segunda-feira, 18 de julho de 2016

O mágico das pistas


  De todas as viagens de volta ao tempo, a música talvez seja a que mais remonta uma breve história ou uma longa passagem de outrora.
  Enquanto a memória estiver viva, haverá sempre um som trazendo à mente um pedaço importante, um capítulo de nossas vidas que ficou no passado. É como se os deuses da música marcassem um tempo importante que vivemos com uma trilha-sonora, para que tudo seja reconstruído e revivido na memória, toda vez que uma canção soar ao longe e resgatar nos primeiros acordes e embalos um momento marcante.
   Para a sorte de quem se alimenta desse passado inesquecível, há sempre alguém empenhado em trazer de volta registros de momentos sublimes, fantásticos e emocionantes.
   E nesse imenso universo de DJs, o produtor Flavio Wave se tornou um ícone das gerações que estão a todo instante respirando um passado primoroso, em que a história de cada balada se confunde com a trajetória desse público muito mais que saudosista.
   Apesar do estilo eclético que se revela nas horas de lazer com música eletrônica, Jazz e Classic Rock, Flávio Wave também é integrante dessa tribo que lembra do passado sempre com um brilho nos olhos. Conhecendo um pouco mais a trajetória do Flavio, não é difícil perceber que ele já estava predestinado a trazer à luz do presente o que ficou no passado, quando aos 12 anos já descolava o som Gradiente do pai para embalar festinhas dançantes com os amigos da rua.
   Não demorou muito para que Flavio Wave desse o pontapé inicial para um caminho que se estende até os dias de hoje com muita dedicação e profissionalismo. " Aos 18 anos eu trabalhei em Rádio FM, e depois, com 25 anos resolvi trabalhar com flashbacks, por ser apaixonado por essa época", relata o DJ.
   Para a felicidade de seu público e amantes do flashback, a carreira precoce de Flávio lhe permitiu reunir material e conhecimento suficientes para alçar novos voos. Em 1994, ele teve a ideia de um programa na Rádio Costa Azul FM de Angra. Segundo ele mesmo relembra,  naquela época não existia internet para baixar musicas, e os vinis e cds adquirido quando ainda era aprendiz lhe deram o suporte necessário para seguir adiante em seu propósito. "Quem quisesse trabalhar com flashback tinha de ter o material e conhecimento. Então, de lá para cá, nunca mais deixei de trabalhar com flashbsck", afirmou ele, acrescendo a experiência adquirida com mais trabalhos que foram surgindo.
   Hoje, desde 2008 comandando o programa Celebration da Rádio JB-FM nas noites de sábado, Flávio opera com maestria, através das carrapetas e pick-ups, uma verdadeira máquina do tempo, transportando uma legião de seguidores às melhores lembranças, sempre embaladas por um hit inesquecível.
   Se antes já havia uma interação saudável com o público nas ondas do rádio, hoje, com o advento de novas tecnologias, essa aproximação se acentuou ainda mais. Para ele, isso foi fundamental para a relação do seu trabalho com o publico. "Com a internet, o ouvinte pode interagir com o DJ e trouxe a possibilidade de o ouvinte conhecer melhor, não só o meu lado profissional, como também o lado pessoal e a importância que dou aos ouvintes", declarou ele.
   É justamente essa realidade e perspectiva que o público do "Celebration" vive hoje, conectando o playlist do programa e relembrando os áureos tempos num bate-papo eletrizante a cada balanço, e claro, com a participação de Flavio Wave on line, curtindo e compartilhando a emoção comum a todos desde os tempos dos embalos de sábado à noite.
   Mesmo com a vida atribulada, dividida entre negócios particulares, família e festas, Flavio ainda utiliza de outras mídias e ferramentas tecnológicas para dimensionar esse formato de programa com músicas dos anos 70 e 80. Antes de produzir o "Celebration" , ele já tinha uma web rádio, a "Só Kakarecos(www.sokakarecos.com.br), que mantém o mesmo segmento 24 horas por dia com estilos diferenciados, seguindo tendência que já se verifica na grade da JB-FM, por exemplo. Um alento a mais para esse universo de amantes do flashback, que ficam na expectativa ao longo da semana. Uma alternativa para essa massa que mantém viva a memória dos melhores momentos do passado.
   E considerando o perfeccionismo declarado de Flavio Wave, ele não medirá esforços para uma aproximação maior com o público. Segundo ele, o DJ completo é aquele que, além de ser bom no seu trabalho, precisa bom no trato com seus ouvintes.
    Portanto, é nesse cenário e perspectiva que Flavio Wave contribui para manter acesa a chama de um público sempre fiel e apaixonado. Desde as festinhas dançantes e dos grandes bailes até os dias de hoje, uma história repleta de magia e momentos os mais sublimes.
     Os amantes do "Celebration" agradecem.

