quarta-feira, 2 de abril de 2025

ENFIM, ABRIL!


  
    Abriu um tempo que eu gosto muito esse mês de abril. Abriu uma alegria diferente dos outros tempos quando chega abril. É que de repente também abriu essa bobeira em mim pra falar de um jeito diferente do mês de abril.
   Abriu a vez em que o sol é também quente em abril, porque o outono é assim, um outro verão no mês de abril. Então...abriu o sol, eu meto o pé para a praia nesse mês de abril. Eu acho até que muita gente faz isso no mês de abril.
   Ao brilho do sol, ao brilho das manhãs e das tardes, ao brilho dos olhos do mundo parece que a vida recomeça em abril. Eu cismo que é assim que o mundo gira quando entra abril. Às vezes eu até acho que o melhor tempo no mundo é o mês de abril, porque há um brilho diferente na folhinha quando aparece a vez de abril no calendário.
    É assim que eu vejo abril. Há brilho nas coisas, há brilho nas pessoas nesse mês de abril. Simples assim, há brilho no mês de abril. A gente logo sabe que é abril porque certamente tem um holofote apontado para o mês de abril. Por isso que há sempre brilho no mês de abril, tá ligado nesse mês de abril?
    Abril é a nossa sorte no ano, todo ano é assim quando chega abril. Parece até que o ano só começa de fato quando entra o abril, e as pessoas contam nos dedos os dias que faltam pra chegar abril. E quando finalmente chega abril, as pessoas comemoram quando enfim surge o mês de abril.
    Abriu um horizonte diferente, mais reluzente lá no infinito, é abril que chegou. Abriu um amor diferente no peito das pessoas que deixa o mundo com mais luz, é abril que chegou. Enfim, abriu os olhos e vislumbrou um cenário de bonança em sua vida, é abril que chegou.
    Tudo isso e muito mais para exaltar o mês de abril, só porque é abril, principalmente porque é abril.
     Em resumo, abril é um mês tão maravilhoso que a gente fica até bobo.

quinta-feira, 13 de março de 2025

ALVORADA MUSICAL

  

    Não sei se essa dúvida é comum na humanidade, mas eu fico sempre dividido de manhã cedo entre ouvir música ou notícia.
     Nessa pressa por notícias que atormenta geral, há também novas formas de conexão com o mundo, sem que haja essa impregnação, digamos assim, de informação todo dia. São alternativas que ficam a cargo e ao sabor de cada um, vai depender da forma como cada um necessita de estar antenado.
    Mas começar o dia ouvindo música é também envolvente e revigorante, no momento em que você acorda já sabendo o status de notícias que a gente vê já de manhã cedo. Dá uma certa desanimada quando você está espreguiçando ainda e lembra do que ocorreu no dia anterior, só notícia ruim, que vai dar na tv, certamente. Então, pra quê ver tudo de novo?
   É nessa hora que botar uma musiquinha pra fluir o ambiente enquanto você se apronta para mais um dia traz uma energia diferente. E às vezes acontece de tocar justamente aquela música que traz boas lembranças, te lembra de um tempo que deixou marcas, volta no tempo por um instante naquela viagem relâmpago entre realidades diferentes em nossas vidas.
     É claro que não há mal algum em começar o dia bem informado, importante isso, mas ao longo do dia essas notícias chegam pelo celular, todo mundo fica sabendo de qualquer jeito, mesmo não assistindo pela televisão de manhã.
      E na moral, nunca é notícia boa, só treta, violência, acidente, trânsito ruim, roubo, morte. Parece que não dá muito lucro e audiência para anunciante buscar o lado bom das pessoas, das coisas, dos lugares. Só que não. Reunião de pauta dessa gente é ver onde o bicho tá pegando. E os repórteres já saindo pra rua com a faca nos dentes.
    E você que vai correndo ligar a televisão assim que levanta acaba fazendo parte desse cenário que a mídia constrói para você, na maioria das vezes tornando seu dia maçante antes mesmo de encarar o trânsito, suar a camisa e se estressar no trabalho.
    Ou de repente o seu dia seria até de paz e sossego, sem grandes alterações, mas uma notícia desses casos escabrosos por aí tira a alegria do que indicava ser um dia incrível.
    Então, o melhor de manhã é um fundo musical para embalar o seu dia e ao mesmo tempo se desapegar um pouco dessa rotina de redes sociais e televisão como despertador, tipo alvorada de quartel.
    Portanto, aquela música que massageia o seu ego pela manhã, enquanto você degusta seu café, é um bálsamo com a mesma essência de tudo que te alimenta verdadeiramente.
    Porque, é sempre melhor quando o dia já começa com uma trilha sonora.

