sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A APOTEOSE DE CADA UM

       

    O Carnaval será sempre essa festa maravilhosa dentro do nosso calendário, da nossa cultura. O momento de descontração que o povo precisa para amenizar um pouco o peso de uma rotina estafante, coisa e tal. Tem uma galera que volta ao batente depois da quarta-feira de cinzas completamente revigorado.
     Mas nada como encontrar a paz interior longe de qualquer batuque que se possa ouvir ao longe. Para quem opta por se refugiar em outras pairagens, pra não ter que ouvir uma lata sequer batendo, que maravilha encontrar a paz interior pelo menos por alguns dias.
     Eu que já aproveitei bastante o Carnaval nos velhos tempos, não tenho do que reclamar da vida. O Carnaval está no meu currículo. Cumpri todas as etapas que um folião precisa para se sentir realizado em matéria de Carnaval, tirei muita onda também.
     E a gente que não brinca mais Carnaval merece também distinção por nossas escolhas. A essa altura do campeonato passa a ser um projeto de vida ficar alheio aos níveis de decibéis da cidade nessa época. Com a vida humana hoje completamente conectada, globalizada, fica difícil não saber alguma coisa sobre Carnaval. Se você liga a televisão ou abre as redes sociais vai ter uma marchinha ou um samba-enredo embalando as notícias em geral.
      Então, que bom que há opções de todos os gêneros para distrair a mente. Bíblia, Palavras Cruzadas, Netflix, Kama Sutra, baralho, gibi, pescaria, sinuca, skate ou ir para o meio do mato só ouvindo barulho de passarinho e sentindo cheiro de vaca, porco e galinha, o lugar que eu considero ideal para se atingir o Nirvana de vez.
     Mas, enquanto eu não chego a esse nível de equilíbrio e superação, eu vou me refugiando nos meus livros, que a ficção tem me trazido alguma calmaria e algumas respostas também. Nas contradições da vida humana, a ficção otimizando a vida real, regenerando a mente e afastando o corpo dos males dessa vida efervescente do nosso dia a dia. Uma prática que vai virando um modelo de vida, quando se pode conciliar uma atividade paralela à rotina de cada um.
     A gente fala assim do Carnaval, claro, sem depreciar a maior festa do Brasil. Eu já bebi muito dessa fonte e não vou agora cuspir no prato em que comi. O Carnaval será sempre essa alegria em larga escala. Mas a gente usa de referência para outros barulhos que sempre incomodam, o que nos obrigam a procurar suporte para prosseguir na caminhada com o menor grau de riscos para a saúde mental, essa nova praga do momento.
     Que possamos sempre atingir um grau de satisfação cada vez maior em nossas vidas. Que cada um tenha a sua própria apoteose para vibrar em sua trajetória.
    Bom Carnaval.


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