domingo, 24 de abril de 2016

Terra das gaivotas

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   Há uma outra questão que envolve a queda da ciclovia em São Conrado, que passa bem longe das discussões sobre quem é o culpado por mais uma obra mal projetada.
   A natureza mais uma vez não foi levada em conta, considerando os cálculos que os projetistas dessa empreitada usaram para fincar essa construção numa área em que tudo se movimenta, tudo é inconstante. Não é como reformar uma praça, colocar lâmpada numa rua escura ou podar uma árvore e depois botar uma faixa e pensar que o poder público já cumpriu o seu papel de representante da população.
    Muito tem se falado sobre a questão da ocupação do solo urbano, que não é diferente de quando se ousa a investir sobre a orla marítima, do mesmo jeito que se constrói uma estrada acima de placas tectônicas que se mexem a todo instante, ou de um projeto de urbanização em comunidades, onde o projeto de  contenção de encostas sempre se esbarra na fluência dos rios que têm um destino certo.
    Lá em São Conrado, na verdade, não era era pra ter nenhum projeto que invadisse aqueles recantos onde as gaivotas buscam seus peixes, onde  as ondas esgotam seu cansaço e renovam sua energia, para começar tudo de novo nesse fluxo incessante em que tudo se renova a todo instante, do jeito que a maré traz e busca, renovando tudo aquilo que o homem nunca vai reproduzir, mesmo que ele esteja antenado com os deuses dos ventos e dos mares.
   Ali naquele espaço em que os homens respiram e se divertem só poderia haver o barulho dos mares, das marés e do amanhã. Deve ser por isso que os tubarões, as baleias e os outros cardumes se arvoram com medo do que vem depois, já tendo a certeza que de que o homem pode interferir em tudo que se move ao seu redor.
   Portanto, da mesma forma que os jacarés, os passarinhos, os quatis e  as gaivotas parecem invadir as terras que a gente habita, as ondas e os outros ciclos dos mares também se movimentam no mesmo espaço em que os homens não poderiam jamais transitar.
  É lamentável que o prefeito da cidade do Rio de Janeiro Eduardo Paes não tenha a consciência de que o ordenamento do espaço urbano não pode desconsiderar os outros seres que já habitavam por aqui, bem antes de pensarem em pedalar por essas bandas, terra das gaivotas.
   

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Obra de fachada

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    Eu sempre acreditei que essas obras de intervenções urbanas tivessem o intuito de acrescentar para a cidade do Rio de Janeiro todos os elementos que fizessem de nossa cidade aquela metrópole que o mundo todo conhece, como sendo um lugar aprazível, não só para os visitantes como também, e principalmente, para todos aqueles que vivem por aqui e sofrem no seu dia a dia, no seu cotidiano, a efervescência de uma cidade que ainda não chegou ao seu apogeu.
   Essa tragédia na ciclovia de São Conrado não é o primeiro evento que demonstra a pouca eficiência do poder público, no caso, a prefeitura,  em alavancar o nome da cidade maravilhosa no cenário de grandes destinos para quem passa por aqui. Já houve outros sinistros que mostram para a própria população do Rio de Janeiro o quanto a municipalidade vacila nesses projetos de propaganda enganosa.
   Na verdade, já não adianta mais ficar discorrendo sobre o sofrimento e a angústia da população toda vez que uma tragédia para e mobiliza a cidade, sem que haja uma resposta que demonstre a preocupação de quem deveria trazer bem-estar e segurança para os cidadãos em sua hora de lazer e deslocamento.
  O que importa agora é apurar as responsabilidades, investigar as causas do acidente  e punir exemplarmente todos aqueles envolvidos na construção da ciclovia, que numa análise preliminar feita por especialistas consultados aponta falha na concepção do projeto. Isso é o suficiente para que alguém seja penalizado, porque há um culpado de fato.
   O prefeito Eduardo Paes tem o dever de se pronunciar sobre essa tragédia, considerando seu esforço em aprontar a nossa cidade para as Olimpíadas. É lamentável que nenhuma autoridade envolvida diretamente no projeto da ciclovia tenha se deslocado para o local da tragédia para dar assistência e satisfação à população.
   Que o cartão-postal da cidade maravilhosa está arranhado há muito tempo, todos já sabem. E a única forma de reparar mais um dano causado à população é punir todos os responsáveis por mais uma tragédia que abala o Rio de Janeiro.
     
