sexta-feira, 4 de maio de 2018

As cinzas do descaso

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   Já foi o tempo em que os velhos "paus de arara" intensificavam o movimento migratório para os grandes centros urbanos do país. Se hoje o êxodo rural já não tem o mesmo fluxo de outrora, ainda que em outros meios de locomoção mais modernos, os efeitos dessa concentração nas grandes metrópoles são cada vez mais visíveis.
   A tragédia que marca a vida das pessoas quem vivem de ocupações irregulares vai muito mais além da queda do edifício que desabou em São Paulo. Por entre as cinzas e os destroços revela-se uma mazela que se arrasta faz tempo: o inchaço das grandes cidades.
   Por ser o destino final da maioria daqueles que fugiram da seca nas regiões norte e nordeste do Brasil há décadas passadas, São Paulo hoje registra os piores indicativos para o déficit habitacional que acomete outras cidades que também se tornaram o destino dessa massa de retirantes.
   Como bem declarou o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, após o incêndio e queda do edifício do Largo do Paissandú, se existem mesmo cerca de 70 prédios públicos invadidos e habitados irregularmente na capital paulista, o desafio para solucionar o problema certamente é maior do que se imagina.
   No caso específico do prédio que caiu, muitos moradores daquela unidade já tinham sido deslocados de outra comunidade também destruída por incêndio, o que demonstra a falta de interesse do poder público para solucionar o problema.
   Se antes não havia nenhum programa que abarcasse essa massa que veio para ficar, as administrações que vieram depois também não criaram nenhum mecanismo que adequasse a prestação dos principais serviços públicos à nova demanda que só aumentava cada vez mais. Por isso que além de escola e hospital, não há casa para todo m,undo nessa metrópole chamada São Paulo.
   E aquele velho jogo de empurra só piora a situação, pois, além dos governos estadual e municipal, a esfera federal também tem sua cota de culpa e responsabilidade.
   Na época em que se intensificava o fluxo de migrantes provenientes de regiões afetadas pela seca, as administrações da cidades de origem não tinham condições  de assentar seu próprio povo, e o governo federal, ciente da urgência de um grande projeto para fixar o homem do campo em seus domínios, não teve força e vontade política para implementar, por exemplo, a obra de transposição da águas do Rio São Francisco, que até hoje se arrasta por força do choque de interesses políticos nas localidades contempladas pelo empreendimento.
   Por conta disso, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais do país tiveram crescimento demográfico desproporcional à oferta de serviços públicos à população.
   Dentro do espectro das ocupações irregulares, apenas a questão do déficit habitacional se destaca, mas é claro que a reboque disso a precariedade dos demais serviços vem à luz dessa realidade.
   As comunidades carentes de todos os centros urbanos do país ilustram perfeitamente esse cenário, onde a exclusão e o descaso norteiam a vida das pessoas dessas localidades, que só diferem de imóveis habitados irregularmente pela dimensão maior, pela geografia, mas com a mesma distância do poder público, demonstrando que o déficit habitacional nos maiores centros urbanos do Brasil é muito maior do que se parece. 

