quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O homem do ano

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 Já não faz sentido algum enumerar as melhores e as piores coisas, os grandes feitos e as lamentáveis tragédias que repercutiram no Brasil e no mundo nesse ano que chega ao fim.
 Até porque os eventos que se destacaram positivamente não representam um importante legado, assim como alguns infortúnios já eram reedições de eventos passados, e isso, de uma maneira geral, rechaça qualquer garantia de novos tempos.
   Com isso, os holofotes e os louros recaem sempre sobre um personagem ilustre, aquela figura que ensaia grandes projetos com gestos e discursos de igual tamanho.
   E o papa Francisco foi, sem sombra de dúvidas, a grande personalidade deste ano, como complemento de tudo que ele anunciou para o mundo quando chegou ao Vaticano.
   Chamando para si a responsabilidade que reza na cartilha do verdadeiro homem público, o sumo pontífice não hesitou em levar aos grandes líderes e ao próprio corpo eclesiástico da cúria a bula da ala progressista da Igreja Católica com novos ensaios sobre as relações entre grupos sociais distintos e nações equidistantes no cenário global.
   Desde suas explanações na Jornada Mundial da Juventude, o papa Francisco não se furtou a uma aproximação a vários segmentos, sinalizando com novos horizontes para as classes menos favorecidas, inclusive, ao alertar o agente público da falta de transparência com o dinheiro público.
   No cenário internacional, o papa Francisco também mostrou a marca de um grande líder, mantendo conversações com outras lideranças religiosas, como parte integrante  do processo de paz em regiões de permanentes conflitos, e agora, recentemente, intermediando a retomada das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba.
   Dentro dos domínios da Santa Sé, não se pode ignorar a lucidez com que o papa Francisco tratou de temas nebulosos aos dogmas da Igreja, como aborto, união homo-afetiva e a própria pedofilia  nas fileiras da cúria.
   De qualquer forma, foi importante ver esse novo líder disparar contra os preceitos da Igreja Católica e sugerir novos caminhos e oportunidades para os injustiçados, tanto para a atração de novos rebanhos, como para o destino da humanidade.
     
      

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Rio sem brilho



   Como acontece todos os anos nessa época, as cidades se enfeitam com iluminação especial para o Natal e a chegada do Ano Novo.
   Não é difícil observar o quanto algumas cidades aproveitam as peculiaridades de seu relevo urbano para destacar a beleza que quase passa despercebida no resto do ano.
  Seja uma ponte, uma igreja, um edifício ou uma avenida famosa, tudo ganha cores vivas. Independente de serem cartões-postais aos olhos dos visitantes, alguns pontos tradicionais são importantes por fazerem parte da rotina das pessoas ao longo do ano.
    Infelizmente, aqui no Rio ignoraram completamente  esse aspecto  fundamental da vida do carioca, o que, num olhar mais crítico, representa desinteresse por algo que poderia elevar a auto-estima da população.
    Imagine o  orgulho de ver o relógio da Central do Brasil todo iluminado, além do efeito visual na Avenida Presidente Vargas e nos outros pontos de onde a torre é vista.
   A ponte Rio-Niterói também causaria um impacto deslumbrante na Baía de Guanabara com um conjunto de luzes em toda sua extensão.
   Para quem passa todos os dias pelo Aterro do Flamengo, é triste lembrar que em tempos atrás aqueles postes gigantes reproduziam enormes  árvores de Natal. E agora, até o Pão de  Açúcar ao fundo fica às escuras. 
   Seguindo essa tendência de total desprezo à beleza dos elementos urbanos da cidade maravilhosa, o Estadio do Maracanã, a igreja da Candelária, a Catedral Metropolitana, o Edifício Central, os Arcos da Lapa e os prédios públicos do centro da cidade permanecem com suas belezas ocultas, bem em consonância com os problemas que o Rio já tem.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A agonia do futebol