   
      

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Nação partida

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  Pelo nível de maturidade política a que chegou a sociedade brasileira, todas as incertezas que se verificam na atual realidade já poderiam estar figurando no passado de nossa história. De todas as vezes em que fomos conclamados a fazer mudanças pelo sufrágio eleitoral, as tentativas visando ares mais modernos em nossas vidas continuam assim, como mero ensaio para tudo que pretendemos, quando já poderíamos estar mudando de fase a cada vez em que há essa mobilização em massa.
   Hoje, o que mais incomoda e perturba o sono de todos não é mais essa frequência com que nos reunimos para traçar novos rumos e outras diretrizes. O que salta aos olhos é a falta de perspectiva, é a ausência de resultados em todos os esforços que fazemos para sermos desenvolvidos e modernos à altura das tecnologias que desenvolvemos, nos moldes de nossas necessidades, na mesma proporção do suor que a gente verte e sangra ao mesmo tempo.
    O que ilustra essa angústia que reparte o nosso povo em dois, o ódio e a esperança como extremos de um mesmo vetor, é o sistema que não quer outra alternativa senão essa lacuna constante que nunca se preenche. No meio desse cipoal todo entre representantes e representados, cada um em seu ambiente de discórdia, obviamente, ninguém é capaz de traduzir em seus discursos ou palavrório a unidade que precisamos para galgarmos outros degraus e atingirmos outro patamar.
    E nisso, o Brasil continua assim, fragmentado enquanto caminha, dilacerado enquanto sobrevive, porque não se enxerga nenhum projeto que demonstre a preocupação de que somos uma só nação. Nos poderes constituídos, a prerrogativa de coletividade que grassa nas leis e demais códigos passa bem longe dos trâmites legais; o povo nas ruas segue o mesmo teleguiamento de confronto a todo custo.
   Infelizmente é preciso destacar o protagonismo da imprensa em todo esse cenário de guerra no ambiente político e na opinião pública. Como já sabemos de registros anteriores, a mídia em sua maioria em nada contribui para que haja a unidade que o Brasil precisa para dar ares de uma nação moderna. Se é aceitável e democraticamente legal que haja uma linha editorial para confirmar a proposta do veículo, não é direcionando opiniões com manchetes tendenciosas que a imprensa vai contribuir para trazer à luz da sociedade a reflexão num momento conturbado.
    Até as correntes políticas que se digladiam a todo instante têm em seus núcleos o separatismo, o racha, o que reforça ainda mais o clima beligerante que em nenhum momento traz os resultados que o Brasil como um todo necessita. Se a direita e a esquerda têm em suas hostes a parcela de culpa pelo destino do país, há que se diferenciar a forma como cada um tenta conduzir e enfiar na goela da opinião pública seus projetos para o país.
    A direita, mais próxima da elite do país, só demonstra sua insatisfação por não estar no centro do poder, mas ainda não trouxe soluções que abarque todas as classes, considerando sua propaganda de salvação nacional. Não é justo que a economia do país em seu estado de inconstância, hesitação e indefinição sofra críticas de quem não aponta outros mecanismos que revertam esse quadro. Além do mais, os vícios da política envolvendo seus integrantes põe a perder qualquer discurso que reivindique o desenvolvimento do Brasil.
    Quanto a esquerda, é inadmissível que a profusão de partidos dessa corrente não chegue a um consenso para reforçar o progressismo que o conjunto apregoa. Certamente foi essa a grande dificuldade da esquerda em solidificar sua posição no cenário politico brasileiro.
     Era preciso por parte deles também a consciência de um país para todo, desde que fossem mais flexíveis e menos radicais. Por outro lado, se é louvável as conquistas sociais que a esquerda implementou para as classes menos favorecidas, a participação de membros da corrente em eventos de malfeitos tratou de queimar o filme do segmento que em momentos do passado combatia essa prática com veemência.
    E pra não dizer que não se falou das flores, o Judiciário, sempre ele, o fiel da balança. O outro poder altamente constituído, que assim como os outros também oscila entre campos opostos, expondo a velha conveniência comum a todos. É fato que as letras da lei dão margem a interpretações diferentes, mas num momento de convulsão política, não vigora esse expediente de fritura e blindagem ao mesmo tempo, considerando que a corrupção é uma célula em todos os organismos.
    Com ou sem o impedimento da presidenta, falta a essa gente que fala duas línguas a consciência de um único Brasil. Pelo menos uma fatia menor da sociedade clama pela unidade do país toda vez que as questões política, econômica e social venham a afligir a população.
    Já não é mais interessante ficar  assim por muito tempo dividindo o país em dois
   