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cinema Novo

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   Se por um acaso Nelson Pereira dos Santos não tiver deixado seguidores nesse nobre ofício de fazer cinema, certamente a sétima arte no Brasil ficará mais pobre do que já está.
    No velório do cineasta estiveram presentes outras referências do cinema brasileiro que conviveram e aprenderam com Nelson Pereira dos Santos como fazer cinema com mais engajamento, mais comprometimento que qualquer manifestação cultural deve ter.
   O Cinema Novo nasceu da Semana de Arte Moderna de 1922, o mais importante movimento cultural brasileiro, que pregava o desapego total e irrestrito à cultura europeia, reivindicando, a partir de então, a introdução de elementos da nossa cultura em produções de qualquer vertente artística no país.
   E Nelson Pereira dos Santos entendeu bem o recado dos líderes do manifesto de 22, dando ao cinema brasileiro a mesma estética que embasou as artes plásticas, a música e a literatura no Brasil.
   Seguindo a linha de que a arte traz em si uma mensagem, Nelson Pereira dos Santos implementou o projeto de politização do cinema com produções de conteúdo crítico. Abordando temas importantes da realidade brasileira, retratou com realismo questões sociais, religiosidade, cultura de massa e indígena.
   É nesse sentido que Nelson Pereira dos Santos deixou como herança a proposta de denúncia de questões inerentes ao Brasil e a seu povo, o protesto de causas sociais importantes, como ficou explícito em seu "Vidas Secas", o que, não só confirmou a identidade brasileira estampada nas películas como também projetou o cinema brasileiro no cenário internacional.
   Seu primeiro trabalho, Rio 40 graus, de 1955, foi considerado o marco inicial do Cinema Novo. Depois disso, todos os filmes do cineasta se destacaram para os críticos, em especial, além de "Vidas Secas", "O amuleto de Ogum" e "Memórias do Cárcere".
   Assim o cineasta contribuiu enormemente para que tivéssemos essa excelência aos olhos de outras praças de importantes produções cinematográficas.
  Espera-se agora que surjam outras gerações com o mesmo engajamento de Nelson Pereira dos Santos. Não faltam materiais e trabalhos como referência à futuras produções com a estampa do cineasta.
  São obras que certamente servirão de referência a quem pretenda dar continuidade ao grande projeto de Nelson Pereira dos Santos de fazer do cinema brasileiro o que a arte como um todo deve ser: comprometida com as coisa do Brasil e sua gente.
  O Cinema Nacional precisa reviver esse boom, resgatar essa estética, voltar a reproduzir a essência da realidade brasileira. Há que surgir alguém que incorpore no circuito o espírito de Nelson Pereira dos Santos.  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Nada de comemoração


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  Não há nada a comemorar. A condenação e a consequente prisão do ex-presidente Lula, ao contrário do que muitos pensam, não abre novos horizontes para a política brasileira. Muito pelo contrário, evidencia até com mais clareza o retrocesso de todo esse estado de coisa.
  Esses recursos, esses caminhos cheios de atalhos que a justiça percorre, apesar de legítimo, demonstra também o quanto o Judiciário ainda precisa se reformular de modo que suas decisões e veredictos se adequem à realidade atual.
   Assim como os outros poderes constituídos, o Judiciário brasileiro também está longe de contribuir para a excelência da vida brasileira, sendo que até agora ninguém moveu uma palha sequer para reverter esse quadro de corrupção que assola o país.
  Toda essa movimentação e a expectativa sobre o julgamento do habeas corpus ao Lula envolveu a sociedade tal qual uma final de campeonato, em que o antagonismo entre a população dividida, infelizmente, produziu tantas discussões quanto o embate de ideias e argumentos entre os ministros do STF.
  Com certeza, muita coisa ainda vai acontecer nesse tabuleiro em forma de labirinto, onde tudo ainda é incerto, haja vista essa indefinição quanto à prisão antes ou depois de condenação em última instância.
   Apesar de os holofotes da mídia e da opinião pública estarem apontados para o Judiciário nesses últimos tempos, é bom lembrar que as outras partes também são importantes quanto a tudo que se passa na Suprema Corte.
   Não deixa de ser positivo o envolvimento da população, ainda que não esteja unificada em torno de um só ideal, em prol de um Brasil comum a todos. Com as eleições se aproximando, é hora de a população fazer a sua parte, talvez a parte mais importante, pois, a é vida brasileira que está em jogo, e o eleitor tem de estar atento e vigilante, e não permitir que políticos envolvidos em malfeitos continuem sob o manto do foro privilegiado, impedindo que a justiça os prenda como deseja a sociedade.
   Tão importante quanto à corrida presidencial, a composição do próximo período legislativo, com outras peças, evidentemente, tem de estar em sintonia com o desejo de mudança que os brasileiros almejam. É essa renovação do Congresso que o eleitor está encarregado de fazer para o próximo período, quando os parlamentares escolhidos terão a missão de resolver pontos importantes como a questão do financiamento de campanha e do fim do foro privilegiado, que até foram trabalhados nesse Congresso atual, mas de forma tímida e ainda com brechas que deixam margem à suspeição em ambos os casos.
   Quanto ao Judiciário, cabe às partes  e cortes envolvidas julgar com inspiração, pendendo sempre para os anseios da sociedade como um todo. Se foge à prerrogativa da justiça seguir o clamor popular, também não lhe cabe se render à pressões de quem quer que seja, além da observância ao tratamento igualitário a todos aqueles que estão sujeitos aos rigores da lei.
   Portanto, não é hora de comemorar, e sim, de união, pois, os rumos que o Brasil seguir será o mesmo caminho que todos terão de percorrer.
   

