e lamacentos.
     Pelo menos aqui no Brasil, onde o futebol já começa a descolorir a estética da beleza pela falta de talento, a vitrine das bets pode também mostrar um cenário cada vez mais bizarro no espetáculo do esporte mais popular do mundo, toda vez que houver dúvidas sobre movimentações estranhas de jogadores em campo, atuação de arbitragens com decisões e interpretações diferenciadas numa mesma partida, e a galera já automaticamente fazendo associações com os sites de apostas.
     Ao mesmo tempo em que não se pode comprovar a ligação entre uma coisa e outra, para efeito de apuração, é fácil imaginar que os administradores da empresa têm acesso às probabilidades, às cotações de uma determinada ocorrência em campo e, claro, o retorno financeiro que o evento pode trazer ao site. Ou seja, a cobrança de um pênalti faz a alegria de muita gente, mas pode também quebrar a banca da empresa. 
     Então, será por isso que aquele boleiro não pôde bater a penalidade que o outro também desperdiçou? E o cartão aplicado por pura malandragem do infrator? Por que o melhor em campo foi substituído?
     É claro que são apenas suposições. Quem sou eu pra imaginar coisas e ficar aqui confabulando sobre o que acontece fora das quatro linhas. Mas nas conversas de bar, metrô, trem, reunião de família, churrasco na laje, pelada com a rapaziada, sala de espera de UPA e demais resenhas não se fala em outra coisa.
     É um monte de gente bolada com esse novo cenário do futebol. A gente que é da antiga sente saudades daqueles uniformes de antigamente com estampas de margarina, refrigerante, Planos de saúde, automóvel e banco. 
    Com as camisas de hoje parecendo mais um outdoor ambulante das bets reluzindo nas transmissões, o ideal é que isso não tenha influência alguma nos resultados das partidas. Seria o empobrecimento do futebol em toda a sua essência. 
    Afinal de contas, o jogo é jogado.

     



quinta-feira, 2 de julho de 2026

QUE IDADE É ESSA QUE CHEGA?

   

   Não é de hoje que se ouve que a idade vai chegando e tal. Cresci ouvindo muito esse chavão e lembrei agora, quando completei mais uma primavera. É uma máxima esquisita, um tanto vaga, sem nexo, sei lá. Que idade é essa que chega? Como assim?
     A gente até entende a relatividade do tempo em todos os sentidos. Albert Einstein acabou de uma certa forma nos alertando sobre a noção do tempo em nosso cotidiano. Mas, diante da efervescência da vida das pessoas hoje em dia, como se pode adotar um padrão para uma coisa que é inerente a cada um? Hoje, está tudo tão mudado que nem o velho dito de que a vida começa aos 40 faz mais sentido.
     É natural que façamos um balanço de tudo que vivemos depois de um longo período. No pacote das ações realizadas até agora, muitas foram produtivas; outras, impensadas e malsucedidas. Não tem nem como reviver essas coisas.
   Mas a mente que flui para o passado também se transporta ao futuro que é uma grande lacuna a ser preenchida. O futuro é uma incógnita, mas também é a continuidade do que ainda falta a ser percorrido.
     Então, tão importante quanto o que já foi realizado é descobrir o que ainda falta acontecer, o que deixou de ser feito, o que ainda pode surgir. Há uma lista no inconsciente de cada um esperando a vez de sair do papel.
    Tirando por mim, no meio de tudo isso, muita coisa não rolou porque não perseverei o bastante, fui empurrando com a barriga, procrastinei, para ser bem atual. Algumas outras não tiveram aquela fé inabalável, o que acabou desmontando todo o projeto, assim como tantas outras que fracassaram por falta de projeto, preparação, concentração, essas coisas. 
    Para uma geração que vivia analogicamente, há um leque de opções à margem de toda a inovação com a qual a gente foi obrigado a se adaptar e interagir. Tudo bem que a tecnologia que faltava antigamente trouxe mais recursos para quem levava um longo tempo para buscar soluções práticas, mas, claro, sem achar que a grande rede é o único ambiente para renovação e busca de novos horizontes. Há mais ambientes para servir de refúgio, sem estar necessariamente com a cara enfiada num celular.
        Para nós que chegamos a esse estágio da vida, é importante ter a consciência de que estamos mais perto do dia de morrer que do dia que nascemos. Mas o prazo que ainda falta para esgotar pode ser preenchido com algo a tornar nossa vida mais plena do que já é.