       
     
    
    

sexta-feira, 4 de março de 2016

Pelo Brasil


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 Vou me reportar à 1964, quando minha mãe me carregava na barriga e dizia que precisava enfrentar fila pra comprar um mísero litro de leite. Naquela época, segundo relatava a dona Zélia, eram tempos difíceis, em que boa parte da população não usufruía do que era dispensado a todos.
   Como fui crescendo nesses tempos em que tudo era conquistado gradativamente, agora com 50 anos eu poderia acreditar que a evolução do Brasil em toda essa trajetória já tivesse atingido um grau qualquer em que todos os segmentos, todas as classes sociais já não mais discutissem essas diferenças que imperam até hoje.
   Hoje, é certo que há um Brasil dividido em dois: uma parte que usufrui satisfatoriamente de tudo que o país produz e uma outra parcela que espera sempre seu tempo chegar.
  Pela discussões que dividem opiniões e o Brasil em duas metades, dá-se a impressão de que a corrupção que tanto assola o país é o grande obstáculo que freia a evolução da nossa sociedade. Na verdade, esses malfeitos que hoje servem de pano de fundo para intermináveis disputas entre grupos distintos não são o grande motivo de desavenças no cenário político. O que vemos hoje é a velha guerra pelo poder, com, aí, sim, a corrupção como ferramenta de quem tem o poder nas mãos.
   Não é a corrupção que atravanca o país. Em nenhum momento o Brasil mudou de fase ou período, sem que a corrupção tenha se estancado por um tempo para que atingíssemos um outro grau. Nada impediu que o Brasil hoje se tornasse uma grande nação. Se aos olhos de quem nos vê lá de fora temos a soberania que todos conquistaram, é no nosso íntimo, no tecido social que ainda não evoluímos.
  A corrupção, tão enraizada em nossa árvore genealógica, apenas interrompeu grandes feitos, grandes conquistas que nivelassem nossa dimensão continental ao patamar global de outros povos prósperos.
   Quando a sociedade brasileira assiste hoje a esses eventos de calamidade social no cenário político, passa-se a ideia de que a corrupção é um fato novo. Ventilasse-se a impressão de que estamos inaugurando uma nova forma de fazer política, quando na verdade, existe no seio da sociedade esse espírito maligno como parte de nossa doutrina.
   O que atravanca o Brasil é a velha separação que originou a nossa nação, a nossa república em grupos distintos; uma parte que sempre abocanhou a maior parte de nossa riqueza, e a outra que agora reivindica o seu quinhão.
   Se o Partido dos Trabalhadores(PT) hoje sofre os rigores da lei para pagar pelos seus erros, não foi essa legenda que inventou a corrupção como receita de perpetuação de seu poder. Ele apenas incorporou os elementos do sistema que já existe para levar adiante sua situação de mandatário do governo.
   É certo que houve conquistas no plano social que o PT poderia ter usado para fazer seu nome na história do país, mas que foi manchado pela cultura do poder a qualquer preço. Há, sim, novas conquistas que incomodam a elite que até hoje não admite dividir a riqueza do país. Mas o PT não foi diferente de outras correntes políticas que se locupletaram do poder, e não há garantia de que a oposição de hoje vai botar o Brasil nos trilhos quando retomar o poder perdido para a situação.
  Não existe nenhum movimento no país para frear esse sistema que interrompe nossa evolução. As velhas leis e antigos regimentos e vícios que envolvem o poder ainda continuam em voga nas letras da lei e dos códigos. Mesmo no auge desse período conturbado, se a oposição quisesse inaugurar uma nova era para o Brasil, ela estaria agora, através de seus representantes, reivindicando amplas mudanças e reformas no âmbito do legislativo, bem aos moldes de suas prerrogativas legais.
  Se o aparelho jurídico e de segurança do Brasil hoje se esmera em grandes investigações para elucidar esses malfeitos, nas batalhas políticas não é a corrupção o grande divisor de águas do Brasil. É a simples guerra pelo poder que sacode o país não é de hoje.
   Por isso, por mais que doa a quem doer, é preciso ampliar, inclusive nas outras esferas de poder, estaduais e municipais em todo o país, esse trabalho de investigação aos malfeitores da coisa pública, independente de posições políticas do momento.
  É preciso ir a fundo em tudo que o PT vem demonstrando no centro do poder, mas é necessário que os outros partidos, todos, também sejam revirados, porque é inegável o protagonismo das outras legendas no sistema de corrupção no Brasil. Há registros de corrupção em todas as praças do Brasil, inclusive com o patrocínio de outros partidos políticos que não estão no centro do poder, mas incorrem no mesmo erro.
  A imprensa e todos os outros organismos da sociedade civil têm a responsabilidade de encarar esse desafio para o bem do Brasil, sem espetacularização de fatos, sem direcionamento de opiniões, sem corporartivismo, sem ideologia, enfim.
  