segunda-feira, 10 de março de 2025

CRIME E CASTIGO

  

   Eu fui obrigado pelas circunstâncias a prosseguir com o assunto do feminicídio por causa dos comentários e mensagens que eu recebi sobre o tema.
    Agora já não é mais sobre como o sistema pode se adaptar à atual realidade. Não é só sobre como as leis chegarão perto de como se comporta a sociedade.
    Agora é sobre como as pessoas querem que as leis se atualizem para fazer as reparações necessárias e consiga frear o ímpeto dos facínoras.
   É bem provável que haja algum obstáculo em todo esse processo de modernização das leis porque no meio dos legisladores pode haver gente que esfola e mata também. Então, não seria surpresa alguma se o velho corporativismo da casa entrasse em ação para não ferir suscetibilidade de alguns de seus pares.
    Talvez isso até explique porque ao longo de toda a história do Brasil a justiça seja um pouco paternalista ao passar a mão na cabeça de vagabundo de toda ordem. Ou até mesmo misericordiosa afagando aqueles que fustigados por um mal qualquer ganham regalias em vez de definhar por completo em suas celas.
    Se o sujeito é implacável para cometer o crime, a lei também precisa ser igualmente implacável. Não pode haver nas letras da lei algum atalho para que ele volte e continue livre no meio social.
    Alguns benefícios como indulto de Natal, progressão de pena por bom comportamento, status de réu primário, prisão domiciliar, tornozeleira eletrônica são bizarrices que só aumentam os números de feminicídio e várias outras modalidades de crime.
    Como o Brasil não tem a cultura de recuperação de delinquentes, eles só pioram, é urgente que eles fiquem reclusos por um tempo que não possam se inserir na sociedade novamente. A pena máxima a que são condenados deve ser cumprida integralmente sem esses penduricalhos de bondade que a lei costuma oferecer à vagabundagem.
     É o rigor máximo que vai evitar a escalada de violência ao nosso redor e ao mesmo tempo servir de exemplo e acabar com a velha impunidade.
    Nos crimes que atentam contra a vida humana, há quem defenda o mesmo destino ao assassino. Para muitos, se a vida da vítima não tem valor algum, também não pode ter a do seu algoz.
    Se isso vai dividir opinião, a discussão deve ter o objetivo e a prioridade de proteger a vida das pessoas de bem. O próprio conceito de justiça tem essa premissa básica.
    Nas praças onde o sistema jurídico se moderniza a todo instante de acordo com o comportamento da sociedade, certamente os números da violência são menores.
    Ou seja, se há crime, tem de haver castigo.