segunda-feira, 26 de março de 2018

Fogo de palha

  
   Já deu tempo de essa intervenção na segurança do Rio mostrar a que veio, entendendo, claro, que resultados concretos mesmo só num prazo um pouco maior.
   Se o presidente Michel Temer tem mesmo interesse eleitoreiro na empreitada, ou pelo menos sair do Palácio do Planalto pela porta da frente, essa demora em traçar diretrizes para as tropas já à postos só deixa a população ainda mais aflita do que já estava.
   Mesmo que esse projeto de emergência para a segurança tivesse sido planejado a complexidade de toda essa operação já seria evidente. Agora que o general Braga Netto constatou as dificuldades do plano, é a vez de a população questionar alguns procedimentos já adotados, que ainda não causaram o impacto que se esperava.
   Aquela incursão preliminar no Presídio Milton Dias Moreira, em Japeri, com a apreensão de telefones celulares não convenceu a opinião pública de um grande feito. Por que não começar logo pelo Complexo de Gericinó, onde é sabido que presos de alta periculosidade comandam de dentro das unidades práticas ilícitas nas comunidades cariocas? Cadê os tais bloqueadores de celulares?
    Não que a comunidade da Vila Kennedy não tenha as mesma mazelas de outras localidades, mas por que não iniciar essas incursões onde o bicho está pegado de verdade, como Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e da Maré, com baixas frequentes a moradores e policiais em confronto com bandidos?
    Se for para causar impacto e buscar resultados que tragam alento à população, que comece logo onde a chapa esquenta diariamente.
    A bem da verdade, é bom que se reconheça que esse tempo previsto para a intervenção no Rio é muito curto, o que praticamente elimina a possibilidade de sucesso da operação. Ainda que houvesse planejamento para a intervenção, os resultados viriam em longo prazo, considerando a dimensão dos problemas de segurança no Rio de Janeiro, que vão muito mais além das questões técnicas e operacionais.
   Há acertos a serem feitos na área financeira, nesse velho e espinhoso expediente de transferência de recursos entre esferas de governo, o que remete, automaticamente, à transparência de todos os órgãos envolvidos, além, é claro, da vigilância da sociedade a todas essas ações. Isso sem contar que com as mudanças que poderão ocorrer na próxima eleição, não há garantias de que as próximas gestões, estadual e federal, vão dar prosseguimento à intervenção.
    Portanto, são vários os fatores que esfriam qualquer otimismo com relação à intervenção que rola no Rio. O próprio comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas revelou sua preocupação pela incerteza de que os objetivos serão alcançados, acrescentando, porém, a determinação de deixar como legado mudanças nas estruturas da segurança pública do Rio de Janeiro.
    Só que, diante de tanta incerteza e de experiências anteriores da presença de tropas federais nas ruas da cidade, dificilmente essa intervenção militar terá resultados promissores, fazendo dessa operação, tal qual as outras anteriores, o mesmo fogo de palha de sempre.
   