   
   
   
   

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Onde está o espetáculo?


   Há muito tempo que o futebol carioca dá mostra de desorganização. Ainda que dirigentes e outros personagens se revelassem na contra-mão de tudo que está sendo feito para modernizar a arte de jogar bola, o espetáculo em si, dentro das quatro linhas, nunca perdeu seu brilho, seu glamour, porque os boleiros dentro de campo e o público ao seu redor complementavam esse espetáculo.
   O próprio Maracanã se eternizou como palco de grandes jogos do passado e promessa de outros espetáculos no presente e futuro. Dificilmente alguém apostaria que o velho Estádio Mário Filho ficasse de fora de qualquer mudança implementada no cenário do futebol.
   Nesse segundo clássico disputado fora do Maracanã, é o público carioca que perde, só ele. Os próprios clubes. Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, envolvidos nessa confusão toda são culpados por defenderem cada um seus interesses, quando se reúnem para promover mudanças, sob as asas da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, que apenas mostra sua força política e contribui para rachar ainda mais o ambiente.
  Hoje, podia ser um Fla-Flu como este que será disputado em Brasília ou qualquer outro confronto do Cariocão que o Maracanã já estaria em festa em seus arredores, aquela atmosfera de gente chegando, enfim, toda movimentação que sempre antecedeu um clássico no Maracanã.
  Não custa lembrar que durante aquelas malditas obras no estádio como preparativo para a Copa, havia a promessa e a expectativa de um importante legado na reforma do Maracanã para o futebol carioca. Mas infelizmente a tal parceria público-privada não trouxe os resultados que se esperavam e o seu uso pelos clubes se tornou inviável financeiramente.
  Quando o governo manifestou o desejo de retomar sua gestão, os clubes também ventilaram a possibilidade de administrar o estádio, cada um com sua proposta. Mas em nenhum momento pensaram em formar um pool, uma parceria, para juntos, tomarem conta do palco principal de seus jogos.
   Um dos indícios de fragmentação do futebol carioca está justamente nessa guerra de vaidade entre os grandes do Rio. Uma situação que dificilmente acontece em outras praças, apesar da rivalidade local.
  Por essas e outras que o carioca hoje se vê privado de protagonizar mais um espetáculo no Maracanã, por hora entregue ao Comitê Olímpico Internacional. Aos mais saudosos do futebol do Rio, fica um outra questão: Cadê o espetáculo?
    