sábado, 8 de março de 2025

UM FOCO NO FEMINICÍDIO



    A gente sabe que falta muita coisa no campo de discussão acerca do universo das mulheres.
    Há progressos em algumas frentes, ainda que de forma tímida, mas com resultados que dão ânimo para que se prossiga com o debate e as mudanças.
     A questão da representatividade também é importante, é a grande alavanca para as mudanças propostas, essas coisas.
    Mas o assunto que mais tem incomodado a sociedade são as tristes estatísticas de feminicídio em todo o país, e isso requer uma atenção maior e mudanças urgentes na atual legislação, cujas letras e códigos são muito arcaicos, por isso não permitem o rigor necessário para esses sucessivos casos de violência, ameaça, repressão e morte de mulheres em todo o pais.
   Se é uma prática que vem se intensificando cada vez mais, então é preciso uma mobilização maior, pois pelos números mostrados a todo instante, já se desenha um cenário de impunidade de um crime bárbaro e hediondo que incomoda e assusta a população.
   É uma esculhambação total para a sociedade ver um sujeito cometer o mesmo crime duas vezes num curto espaço de tempo, porque a própria lei permite a soltura do assassino, sem que medidas cautelares como afastamento e tornozeleira eletrônica impeçam a ação desses delinquentes.
   Igualmente é uma afronta para toda a sociedade ver com mais frequência, como se já fosse rotina na vida das pessoas, aumentarem numa escala monstruosa os registros de morte por feminicídio no território nacional.
    A gente acompanha a transformação desse cenário diariamente e não vê movimento algum para reverter esse quadro. É preciso, já, uma revolução total no Código Penal e na própria Lei de Feminicídio. Todos os artigos, incisos e parágrafos que tratam do assunto são tímidos com penas muito brandas, e em nenhum momento traz as respostas que todos esperam para erradicar esse grande mal que aflige as mulheres.
    Pela gravidade desse crime cruel, era para estar toda uma gama de especialistas, juristas, estudiosos do assunto, a bancada feminina no legislativo, OAB, os três poderes, a sociedade civil, imprensa e demais organizações voltadas ao assunto reunidos numa frente só para tratar do tema com a urgência que a questão exige.
    O feminicídio não pode ser tratado e tramitado dentro do circuito normal com que se desenrola outros processos. É uma questão de fórum especial que sugere mais celeridade, leis super rigorosas e um tribunal próprio para trâmite, julgamento e execução das penas.
      É através dessa seara que se vai permitir comemorar grandes conquistas.

terça-feira, 4 de março de 2025

É TEMPO DE BATER LATA


    O Carnaval como a maior festa popular do Brasil segue firme com toda animação em todos os quadrantes desse país que para seus afazeres, ninguém fala de política, religião e futebol enquanto houver um batuque escoando por aí.
     A parte do carnaval que difunde um pouco da nossa cultura é a que verdadeiramente reforça a identidade do povo brasileiro. É bacana ver a evolução das escolas de samba reproduzindo parte da nossa história, a importância de determinados personagens na cultura brasileira, uma passagem qualquer de nossa trajetória que foi marcante e que deve ser lembrada para que não caia no esquecimento na memória da povo brasileiro.
    É a parte dessa grande festa que revela para o mundo que nos assiste nessa época do ano o quanto somos miscigenados, o quanto é diversa nossa maneira de ser. Até para outros segmentos da própria sociedade brasileira é importante difundir essas diferenças que existem entre nós para que haja mais consciência sobre a diversidade em todos os aspectos da vida brasileira.
    É bacana ver nos blocos toda forma de manifestação de coisas da vida brasileira, a liberdade, a irreverência das pessoas em suas fantasias, de um povo que rala, corre atrás, sofre, ganha pouco, mas se diverte, porque ninguém é de ferro.
    A gente até vê as pessoas, principalmente as de gerações antigas, condenando o carnaval de hoje pela forma como é curtido agora, sem o lirismo, o charme e a elegância de tempos anteriores. Ora, o brilho e a essência do que é o carnaval continua até hoje. Se tem mais violência nas ruas hoje é o poder público que ao longo dos anos não implementou políticas à altura do crescimento da cidade em seu cotidiano, portanto, não seria diferente que num evento grandioso como esse houvesse algum sobressalto.
    De qualquer forma, o mais importante é o carnaval ter sempre ser esse instrumento de integração, de confraternização, de afirmação da cultura brasileira nos seus mais variados ambientes.
    Que haja sempre um olhar mais humano, sem preconceito e separatismo a tudo que pode ser mostrado de forma alegre, divertida e colorida em todas as ruas, nas cidades por todo o país, onde há gente concentrada para curtir o carnaval.
    Em alguns lugares a festa começa antes, como aqui no Rio; em outras, na Bahia, o povo de lá gosta de esticar um pouco mais, qual é o problema? Para quem não gosta de carnaval, não faltam alternativas por aí.
    Mas, seguindo o calendário em todo o território nacional, é tempo de bater lata em todo o Brasil!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