   Pela atmosfera que cerca o futebol brasileiro, o rebaixamento de um clube grande como o Botafogo não se restringe às vacilações da equipe dentro de campo.
   Pode-se dizer seguramente que a mentalidade dos dirigentes no Brasil é que vem ao longo desses anos definindo os rumos do esporte mais popular do país.
   À medida em que os cartolas vão perpetuando fórmulas arcaicas para gerir clubes respeitados no cenário internacional por suas glórias e conquistas, como consta na trajetória do Botafogo, é difícil saber o momento exato em que o futebol brasileiro vai alcançar o nível do que já se pratica em outras praças. O próprio vexame da seleção brasileira na Copa foi um alerta para transformações profundas por aqui.
   Se por um lado o fiasco do Glorioso mancha mais uma vez sua rica trajetória, o esfacelamento de qualquer agremiação que tenha tantas ou mais conquistas registradas é o empobrecimento do próprio futebol, considerando a contribuição que o Botafogo e outros clubes de tamanha expressão deram para construir a história do futebol mundialmente conhecida.
  Infelizmente, a excelência de clubes com administração menos claudicante e equipes mais competitivas ainda não é o modelo ideal de política eficiente e moderna no atual cenário, no momento em que os principais clubes brasileiros sobrevivem de acordos judiciais na esfera tributária e trabalhista, tal qual acontece com o Botafogo.
  Além do mais, algumas práticas suspeitas e nebulosas executadas fora das quatro linhas  e destrinchadas no meio jurídico acabam enfraquecendo qualquer tentativa de modernização do futebol brasileiro.
   Houve um tempo em que o rebaixamento de um time era mera punição a quem não se familiarizava com os fundamentos do futebol e suas estratégias em campo. Agora, o descenso à série inferior é parte integrante de um processo de reestruturação que o futebol tem de sofrer, começando pelos clubes.   É claro que o Botafogo vai precisar juntar os cacos para se reerguer, mas muitos clubes precisarão imprimir o mesmo esforço porque também respiram por aparelho.
   Na verdade, a agonia do Botafogo é um emblema do que ocorre com futebol no Brasil. Quando a história de um clube com a magnitude do Botafogo se completa com fracassos e reveses, é o próprio futebol brasileiro que se nivela por baixo.
 
      
   
   
   

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O pacificador


   Para quem anda de trem todos os dias, normalmente o sacolejo da composição é a única coisa que atormenta a vida dos passageiros, fora alguns atrasos ou aquelas paradas repentinas para cruzamento de linha, ou mesmo o espaço entre o trem e a plataforma, como alerta o sistema  operacional a todo instante.
   Mas, nada disso abala a vida de quem sai de casa já preparado para os infortúnios do cotidiano, principalmente aquele sujeito que nasceu sob os auspícios da paz e do amor ao próximo. Nada é capaz de abalar o equilíbrio espiritual e a serenidade  de quem está sempre ao lado do bem.
   Se o indivíduo conseguiu resistir e sobreviver às turbulências  de uma grande cidade, não será um pequeno contratempo dentro de um trem lotado que vai comprometer sua integridade moral. Se não for uma grande tragédia, dificilmente isso vai balançar a estrutura de quem está sempre voltado ao outro.
   E a sorte é que quando uma pequena rusga está prestes a se transformar numa grande crise, há sempre alguém para conter os ânimos exaltados.
   Hoje, dois indivíduos dotados da mais pura intolerância quase se digladiaram porque um encostou no outro, naquele sacolejo que embala a minhoca de metal. É claro que a ação imediata do pacificador impediu que ambos chegassem às vias de fato.
   Ao questionar a briga por algo tão sem importância, o pacificador com muita nobreza promoveu a paz. Mas era nítido naquela atmosfera que as pessoas ao redor apostariam numa batalha campal. O silêncio que se fez durante a interpelação do pacificador parecia ser de reprovação àquele pequeno grande gesto. Era como se aquela gente se frustasse por não ver o sangue jorrar, ou numa dimensão maior da imbecilidade humana, um corpo estendido no chão.
   Por um momento o pacificador vira um anti-herói, um ícone do absurdo, o baluarte de uma história às avessas. Deu-se a impressão de que ele é que corria riscos, porque os olhares o fuzilavam por ele não ter promovido a discórdia entre os homens. Definitivamente, o estigma das grandes hecatombes ainda habita o imaginário da era contemporânea.
   Mas, naquela fronteira entre o paraíso e o inferno a glória maior dos homens prevaleceu na figura do pacificador. Se naquele mísero instante de discórdia o pacificador não se descobriu o expoente maior de uma grande causa, pelo menos a mensagem foi dada.

