Nos dias seguintes ao fatídico caso do Orelha, a repercussão não poderia ser diferente de toda a dimensão que se formou, que de repente a gente nem sabe se a alma do pobre animal vai ficar sossegada.
Com o registro de mais um caso de crueldade para entrar nos anais da história de absurdo no Brasil, agora o foco é saber como a legislação vigente no país vai interpretar, analisar e punir os assassinos do cachorro.
Pra começo de conversa, é preciso deixar claro a todos, especialistas, palpiteiros, opinião pública, apostadores, votação, plebiscito ou qualquer outro elemento utilizado para fazer algum juízo do caso, que é possível penalizar os agressores dentro do que determina a lei, ou seja, existe lei pra isso.
É isso que traz alento para a sociedade sobre a possibilidade de responsabilizar culpados de eventuais crimes cometidos, seja qual for o delito, os motivos, as circunstâncias, serve para qualquer um...quer dizer, não é bem assim. Existe aí um elemento que pode definir o andamento e desdobramento de todo esse processo que tramita agora.
É que uma grande parcela da população brasileira não acredita que haverá punição aos jovens criminosos, considerando que estes são filhos de gente influente na sociedade, que são ricos, e que dessa forma não serão penalizados, que não vai dar em nada, que nesse país quem tem dinheiro não vai preso e por aí vai.
Não tem como falar dessas coisas com todo aquele cuidado com as palavras, como antigamente, pois isso não é mais novidade no seio da sociedade, nem tampouco nos círculos do judiciário brasileiro. Não é se hoje que a população se indigna quando a justiça, ainda que dentro do que lei permite interpretar, não traduz em seus vereditos os anseios da sociedade por uma justiça verdadeiramente impiedosa com criminosos de qualquer natureza e estrato social.
Em todas as tipificações de crimes previstos na legislação, há registros diversos de casos dessa mesma natureza, em que o martelo sempre bate contrariando o sentimento da opinião pública por punições exemplares e rigorosas.
Da mesma forma que advogados habilidosos encontram brechas dentro dos códigos para livrar seus clientes de eventuais culpas, seja com o velho princípio da misericórdia que beneficia os coitadinhos ou a já manjada carteirinha de maluco, o magistrado também pode entender a demanda da sociedade e atender ao clamor público.
O que não pode é uma parcela da população ficar sempre isenta de punição, porque é do mesmo círculo dos julgadores.
Não há garantia de que se houver uma pressão cada vez maior, ainda mais agora com esse ambiente de rede nessa dimensão, vai haver alguma mudança de rumo na justiça.
Mas seria uma forma de deixar um exemplo para a sociedade, saber que a lei vale para todos, e ainda trazer um alívio para a alma do Orelha.