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Umberto Eco


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  Quanto mais abrangente for a área de atuação de um intelectual, maior será sua contribuição, maior será o seu legado.
  Seguramente foi essa multiplicidade, essa capacidade de transitar em vários campos que fez de Umberto Eco um dos maiores intelectuais de nossos tempos.
  Na minha época de faculdade tive o privilégio de ler O Nome da Rosa e Tratado Geral de Semiótica que para o corpo docente era uma referência para quem almejava se enveredar no campo da comunicação. A partir desses escritos, pude comprovar sua grande importância na área acadêmica, o que me permitiu ter um olhar mais crítico em minhas leituras.
  Não que a obra de Umberto Eco explane uma crítica ferrenha aos meios de comunicação, mas alerta para os caminhos que ela percorre e a possibilidade de várias interpretações, como atestam alguns estudiosos que já se debruçavam sobre a obra de Umberto Eco, segundo o qual, a arte só oferece alternativas a quem não está prisioneiro dos meios de comunicação de massa.
  Além dos fenômenos da comunicação e tantos ensaios sobre a Semiologia, o escritor também deixou trabalhos sobre história, arte e cultura, o que faz de toda sua obra uma importante contribuição para estudos nessas áreas em que Umberto Eco soube discorrer com muita maestria, seja no passado, presente ou futuro.
  Uma grande perda para o pensamento contemporâneo.
   

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O voo rasante do mosquito

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 É lamentável que uma doença que existe há quase sete décadas, só agora, finalmente, tenha o reconhecimento por parte da Organização Mundial de Saúde(OMS) da urgência de sua erradicação e prevenção.
   Assim como aconteceu com outras epidemias que tiveram origem em países longínquos, o zika vírus só chegou a esse nível de perigo internacional porque começou a vitimar cidadãos de nações que têm mais recursos para pesquisas que permitam o desenvolvimento de vacinas com fins de cura e prevenção.
    Como efeito principal do zika vírus, a microcefalia certamente terá impactos irreversíveis na vida social das pessoas em todos os quadrantes do planeta, o que fez a OMS, depois de reunião com cientistas, lançar esse alerta mundial.
     O Brasil, que tem estreitas relações, tanto com cidadãos que disseminaram o vírus quanto com quem pode eventualmente contrai-lo, deve ser beneficiado com o envio de recursos para a área científica dos países com mais probabilidade e registros de contaminações confirmados.
   É importante essa cooperação entre Brasil e Estados Unidos no acordo acertado entre o ministro da saúde Marcelo Castro e a secretária de saúde americana Sílvia Burbell, num complemento do que haviam acertado os presidentes dos dois países.
   O que a população precisa saber é que importantes unidades de pesquisas, como o Instituto Evandro Chagas, no Pará, Instituto Butantã, em São Paulo e Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro estão trabalhando incessantemente numa jornada nacional para desenvolver vacina, soro e medicamentos o mais rápido possível, segundo informou o ministro da saúde.
  Agora é esperar que tenhamos resultados satisfatórios antes que o zika vírus se torne um problema incontrolável para todos, mas sempre entendendo que todas as etapas de pesquisa tem seu tempo e complexidade, trazendo ansiedade para a população.
   Não custa lembrar, porém, que toda essa expectativa é fruto de falta de prevenção lá no passado, quando já era necessário um combate mais efetivo ao mosquito, mas tudo que foi feito era tímido, sem muito esforço, encarado como se fosse apenas uma chuva de verão.
   Enquanto o poder público e seu corpo científico não cheguem a uma solução definitiva para o controle do zika vírus, a população pode perfeitamente fazer a sua parte, seguindo à risca todas as orientações repassadas e divulgadas através da imprensa.
   É também um meio eficaz de evitar que o mosquito aedes aegypti continue dando esses voos rasantes por ai.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A arte da Mangueira

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 Se em anos anteriores a Mangueira sagrou-se campeã com enredos memoráveis, disputando com outras escolas que discorreram sobre temas bem aceitos pelos jurados e opinião pública, este ano não seria diferente que a verde e rosa se consagrasse mais uma vez em meio a tantos enredos confusos que as outras agremiações levaram para a avenida.
    E para não fugir de sua tradição, a Mangueira trouxe novamente um nome de peso no enredo deste ano. E já que a figura de Maria Bethânia dispensa apresentação, só restava ao seu carnavalesco Leandro Vieira, muito feliz e competente em sua estreia na escola, desenvolver uma bela história com fidelidade à trajetória de um dos maiores ícones da música popular brasileira.
    Mesmo nas vezes em que a verde e rosa não triunfou na avenida, ainda assim trazia em seus enredos temas e personagens importantes da cultura brasileira. Essa é a grande marca da Mangueira em sua trajetória, trazer à luz da história do carnaval do Rio de Janeiro sempre um grande nome com a grandeza de Maria Bethânia.
  A Mangueira de Monteiro Lobato(1967), de Braguinha(1984), de Carlos Drummond de Andrade(1987), Chico Buarque(1998) e agora de Maria Bethânia, fora as histórias do carnaval, do Rio de Janeiro e de outros elementos da cultura nacional se consagra na Marques de Sapucaí com um grande enredo e uma grande história.
   A Mangueira que agora canta Bethânia e seus versos divididos em alas e alegorias; a Mangueira que ecoa os atabaques na avenida; que viaja pela Bahia e seus encantos. É a Mangueira que sempre valorizou a arte e as coisas do Brasil.
   Por isso que hoje e sempre será a primeira. A Estação Primeira de Mangueira.
    