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017 não vai acabar

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 Em todo final de ano são feitos balanços, retrospectiva, cálculos e relembranças de mais um período que se finda. Não seria diferente que em 2017 tivéssemos mais prejuízos a contabilizar do que alguma coisa que possa ter nos feito sorrir de forma solene.
    Não sejamos pessimistas quanto ao ano que vem, mas realistas quando lembrarmos que 2018 terá a mesma face de 2017, considerando que o processo de recuperação ocorrerá no ano seguinte, dando a este período o peso de muito que sofremos até agora.
   É claro que são análises do plano coletivo, porque foi do cenário político que vieram os maiores momentos de angústia para a população como um todo, e a corrupção como a questão mais falada e discutida em todas as esferas de governo.
    Se em outras ocasiões o ano que se iniciava inaugurava novos tempos, certamente 2018 não terá esse estigma de novo horizonte, pois, ainda viveremos os efeitos de todos os contratempos e atropelos desse ano caótico que se finda.
    Como manda a tradição, encerramos esse calendário retirando a última folhinha como viramos as páginas de nossas vidas. Mas por tudo que ficou para trás, mal resolvido, sem uma definição sobre novos tempos e tal, 2018 já surge como uma extensão do ano anterior, como continuação desse período turbulento.
   Não houve elementos e soluções que sinalizassem esse próximo ano como tempos de glória, de conquistas, o que demonstra que vamos penar com a praga da corrupção e seus desdobramentos na gestão da coisa pública.
    Nem as eleições que ocorrerão em 2018 serão uma garantia de outros ventos a soprar em nosso favor, pois, as mesma figuras de sempre surgirão com as mesmas promessas e discursos, sem, contudo, apresentar soluções que impliquem verdadeiras mudanças na realidade das pessoas, dos cidadãos, da sociedade.
    Portanto, o ineditismo do ano que se aproxima se restringe apenas ao novo numeral, sem que isso represente de fato um novo ciclo no atual cenário. Após os fogos, as comemorações, apenas a sensação de bateria recarregada para retomar o rumo que pretendemos, o objetivo que almejamos alcançar, as metas que desejamos cumprir.
    Ao primeiro amanhecer de 2018, as mesmas incertezas da noite anterior, apenas uma pausa para respirar e começar de novo. É como se 2017 não tivesse terminado, apenas se prolongou, tomou uma dimensão maior para que se criasse uma nova perspectiva.
   Então, esse réveillon não celebra uma mudança de fase, de ciclo ou de uma nova era, já que não viraremos o calendário com saldo positivo. As trombetas, os rojões e o tilintar das taças em nenhum momento anunciam novos tempos para a agenda brasileira.
    Que em 2018 haja mais e outros barulhos para reverter esse quadro. 

domingo, 14 de maio de 2017

Lembranças de mamãe

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  Se tinha uma coisa que marcava a personalidade de minha mãe era o seu poder de observação, pelo menos para mim que ficava atento àqueles instantes em que ela observava muito mais além do que seus olhos permitiam enxergar.
   Não que as coisas ao seu redor não tivessem importância, mas dada as circunstâncias e necessidades da época, era comum vê-la pensativa e compenetrada em seu mundo particular, como que a buscar algo, que, pelo menos ali, naquele momento, não estava ao seu alcance.
    Talvez fosse uma reza, uma clemência ou um outro chamamento qualquer que trouxesse soluções para um vazio que parecia existir, uma lacuna a ser preenchida, uma urgência com soluções imediatas.
    Depois que minha mãe se foi demorou um enorme tempo para eu traduzir aquelas leituras que ela fazia com o olhar voltado para o nada e a cabeça fervilhando a todo instante. Foi quando eu percebi que naqueles rompantes de isolamento e concentração absoluta ela buscava providências para a escassez das coisas materiais, porque naquele tempo a única coisa abundante era a infância feliz do contato com o chão cru e os brinquedos de fabricação própria.
    Certa vez, enquanto brincava no quintal da casa, eu vi a minha mãe parada ali, próxima de mim, mas completamente alheia à minha brincadeira. Não foi difícil perceber o seu olhar fixo no vistoso mamoeiro do vizinho. Se era impossível saber o que se passava naquela cabeça pensante, é bem provável que aquela penca de mamões verdes pendurados no caule ilustrasse sua imaginação.
    Hoje, passados esses tempos em que a maturidade permite a superação das dificuldades e outros revezes da vida, eu conservo na mente a nobreza de minha mãe nessa velha arte de se reinventar a todo instante, criando sempre novas formas de sobrevivência, tudo em prol de sua prole.
   Com tamanha dedicação e a certeza de seu importante papel era impossível que seus rebentos sucumbissem ao frio, à sede e, principalmente, pela fome, porque seus seios eram fartos o suficiente para que eu me fortalecesse.
    A lembrança que ficou marcada foi justamente a capacidade que minha mãe tinha de reverter um quadro de penúria em algo magistral, verdadeiramente sublime. Naquele dia, meu irmão interpelou minha mãe sobre aquela coisa verde ensopada e caprichosamente temperada como complemento do arroz e do feijão. E ela. do alto de sua humilde sabedoria e inteligência, aconselhou:
      - Coma, meu filho...é chuchu!!!!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Os legados da vida