domingo, 23 de novembro de 2014

A Educação em foco


  Continuando a questão da disseminação da história da cultura africana na grade curricular é importante ressaltar que já existe lei específica que determina que esses conhecimentos estejam de fato inseridos nos expedientes de educadores de todo o território nacional, como manda a lei.
   Depois de algumas modificações, justamente para se adequar ao atual cenário de transformações, a Lei 11.645/08 estabelece as normas para incluir no currículo oficial da rede de ensino as disciplinas de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
   Mas, remontando aos primórdios da educação no Brasil não é difícil constatar o quanto o desenvolvimento do país ficou dependente de mecanismos que pudessem efetivamente nivelar a população brasileira ao mesmo patamar do que já se projetava para o Brasil aos olhos do mundo.
   A timidez com que os projetos educacionais foram assentados nas letras da lei ao longo de toda a história da nação já demonstrava que o Brasil viveria o descompasso entre a imagem do país e o nível de seu povo, como ocorre até hoje.
   Toda vez que as leis educacionais eram modificadas o objetivo era sempre de atender aos interesses do sistema, de inserção de parte da população aos meios de produção, seguindo a meta de qualificação de uma parcela significativa para esses fins, sem, no entanto, configurar um projeto que abrangesse toda a massa.
   Da educação básica ao ensino universitário passou-se muito tempo para que mais pessoas fossem contempladas pelas mudanças e conquistas que foram feitas.
   Infelizmente, esse processo foi protelando a formação do cidadão no sentido mais amplo, tanto no acesso ao conhecimento quanto na capacidade de reflexão.
   Quando o governo federal começou a facilitar o ingresso das camadas menos favorecidas à universidade, isso permitiu uma aproximação maior às tecnologias e às informações.
   Faltava, porém, o subsídio que aumentasse a capacidade de observar as coisas ao seu redor, de poder formar opinião a respeito da realidade que nos cerca.
    Por isso, assim como a inserção das disciplinas de ciências políticas, como sociologia e filosofia na grade curricular, essa temática da cultura afro-brasileira no conteúdo programático constitui um grande passo para abrir novas perspectivas, novos conceitos e um novo olhar para o mundo.
    
   

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A consciência é de todos


   Já que é para dedicar um dia especial à consciência negra, usemos esse tempo pelo menos para refletir sobre como se deu esse processo de exclusão ao longo desses séculos no Brasil, onde a miscigenação de elementos culturais seria suficiente para impedir qualquer expediente de separação dos meios e dos atores.
   Na verdade, já há esse entendimento de tudo que ocorreu e seus efeitos no seio da sociedade. O que chama atenção são as oportunidades que a sociedade vai perdendo de criar mecanismos que interrompam as práticas comprovadamente danosas à população negra do Brasil.
   Hoje, algumas políticas públicas como Bolsa-Família e sistema de cotas, ainda que remexam alguns números dos indicadores sociais, não são suficientes para resgatar uma grande dívida que o poder público tem com a comunidade afrodescendente.
  O próprio sistema político ainda paternalista, resquício do Império e da Colonização, é extremamente excludente porque ainda adota prioridades no tratamento dispensado às camadas, estratos e segmento sociais, com prejuízos extremos à população negra, seja nas relações de trabalho, em políticas educacionais, nos códigos de convivência e na interpretação das leis, quando há confronto de classes na esfera jurídica.
    Por mais que surjam instrumentos voltados à inclusão e sanções contra quem atente à integridade moral  dos negros, no convívio social ainda é possível registrar alguma forma de retaliação a qualquer manifestação que remonte da cultura africana.
   Os relatos de repulsa e ofensas às religiões afrodescendentes constituem hoje o que há de mais grave, considerando que através dessa manifestação a cultura negra contribuiu enormemente para a formação da cultura brasileira como um todo.
   Hoje, o que mais se conhece sobre a presença dos negros no Brasil são as situações degradantes daquela população, como a escravidão, os conflitos envolvendo os negros e os atuais incidentes de ofensas no nosso cotidiano.
   Está mais do que na hora de a sociedade conhecer as outras formas que caracterizam a riqueza de tudo que os negros produziram na sua origem. E a única forma de disseminar esses conhecimentos é através da educação, incluindo na grade curricular, começando, já, na educação básica, a história e a origem de toda a cultura afrodescendente, que se confunde com a própria história da humanidade.
   Seria um mecanismo eficaz para erradicar o ódio a quem também é belo e nobre; uma forma de inaugurar a compreensão ao outro; de cultuar as diferenças entre povos e culturas através do amor e da tolerância.
   O mundo será outro no dia em que essa lacuna for preenchida.
    