UM NOVO AMOR

  

   Há um vento diferente soprando não sei de onde que a gente nem sabe se será uma daquelas tormentas que espantam os pássaros ou uma brisa que os desenha como pano de fundo.
    Eu acho que ela também veio nesse vento cortante, fortuito e inesperado, porque só isso pode explicar como se deu essa mudança repentina de rumo, de sensação, de tudo que é possível imaginar como sempre fruto de sua chegada aqui nas redondezas e transformar as coisas que eu acreditava como normal até agora.
    Já que eu tive a sorte e a providência de um amor assim tão repentino e transformador, eu vou embarcar nessa nova onda, porque eu na verdade queria muito fazer essa viagem, esperei até muito, e vinha há muito tempo pedindo que meu coração passasse a tocar música em vez de escrever aqueles garranchos na folha de papel.
    Para quem deseja que sua vida, seus pensamentos e desejos tenham uma trilha sonora, eu tenho motivos para comemorar esse arrebatamento, essa mudança de rumo, esse verão que tem todas as estações do começo ao fim, onde há poesia na tempestade, no calor sufocante, na chuva torrencial; até no frio, quando rolar, vai ter poesia, porque é assim que eu vejo a natureza e o mundo depois que ela trouxe esse amor pra eu sentir e grudar no peito.
     Agora, o desafio que eu abraço é morar pra sempre nessa casinha e ter sem parar essa sensação maravilhosa que ela me causa, assim como a capacidade e a força que eu vou precisar para retribuir a atenção, a preocupação, o cuidado, o zelo, além, claro, do olhar revelador, do abraço que mais parece uma coberta aconchegante, do beijo que desliza até a alma da gente, esses corpos nossos que parecem um só por dentro e por fora, sedentos e envolvidos num só espaço.
     A realidade de um novo amor se confunde com a coragem de manter essa chama acesa, de querer estar perto dela a todo instante, de sentir saudade e querer o seu bem a qualquer custo. A realidade de um novo amor é a chance do recomeço, porque não é sempre essa oportunidade, só para os predestinados como eu me sinto nesse verão. A realidade de um novo amor é a inteligência de não repetir velhos erros e preparar o espírito para novas descobertas. A realidade de um novo amor é mudar a atitude pra que ela tenha a mesma força e sentido das palavras, é assim que parece durar para sempre um grande amor.
    É assim que eu quero que seja o meu novo tempo, agora que ela veio para ser o meu novo amor.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

RIO CHAPA QUENTE

    