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   Toda vez que um artista morre eu fico imaginando esse tal mistério que cerca a vida das pessoas, ou mais precisamente, o tempo que cada um dura aqui nesse plano. Eu me refiro aos artistas por estarem mais em evidência, mas claro que outros personagens que estão em constante processo de criação também entram na lista.
    Eu lembrei disso  mais uma vez quando soube da morte de Jerry Adriani esta semana. Um artista que mesmo depois de marcar uma grande época, ainda continuava realizando seu trabalho com novidades em seu repertório.
     Isso vale também para as pessoas comuns que tiveram suas vidas interrompidas pela morte prematura no auge de suas carreiras. Para estes, a expectativa de vida é completamente nula. Se existe um cálculo exato e lógico que determina o fim de um tempo de vida, eles vivem em função da margem de erro, aquele espaço em que tudo é incerto, mas real. É quando há a possibilidade de grandes conquistas, seja no plano profissional ou pessoal.
   Mesmo depois do apogeu, ainda há a necessidade de outros feitos. Sem essa de sensação de dever cumprido! 
    Veja quantas pessoas perdem a oportunidade de realizar uma grande obra enquanto respiram. Há um imenso universo de gente que desperdiça a chance de entrar para a galeria dos grandes realizadores. Tomamos como exemplo os políticos que legislam em causa própria e saem pela porta dos fundos nesse cenário em que atuam, frustrando seus herdeiros pela má conduta, e o público que lhes confiou a proeza de um importante marca histórica, sem tampouco desfrutar, no futuro, do prazer de ter realizado algo sublime e grandioso aos olhos de quem os cercam.
    É claro que essas conquistas que fogem de interesse coletivo não contam como júbilo no caso dos agentes públicos envolvidos em malfeitos.
     No plano pessoal só são válidos os sonhos e aspirações de um livro, uma obra de arte, a composição de uma música, a promoção na carreira, a construção de uma família, plantar uma árvore ou praticar o bem, entre outros. São práticas que deixam um legado de fato. É como se escrevêssemos parte de nossa história numa pedra, em vez de na pedra. É isso que basta em nossa vida, seja ela curta ou longa.
    Lamentamos por aqueles que tiveram seus ciclos interrompidos por uma fatalidade qualquer, um tumor maligno, uma bala perdida, uma decepção, um trauma de infância ou falta de coragem para alavancar um projeto.
    Pode ser que os gênios, os nerds, os loucos e outros inteligentes comuns tivessem dado uma nova rotação para o mundo se suas vozes e experiências ecoassem por mais tempo por aqui. De qualquer forma, além dessa incerteza que o mistério da vida vai criando, continuamos aqui convivendo todos juntos e misturado: de um lado, os que correm contra o tempo e se agarram em futilidades; do outro, aqueles que vivem seu próprio tempo e estão sempre deixando um grande legado.