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Rede de linchamento social

   Outro dia, um sujeito estava procurando nas redes sociais uma ilha deserta para se refugiar das dores do mundo e da banalização da violência sistematicamente caracterizada nas falas, enfim, nos relacionamentos nesse novo meio social.
   O escárnio e tom malicioso de sua reivindicação não deixou, porém, de revelar o desespero de alguém que, como todos nós, vive às voltas com um novo modelo e ambiente de linchamento social.
  Se a violência também tem seus contrassensos, não deixa de ser bizarro que alguém busque conforto e sossego em meio a tantas atribulações, principalmente no Facebook, onde imperam as mais diversas nuances de enfrentamentos. É como se o sujeito procurasse no inferno soluções para se viver no paraíso.
  É claro que não havia garantias de que esse entrelaçamento de ideias e de gente fosse o maior congraçamento do globo terrestre. Como já especulavam os teóricos, o choque era iminente e seus desdobramentos não seriam diferentes do que se confirmou na grande rede.
   Triste disso tudo é constatar que os eventos de revezes, percalços, tragédias e outros dissabores da vida humana têm mais audiência que os eventos pacíficos.
   É mais fácil esfacelar, criar conflitos e discórdia do que promover a paz. Até os fatos mais burlescos e inusitados descambam para o confronto, porque tem sempre alguém para desqualificar quem está em evidência, seja em situação desfavorável ou de conforto.
   Como bem profetizaram os especialistas, essa conexão global desenhou um novo mapa e criou outras fronteiras. E por incrível que pareça, essa interatividade constante dimensiona mais o aspecto individual que o coletivo, o que provoca mais racha, discussões e o que é pior, a exclusão, o separatismo e a intolerância com requintes de preconceito e discriminação.
   Portanto, não existe mais ilha deserta. O anonimato, o sossego, a paz ainda que relativa e o isolamento estão nas ruas, onde ninguém se entrelaça, apenas se esquiva um do outro. Pode se estar sozinho numa multidão, desde que não esteja conectado.

domingo, 16 de novembro de 2014

Efeitos do mensalão

Roberto Jefferson não deve fazer pronunciamentos públicos em horário de trabalho, adverte Barroso 

 Se o processo do mensalão não trouxe para a sociedade a solução para todos os males que  a administração pública vem há muitas gerações e gestões praticando em detrimento da coisa pública, seria interessante que pelo menos provocasse discussões e alertasse a população sobre o que de fato precisa ser executado para reverter esse quadro caótico de malfeitos no país, que, claro, não se restringe à atual situação política.
   A entrevista que o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, deu ao jornal O GLOBO não traz nenhuma novidade quando o magistrado diz que a lei foi cumprida e que a justiça não pode seguir a paixão, o ódio e o sentimento de vingança que a população alimenta.
    Mas quando ele sugere mudanças profundas no sistema político, com ênfase no processo eleitoral, há ai um alinhamento direto ao discurso da presidenta Dilma Rousseff que já sinalizava com proposta de reforma política enviada ao legislativo e rapidamente rejeitada pela Câmara, onde certamente está a origem de todas as incertezas que cercam esse cenário.
   O que é preciso deixar claro é que cada vez que se avolumam essas suspeitas e registros de escândalos que a Polícia Federal vem revelando na Petrobras, a mídia em vez de mudar a narrativa, exaltando os feitos do executivo em destrinchar o caso, estampa em suas manchetes a ideia de que a corrupção é uma marca apenas do governo federal.
   Portanto, é animador que um agente do poder judiciário venha manifestar à opinião pública a necessidade de um amplo projeto de mudanças profundas no atual sistema político como forma de adequar a legislação à realidade presente.
   Luís Roberto Barroso disse alto e em bom tom que se não houver mudanças no sistema político, o financiamento de campanhas continuará sendo o cerne de todos os escândalos políticos do país. Para quem não se lembra, esse foi o ponto principal das explanações da presidenta sobre seu segundo mandato.
   Cabe agora ao Poder Legislativo levantar a bandeira que tanto Luís Roberto Barroso quanto Dilma Rousseff já empunham para evitar que o jogo seja jogado assim dessa forma.