   O ano começou um dia desse, quer dizer, mês passado e 2025 já está bombando, que parece até que já estamos na metade do ano de tanta efervescência num curto espaço de tempo.
    Aqui no Rio de Janeiro, então, a chapa está esquentando em todos os sentidos. A paz do cidadão sendo posta à prova constantemente com a bandidagem esculhambando geral em toda a geografia da cidade e as pessoas ainda tendo de conciliar sua vida cotidiana com a fuga desse fogo cruzado.
   E quando o cara vai se acostumando com essa loucura toda vem esse calorão pra desnortear ainda mais o sossego que a gente consegue driblando daqui e dali, mas que por um momento dá uma balançada no expediente, porque ninguém resiste por muito tempo esse maçarico apontado para o Rio, mirando todo mundo e acertando o alvo. Vê se me erra, meu rei.
    Na rotação do planeta, parece que a cidade maravilhosa é a que tá mais perto do sol, vai vendo. Eu acho até que a Terra nem tá girando, porque a gente não sai de perto dessa bola de fogo aí na frente.
     Se a gente precisa se acostumar que a Terra como um todo está esquentando, vai ficando cada vez mais difícil imaginar que isso é uma constante em nossas vidas, no momento em nem o cérebro parece funcionar direito. Eu vejo as pessoas falando coisa com coisa, achando que a Covid deixou sequelas, mas pode ser dessa fornalha também.
    Fui falar do calor para um amigo e ele explicou que não se pode pensar que isso tá acontecendo, basta imaginar que essa perturbação climática, essa comichão que dá pelo corpo, que essa ebulição da pele com os músculos e ossos, tudo junto, não surte efeito algum em nosso corpo, no que eu logo percebi que o amigo já está sofrendo as consequências do verão escaldante em sua mente, que, claro, deve sofrer alguma alteração naqueles fiozinhos que ficam estalando dentro do crânio, pulsando de uma forma diferente, modificando o trânsito de sangue e oxigênio, afrouxando algum parafuso, sei lá.
    De repente, se alguém achar que isso que escrevo é meio ou todo sem sentido, pode ser que eu já esteja também um tanto quanto leso das ideias com o vapor que a alma não impediu que invadisse meu ser pensante. Já vou adiantando que eu não era assim antigamente. Eu gostava tanto de calor, que eu fazia propaganda do verão, o que pode se revelar como autênticos os diagnósticos que certamente farão de mim sobre loucura ou qualquer outro desvio mental.
    Vamos agora esperar no que vai dá essa mutação, essa chapa quente na vida das pessoas.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

UMA ROUPA NOVA PRA VOCÊ

   

    Mais um ano terminando e aquele velho balanço sobre o período que a gente sempre acha que foi turbulento, sinistro, essas coisas.
    Não chega a ser o fim de um ciclo, apenas a página do calendário dando lugar a outra que vem depois e a vida continua.
    Embora haja balanço positivo de mais um ano, não dá pra dizer que foi calmo e sereno, pelo contrário, sempre tem atribulações no percurso. Acho até que isso dá até motivos a mais para comemorar depois, quer dizer, tirar onda com mais fervor.
     Eu, particularmente, além da agenda normal, dediquei mais tempo pra mim. As pessoas de bem estão sempre disponíveis ao próximo, olhando o mundo ao redor, mas esquecem um pouco de si mesmo. Isso já me ocorria há tempos, mas chega uma hora em que aparecem os sinais desse olhar mais intimista, digamos assim.
    Antes mesmo de algum especialista, guru, pai de santo ou outros conselheiros de plantão te darem o bizú sobre essa necessidade, eis que de repente você sentado lá nas pedras, vislumbrando a maré ou fumando aquele cigarrinho no intervalo de uma transa, ou talvez até chateado com alguma resenha, enfim, aí aparece uma luzinha naquele breu dos olhos fechados, te clareando a mente pra você se ligar mais em seus projetos.
     Não que você abra mão do seu lado mais humano e solidário, mas apenas equilibrar a balança e passar a puxar as atenções para seus propósitos particulares. É uma satisfação muito grande quando a gente descobre uma capacidade ainda maior. Que bacana descortinar esse horizonte só nosso e desbravar nosso mundo particular, nossa selva de pedra, nosso paraíso escondido há décadas.
    É claro que isso não vem de conversa com médico nem dessas soluções que as redes sociais ficam te empurrando constantemente. Esse monte de terapeutas que vivem invadindo a tela do seu celular estão longe de trazer as soluções que seu ego precisa para sobreviver. Eles apenas complementam o que já faz aquela gente muquirana que nos perturba a vida inteira, vizinhos, parentes, torcendo contra e jogando para o universo o fracasso dos outros e o seu também no mesmo pacote.
    Ano que vem eu prometo que vou ampliar ainda mais esse projeto, não sei o dia nem o mês. Vou ter de conciliar com minhas outras preocupações e responsabilidades, não esquecer de pagar as contas, mas incluir meus dramas, conflitos e sonhos na mesma agenda, para dar aquela impressão de que é sério essa minha mais nova reviravolta.
    Não há um prazo certo para essa empreitada, porque no meio do caminho aparece sempre um b.o a mais pra você resolver. Mas desde que esteja dentro da margem de erro, pra mais ou pra menos, a garantia de você estrear uma nova roupagem é certa.
    Vamos que vamos.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