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Respirando por aparelho

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 Há muito tempo que a saúde do Rio de Janeiro vem cambaleando, e a cada vez que se criam mecanismos de pouca eficácia é mais uma mazela que vai tomando ares de falência, ou por que não dizer, de calamidade.
   Se não for de memória do povo fluminense, é importante lembrar que o então governador Sérgio Cabral no primeiro dia de mandato, em 2007, despachou no pátio do Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, e prometeu implantar a partir daquela unidade o melhor modelo de saúde pública do estado do Rio de Janeiro.
   Hoje, quando vemos essas manobras do poder público com a saúde da população nota-se claramente que a sociedade está longe de vislumbrar algo promissor nessa área.
   Essa última de transferir a esfera administrativa das duas unidades da zona oeste, incluindo o Rocha Faria, de Campo Grande, para a gestão municipal, justamente em ano de eleição, mostra o quanto, tanto o governador tanto o prefeito, estão preocupados em resolver a questão com a seriedade que a população espera.
   Nem em outros tempos em que havia divergência entre prefeito e governador havia tamanho descaso com a saúde pública. Quando os governos federal, estadual e municipal acenaram com parceria para os principais projetos para o Rio criou-se ânimo na opinião pública para novos ventos nos serviços públicos oferecidos.
   Agora, parece que a crise econômica que aflige todas as esferas de governo é a principal desculpa do governador para explicar à sociedade esse fracasso que vem de gestões passadas também. Se o estado está quebrado em suas finanças, é natural que haja cortes, mas esse corte de 1,2 bilhão de reais anunciado por Pezão na saúde não pode ser comemorado pelo governador como um grande triunfo de sua administração, considerando o preço que a população vai pagar por isso. E o prefeito Eduardo Paes vai conseguir manter em funcionamento satisfatório essas duas unidades da zona oeste?
   Porque, se o governador vai economizar R$ 500 milhões com essa transferência, o prefeito, agora gestor dos referidos hospitais tem a responsabilidade de melhorar a estrutura deles, sem ônus para a população.
    E para que essa crise não fique apenas no âmbito do executivo, nem o poder legislativo se manifesta sobre a gravidade do problema, como se na Alerj e na Câmara dos Vereadores não houvesse comissões de saúde para fiscalizar e apontar soluções junto à administração pública, que com mais clareza e menos timidez poderiam criar um gabinete de crise para acelerar mecanismos de curto e longo prazo, como requer o atual retrato da saúde do estado.
   Assim como acontece em outros centros urbanos espalhados pelo país, aqui no Rio de Janeiro qualquer medida nessa área precisa abranger toda a região metropolitana para que haja resultados promissores em toda a região.
   Em meio à grande massa que se desloca em busca de consulta e internação há um contingente considerável da Baixada Fluminense, Niterói, Alcântara e São Gonçalo, justamente porque as poucas unidades dessas regiões não atendem toda a demanda local.
   E até os hospitais federais que sempre foram referência para a população estão sucateados por conta de má gestão, corrupção e toda sorte de atrocidades cometidas com pacientes e funcionários. E no plano estadual e municipal esse modelo de Organização de Saúde conduzindo hospitais e ambulatórios já não oferece a credibilidade para solucionar o problema, ainda mais quando o poder público dá contrapartida eleitoral à saúde da população.
   Portanto, seja por incompetência administrativa ou fracasso financeiro, tanto Eduardo Paes quanto Luiz Fernando Pezão dificilmente vão remexer os números da saúde do Rio de Janeiro.