domingo, 26 de outubro de 2014

Carta aberta à presidenta


    Excelentíssima senhora presidente do Brasil,


   Mesmo que essa eleição não tivesse os contratempos ao longo de toda a campanha, os brasileiros já teriam a noção do quão é difícil governar uma nação de dimensões continentais.
   Apesar de um universo considerável ter fechado os olhos para as conquistas que foram alcançadas sob sua bandeira, a maioria que agora comemora esse triunfo sabe perfeitamente que os indicadores sociais que começam a ser remexidos precisarão de um tempo suficiente para surtir o efeito desejado e trazer os resultados que se esperam há muito tempo.
   Daí a necessidade de continuar esse trabalho que V. Excª. vem desempenhando e que pode ainda ser estendido a uma outra parcela que ainda não foi beneficiada, o que certamente vai contribuir para diminuir essa diferença gritante entre uma parte excluída  e a outra que tem mais comodidade para usufruir de tudo que o Brasil produz.
    A população brasileira sabe que todos os partidos políticos têm suas incongruências, inclusive o PT, tanto que as manifestações do ano passado foram completamente apartidárias, o que demonstra a crença de que uma figura política de bom senso e boa-fé pode facilmente implementar um grande projeto para o país à margem de qualquer malfeito que venha eventualmente manchar a trajetória de uma legenda.
   Muita gente já notou, presidenta, que a oposição só fez todo esse barulho por que não se conforma com seu grande feito. Incluindo a imprensa com toda aquela imparcialidade, tudo que foi disparado em direção à chefe da nação teve o claro propósito de desqualificar essas poucas mudanças que já começam a aparecer. Havia sempre a intenção de tornar sem efeito o pouco que já foi posto em prática.
   É nítido, presidenta, que para essa gente a miséria é algo inextinguível, fadada a se perpetuar na realidade brasileira. E a sua história de luta contra a desigualdade lhe dão respaldo suficiente para prosseguir nesse projeto que é o ideal de qualquer figura pública que queira tornar o Brasil mais justo.
   Pode-se dizer com toda segurança, presidenta, que as vacilações de alguns membros de sua bandeira não vão impedir que V. Excª prossiga com esse grande projeto e realize um lindo sonho. Acreditamos que a presidenta vai utilizar de todos os recursos, órgãos e autoridades competentes para reprimir e colaborar para que tudo seja esclarecido e enquadrado na forma da lei vigente no país.
   A maioria da população brasileira que optou por sua permanência nesse importante projeto de reconstrução nacional reconhece as dificuldades de quem depende de outros fatores, justamente por vivermos uma democracia, onde os outros poderes constituídos também têm a responsabilidade de conduzir e fiscalizar a coisa pública.
   Por isso, presidenta, por todo seu histórico de luta, acreditamos que V. Excª. vai continuar com todo o esforço que o poder público precisa imprimir para diminuir cada vez mais essa diferença entre camadas e estratos sociais distintos.
   Os brasileiros de uma forma geral, incluindo aqueles que não abraçam sua causa e nem levantam sua bandeira, certamente presenciarão resultados satisfatórios de tudo que começou a ser executado por V.Excª no plano social.
   O seu empenho e dedicação com as coisas do Brasil não lhe permitirão alimentar o ódio de outros segmentos da sociedade, da mídia impertinente e da elite escravocrata por sua postura de grande líder dos brasileiros.
   O  Brasil está acima de tudo, presidenta. Estamos com você.
 