A MESMA INCERTEZA DE SEMPRE



  Toda vez que essa gente se reúne para fazer acordo, traçar planos e diretrizes visando novas forma de governança, há sempre uma expectativa de algo que possa efetivamente promover mudanças no mundo, diante de tantas necessidades, mas sem garantia alguma de que haverá, de fato, grandes transformações.
    O próprio documento que eles assinam ao final do encontro deixa bem claro o caráter facultativo das intenções de cada um em botar em prática os itens propostos no acordo.
    Seja na área econômica ou na questão ambiental, a boa vontade de cada nação esbarra em seus próprios interesses. Basta olhar desde os primórdios desses encontros, fóruns econômicos e debates sobre meio ambiente, em que níveis estão as metas que cada um se comprometeu atingir dentro do prazo estabelecido.
    É prematuro dizer que o G20 terá o mesmo desfecho, ou seja, a mesma incerteza de encontros anteriores. Até porque, é animador saber que o debate sobre a fome, uma mazela que assola milhões de pessoas no mundo, ganha essa dimensão toda, mas é preciso distinguir como o tema é tratado em nível global até hoje, já que é a FAO que cuida do assunto e tem lá suas dificuldades pertinentes a cada região que o órgão assiste; e o tratamento que cada nação vai dispensar à questão da fome dentro da agenda interna de cada país.
    Com base na própria realidade brasileira, a fome vem atrelada a outras questões como déficit habitacional, falta de saneamento básico, coleta de lixo e a violência que realça ainda mais o cenário dessas regiões com miséria em larga escala.
    É dentro desse cenário que o governo brasileiro, os estados e os municípios devem sempre adotar políticas para diminuir os números dessa mazela, como bem sugere o documento do encontro, não seria diferente.
    No mais, o G20 discorreu sobre as velhas propostas para mudanças climáticas, tema recorrente, e uma eventual mudança na governança global, ou seja, outro item complexo, que certamente vai gerar interpretações de toda ordem entre os participantes, o que mais uma vez põe em xeque o sucesso de mais um encontro.
    O certo seria a gente estar falando sobre esses eventos com perspectivas bem positivas com relação ao futuro, mas ainda não há indícios dessa possibilidade.


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

NO LIMITE, NA MEDIDA

 

 Toda vez que a gente altera nossa agenda, acrescentando ou eliminando hábitos, é uma mudança de rumo também, porque desenha um novo caminho, uma trilha diferente daquela percorrida todos os dias, já quase parecendo até um modelo ideal a ser seguido para todo o sempre.
    Só que não. A monotonia é um sinal de que tudo já não anda mais naquele compasso que indicava o progresso, a evolução de tudo que pertence a nós, o sonho que vai se materializar, os projetos que tomam forma, o sopro que transforma a realidade também.
    Há sempre um gancho, um gatilho como se diz hoje, fechando um ciclo e, claro, abrindo outra porta com outros desafios à frente. São outras oportunidades que surgem, outras pessoas que aparecem ao nosso redor, outros amores e amigos, além de critérios diferentes para chegar à conclusões diversas.
   O melhor de tudo é a noção de que tudo tem uma medida certa para cada circunstância, e mais gratificante quando se faz essa descoberta.
    Não é sobre a dimensão das conquistas, isso é outra coisa. É sobre a energia que se usa para atingir objetivos. Há um meio termo, um equilíbrio entre a escassez e o desperdício de energia nos pequenos e maiores projetos.
    Agora mesmo, frequentando a academia, mais como aprimoramento que estética, a gente trabalha constantemente com nossos limites, o limite de nossos esforços, a proporção com que usamos nossas forças. No intervalo entre um exercício e outro a gente vai fazendo essa viagem louca cheia de descobertas pelo caminho.
     Com a experiência que já temos de outros quadrantes, não é difícil transportar a faculdade de empregar nossos limites às outras várias áreas de atuação, a todos os outros ambientes de convivência humana.
    E com isso, os sentimentos, as emoções dentro dos limites que cada ocasião exige. O sucesso de cada conquista, de cada vitória, de cada esforço e comprometimento depende exclusivamente da forma, ou melhor, da proporção com que se emprega as emoções.
    Há um fluxo diferente e específico de emoção para cada empreitada. A forma como gesticulamos, falamos, choramos, rimos. Um tom de voz, um olhar diferenciado pode estragar ou coroar um desejo qualquer por alguma coisa ou alguém. As paixões, as tragédias e quaisquer outras variantes das relações humanas, todos são resultados da medida certa ou errada de como nos expressamos.
   Leva tempo para criar esse discernimento e adquirir essa sabedoria. Mas, vamos que vamos. A gente vai aprendendo na prática, dosando um pouco mais, um pouco menos o que parece ser ideal para o que pretendemos na vida.


