domingo, 1 de novembro de 2026

PASSADO É PÁGINA VIRADA

    

      A gente até gostaria de falar do resultado das eleições considerando seus efeitos na vida das pessoas olhando para frente, o futuro do país, o que precisa ser feito para todo o conjunto, enfim, a expectativa que todo o processo de mudança gera na sociedade.
    Se há incerteza quanto ao que vem pela frente, o pior é ver a sombra do passado pairando como nuvens sobre as flores, o resgate de tudo de mais perverso que existe. Na verdade, não é novidade a reação violenta toda vez que o Brasil acena com transformações de toda ordem.
   Infelizmente ainda há uma parcela significativa que ainda não se acostumou com a ideia de que o Brasil é de todos. Se houve um tempo em que vários segmentos da sociedade eram completamente alijados de qualquer projeto de nação, hoje a gente lembra que houve mais de 300 anos de escravidão mais repúblicas e ditaduras, e parece que não deu tempo de a elite dirigente do país se acostumar com as mudanças que ocorreram de uns tempos para cá.
      Esses eventos de violência a que o Brasil tem assistido, antes e pós eleição, é reflexo dessa mentalidade ultrapassada, que com a incidência e magnitude das redes sociais facilitou propagar a narrativa do separatismo, da exclusão e da intolerância. 
      Vimos gente do sul do país esculhambando o nordeste e sua gente pelo resultado das eleições num paralelo histórico de quando os sulistas quiseram formar sua própria república. Várias tribos indígenas sendo atacadas depois do resultado do pleito por gente inconformada e medíocres. O menino vendendo bala no sinal e humilhado pela motorista. O marido que esfaqueou a esposa por força de opinião. Truculência de toda ordem nas ruas do Brasil inteiro e discursos de ódio contra as pessoas.
      Já tem campanha nas redes sociais de retaliações a empresários que votaram no presidente Lula, marcando seus estabelecimentos, como faziam os nazistas; funcionários sofrendo perseguições de seus patrões numa reprodução clara e evidente de quando o coronelismo adotava o voto de cabresto. 
     Enfim, é o passado do Brasil sendo reescrito nas vestes da modernidade. O fator humano e suas vísceras à mostra. A humanidade em seu nível mais rasteiro por obra e graça de um passado que ainda domina as mentes dessa gente acostumada com aquele Brasil retrógrado.
     As eleições brasileiras vão desenhando cada vez mais o retrato das representações étnicas, culturais e sociais, e ninguém poderá desmanchar esse cenário, porque, toda vez que houver um chamado às urnas as pessoas escolherão quem as representam de fato.
      Por mais que haja discursos que reacendam o separatismo, a exclusão, o preconceito, haverá sempre mais vozes desconstruindo o lado podre e cruel da humanidade. Haverá sempre gente disposta a unir o país em todas as suas cores e tribos.
      Essas coisas do passado apenas revelam a nossa trajetória de luta, sofrimento e amadurecimento, o caminho que a gente ainda percorre, mas não contribuem mais com o que se almeja para o futuro do Brasil.
       Além de todo esse movimento aqui no Brasil para grandes mudanças, há uma grita em todo o mundo, gente de bem, reivindicando transformações sociais com critérios mais humanos, sem ferir as pessoas, sem desqualificar aquele sujeito com quem convive em família, trabalho e outros grupos sociais.
    Apesar do todo o barulho que essa gente inconformada ainda faz no seio do povo, não vai ecoar tão longe e por muito tempo, pois há um universo muito maior de cidadãos envolvidos e empenhados em dar ao mundo e às pessoas o melhor que se pode oferecer.
    É esse nível de consciência, respeito e equilíbrio que vai nortear os grandes movimentos, não só no Brasil, como no mundo em geral. É esse instinto de humanidade que vai prevalecer nas decisões. 
      O passado é uma página virada e de lá a gente só resgata o histórico de luta até os dias de hoje.