 
 
       

sábado, 25 de outubro de 2014

A cartilha

   Todo desejo de mudança tem mais garantia de sucesso e resultados imediatos quando todas as partes envolvidas no processo eleitoral tem um comprometimento à altura do que precisa ser discutido e executado.
   Ao mesmo tempo em que aumentam as urgências e necessidades de um pleito para o outro crescem também os recursos e alternativas para uma interação maior entre os principais personagens desse processo.
   Pelo comportamento ao longo de toda a campanha eleitoral, todos os atores ainda estão longe de contribuir para a excelência do processo eleitoral. 
   Não chega a ser surpresa que a massa votante tenha reproduzido com todo o realismo as escaramuças entre os principais postulantes da corrida presidencial e da campanha para governador. No cotidiano dos eleitores, incluindo as concorridas redes sociais, a extensão da batalha campal dos debates televisivos que se seguiram.
   Por tudo que aconteceu nas manifestações pelo país, esperava-se que a classe política endurecesse e enriquecesse mais o debate com vista a todos os itens reivindicados nas ruas durante os protestos.
   Os próprios eleitores, em sua maioria, também não traduziram nas urnas todo o barulho das passeatas, já que algumas figuras que foram achincalhadas durante as manifestações, agora, mesmo longe dos holofotes, vão conseguindo emplacar seu sucessor ou projetar seu herdeiro para o Legislativo.
   E se uma parcela significativa da população mostra toda sua controvérsia e bipolaridade na hora de decidir seu próprio destino, um universo considerável de candidatos também contribui para manter acesa a chama do contrassenso que ainda impera no meio político.
   Um exemplo que ilustra perfeitamente esse cenário é a definição do termo mudança, que há muito tem interpretações completamente diferentes do que sugere a velha cartilha. Algo novo representa uma coisa, se o sujeito quer tornar públicas suas malfadadas propostas, ou outra, se o objetivo é apenas desqualificar seu oponente.
   E nesse curso de águas turvas a imprensa se faz presente com o mesmo espírito de sempre: direcionando desejos e vontades e alimentando as rusgas do sufrágio universal com o denuncismo em capítulos, feito folhetim, até esgotar por completo algo que não lhe convém.
   É condenável qualquer ação que interrompa ou intimide a atuação da imprensa, com riscos para a própria  democracia, mas é triste constatar que a mídia não utilize todos os recursos tecnológicos inovadores de que dispõe, além da deontologia que cerca a atividade da imprensa, para engrandecer o que parece ser o momento mais importante da vida social dos brasileiros.
   

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Nas barbas de Marx

  Certamente as teorias de Karl Marx não foram exaustivamente pesquisadas, analisadas e compreendidas com o objetivo de soluções que viessem num futuro próximo erradicar o velho conflito de classes que norteia as relações humanas em todos os quadrantes do planeta.
   Hoje, quando vemos essa distância entre os dois extremos é até fácil suspeitar que a própria globalização está em frangalhos por conta dessa discrepância que o sistema criou, ou seja, as oportunidades diferenciadas para cada camada e grupo social.
   Não causa mais surpresa que algumas nações como o Brasil não se tornaram prósperas por não terem feito o esforço necessário para dispensar às classes menos favorecidas os benefícios que a elite usufrui com mais comodidade.
   O que salta aos olhos é que no momento em que o governo federal começa a reverter esse quadro caótico e minimizar seus efeitos, como premissa básica para o desenvolvimento do país, a elite brasileira começa a criar mecanismos e ensaiar discurso que desconstrua ou, pelo menos, prorrogue a construção de uma nova era no Brasil.
   De acordo com relatório da ONU, o Brasil superou a Meta dos Objetivos do Milênio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura e se tornou uma referência no combate à fome, destacando os programas Fome Zero, Bolsa-Família e o Plano de Aquisição de Alimentos como políticas públicas essenciais.
   Só que em conversas informais nas ruas, nos transportes e nas redes sociais não é difícil perceber que essas conquistas ainda são coisas intragáveis para outros segmentos da sociedade. São explanações completamente excludentes com requintes de preconceito e discriminação que sintetizam perfeitamente a visão escravocrata que ainda impera na era contemporânea.
   É como se a miséria fosse algo inextinguível, fadada a se perpetuar no tecido social. Deve ser por isso que as obras de transposição das águas do Rio São Francisco se arrastam, sem perspectiva de conclusão. O empreendimento fere interesses de gente que não vê com bons olhos o êxodo urbano e a possibilidade de novos horizontes para o semiárido e cercanias.
   Deixando de lado as incongruências do PT e do PSDB, a composição do segundo turno da corrida presidencial reproduz fielmente esse embate, como mostra, inclusive, o mapa das intenções de voto dividindo o país em dois grupos historicamente distintos pelas oportunidades dispensadas a ambos.
   Nas barbas de Marx, o fantasma do velho mundo e suas implicações no destino do Brasil.  