quinta-feira, 11 de julho de 2024

POR ONDE ANDA O FUTEBOL-ARTE?

    


   O futebol brasileiro está numa fase tão ruim que não dá pra ficar fazendo rodeio, como sempre vem sendo feito principalmente pela mídia em geral, que é sempre cautelosa por causa de interesses entre as partes envolvidas.
    Mas eu e uma pá de gente que não tem nenhum trato firmado com boleiros, cartola nem com patrocinadores, a gente pode com toda liberdade descer o sarrafo nessa atual geração que vem jogando um futebol bem muquirana, sem deixar mostras de que pode evoluir depois de um tempo de pantomina, que a gente nem sabe até quando vai durar.
     Foi-se o tempo em que eram críticas veladas apenas sobre a gestão do futebol, a maneira como essa gente administra a maior paixão do brasileiro, o calendário sufocante, a arbitragem deficiente, gramados ruins, essas coisas.
     Mas, quando a bola rolava os olhos do público brilhavam pelo espetáculo que desviava a atenção de toda as aberrações fora das quatro linhas. Agora, há uma incidência maior de bola batendo na canela e saindo pela lateral, porque o cara não sabe dominar a bola. O outro tem baixo índice de pontaria para o gol, pois só chuta com uma perna, facilitando até a vida do marcador, entre outras deficiências que num processo rigoroso de triagem já bane o cara pra sempre do futebol, vai vendo.
    E o sujeito é bem ciente de suas limitações, mas não é capaz de ficar depois do treino ensaiando e aprimorando pra melhorar o nível, como faziam os boleiros de outrora. Mas, mesmo assim paga pra produzirem aquele vídeo bonitinho cheio de jogadas de efeito e vender seu pseudo-talento lá fora.
    São essas figuras que a gente vê surgirem do nada na seleção, por intermédio sei lá de quem, nesses critérios de seleção que tá difícil de entender. Até onde eu entendia a lógica natural da escalação da seleção, eram os melhores de fato que vestiam a amarelinha. Parece que agora mudaram o critério de escolha, sei lá, deve ter outros fatores envolvidos no processo, que a entidade não divulgou ainda.
    Mesmo nas Copas em que o Brasil não ganhou nada, aquela formação era a melhor daquele momento. Hoje, é possível ver aqui no Brasileirão jogadores num nível bem melhor que algumas figurinhas que atuam no exterior. Fica aí a seleção pagando esse mico na Copa América sem necessidade, principalmente pra nós, saudosos de áureos tempos.
   O estrelismo dos melhores jogadores sempre foi uma coisa natural, mas com base em suas performances dentro de campo. Os bad-boys e os comportadinhos tinham o mesmo nível de audiência no meio da galera, porque batiam um bolão de fato.
    Agora, tem uma molecada por aí mimizenta demais, ganhando uma fortuna com baixo rendimento, quando não voltam depois uma temporada, por deficiência técnica, ficam naqueles timecos de quinta na Europa e nas Arábias, o novo eldorado dos fins de carreira e dos pernas de paus, dando a acreditar que o futebol-arte foi pra escanteio.