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Brasil acima de tudo

Divulgação

  Campanha eleitoral chegando em sua reta final e a triste constatação de pouco ou quase nada de novidade com relação aos pleitos anteriores.
   Por tudo que aconteceu no cenário político nesses tempos que antecederam as eleições, manifestações populares, suspeitas e confirmação de escândalos políticos, havia a expectativa de que esse processo eleitoral tivesse outra configuração, tanto por parte da massa votante, ainda extremamente  ligada ao aspecto individual, como em relação aos principais postulantes que não aproveitaram a oportunidade que tiveram para discutir as principais questões que nos últimos tempos estiveram no centro das reivindicações populares e se tornaram as mais urgentes para a realidade brasileira, optando os candidatos ao confronto de cunho pessoal e não de ideias.
   Nesse sentido, o enfraquecimento do debate político vai adiando tudo que precisa ser construído nas cidades, nos estados e no país.
  É claro que foram abordados os principais temas do cotidiano da população, mas as respostas, os discursos pairaram na mesma superficialidade de sempre, sem soluções que pudessem reverter o quadro caótico dos serviços públicos.
   Agora é torcer para que essa polarização entre o PT e o PSDB traga resultados promissores para o futuro do Brasil.
   Porque já não é saudável para o país que a alternância de poder entre ambas as siglas proporcione conquistas diferenciadas para as camadas da sociedade. E a predominância de um só partido no centro do poder, mesmo com as alianças consolidadas, não pode enfraquecer as discussões, para as quais outras correntes políticas pode contribuir.
   Não há dúvidas de que ao longo dessas gestões, tanto o Partido dos Trabalhadores quanto o PSDB proporcionaram mudanças significativas para o Brasil. É evidente que o PT com Lula e Dilma diminuíram o nível de pobreza e abriu maiores oportunidades para as classes menos favorecidas, assim como o PSDB com o assentamento do Plano Real e os programas de privatizações que trouxeram benefícios para o país.
   Para quem acompanhou os debates e a propaganda eleitoral, estes pontos foram sistematicamente mencionados nas falas de Dilma Rousseff e Aécio Neves com infindáveis e inúteis bate-bocas, sem que isso configurasse um fato novo para o eleitorado.
   Pelos últimos registros de malfeitos nas fileiras dos dois partidos, há contas a serem acertadas com a sociedade brasileira, independente de quem vai vencer o segundo turno, como forma de mostrar para a opinião pública que as siglas em questão podem perfeitamente renovar e fiscalizar seus quadros para que não se repitam velhos erros.
   Imunes a todos esses contratempos de suas legendas, de um lado a experiência de quem já exerceu outros cargos públicos, fazendo de Aécio Neves uma referência dessa nova geração política que precisa estar comprometida com o povo brasileiro uniformemente. De outro, Dilma Rousseff, cujo passado de luta a credencia a continuar remexendo os indicadores sociais, como ficou evidente em seu primeiro mandato.
   De qualquer forma, os grandes projetos para a nação não podem ser interrompidos por contendas políticas, porque o Brasil está acima de tudo.