segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Quantos lados tem uma bola?

   O enigma em torno da esfera mais notável do mundo não se restringe as suas implicações geométricas, apenas. Mesmo com toda especulação em torno de seus raios, área e circunferência, é fácil reproduzir naquele contorno e interior os dois universos do mundo da bola e seus desdobramentos no planeta chamado futebol.
  Se as leis da física não permitem alternativas à exatidão das coisas, a matemática do velho esporte bretão tem fórmulas que extrapolam completamente a lógica do cálculo puro e simples.
  Longe de imaginar, no entanto, que as várias interpretações das leis brasileiras têm seu pioneirismo na legislação do futebol. O difícil é acreditar que não havia o propósito de construir essas variantes de leitura das normas disciplinares em vigor no país no instante de suas formulações.
   O poder do julgador diante dessa liberdade para traduzir as letras da lei não pode, em nenhum momento, tornar a arte de fazer justiça plena um ofício meramente infeliz e bizarro, dissonante da nova ordem.   
  Tão importante quanto se adequar aos novos tempos, é imprescindível que os rigores da lei operem a ordem em qualquer instância, sem que isso banalize na realidade do futebol ou de outros quadrantes as aberrações que têm despontado no horizonte ultimamente.
  A urgência de novos tempos para o futebol brasileiro sugere um só caminho, sem volta, sem atalhos, de mão única.
  Passemos a bola para o STJD.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Rio em alerta

   Não se pode demonizar o prefeito Eduardo Paes pelo caos em que se encontra a situação do Rio de Janeiro, porque em outras gestões houve a promessa de obras de intervenções urbanas que pudessem efetivamente amenizar eventuais prejuízos causados pelas chuvas que inviabilizam completamente a cidade.
  Mas também não podemos endeusar o atual prefeito pelo visível esforço para acabar com esses transtornos. Num primeiro plano, é evidente que há uma preocupação em se preparar a cidade do Rio para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.
  Antes que se proponha a administrar uma cidade como o Rio de Janeiro, qualquer candidato sabe da agenda que precisa ser seguida para que a população não sofra todos os anos com esses problemas que já fazem parte do calendário da cidade.
  Nunca é demais lembrar que o Rio de Janeiro é um território de relevo e geografia complexos, em que é preciso um estudo altamente técnico, por meio do qual se permitirá gerenciar com resultados mais promissores os riscos que grande parte dos moradores corre regularmente.
  A Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e, principalmente, a GeoRio têm feito esforços fora do comum para socorrer possíveis vítimas  de deslizamentos e alagamentos, em função do sistema de alerta que a prefeitura implantou recentemente, o que, de uma certa forma, evita danos maiores.
  Técnicos e especialistas, incluindo engenheiros, geólogos, geógrafos e físicos, têm promovidos importantes debates e discussões, alertando o poder público sobre a urgência de projetos de urbanismo, levando em conta justamente essa complexidade que o mapa da região fluminense apresenta.
  Eu participei de alguns desses encontros no Clube de Engenharia e puder perceber a seriedade com que estudiosos de importantes centros acadêmicos, como UFRJ, UERJ, UFRRJ, têm apresentado soluções comprovadamente eficazes na questão da ocupação do solo urbano, tratamento de lixo e água e outros procedimentos de cunho urbanístico, cuja excelência depende exclusivamente do detalhamento desses estudos.
  Infelizmente, o poder público, tanto o governo estadual e municipalidade, não costumam participar dessas discussões, apesar de receber o convite para tal, de modo que importantes soluções para o Rio de Janeiro ficam longe da agenda do governo.
  Nesse sentido, as regiões mais críticas, incluindo a periferia da cidade e a região metropolitana, sofrem com desabamentos, alagamentos e deslizamentos de terra, constantemente.
  O Programa de Aceleração do Crescimento que as três esferas governamentais promovem na cidade do Rio é uma oportunidade única para se colocar em prática os mais relevantes projetos traçados, não só para a cidade maravilhosa, como para toda a região fluminense.  

   

domingo, 8 de dezembro de 2013

Ascensão e queda

   A culpa pela má campanha de um time ao final de uma temporada recai automaticamente nas costas do técnico e do próprio elenco, cuja avaliação passa pelo crivo dos torcedores, antes mesmo de especialistas, comentaristas e demais palpiteiros se debruçarem sobre os reais motivos do rebaixamento de um grande clube.
   Mas a dimensão de uma tragédia como essa na história do Fluminense e do Vasco da Gama vai muito mais além do que a competência da comissão técnica e dos jogadores, que dentro de suas limitações técnicas e profissionais de cada atleta, de uma forma ou de outra, marca sua passagem pelo clube, mesmo com um revés assim.
   Muito se fala sobre reformulações do futebol, como se novas estratégias assentadas dentro das quatro linhas fossem o suficiente para dar o ar de modernidade que o futebol brasileiro ainda não acompanha de outras praças.
    Quando o dirigente negocia jogadores importantes do elenco em pleno andamento do campeonato, como é o caso Fluminense, por mais competente que seja o técnico da equipe, dificilmente o time vai conseguir manter o nível que a equipe mantinha antes dos desmandos do cartola. Porque é impensável que um clube seja campeão brasileiro e no outro ano, rebaixado.
   É nessa circunstância que os ares de modernidade que pairam já em outras praças ainda não fincaram terreno nos campos do Brasil. As relações pouco transparentes de gestores e patrocinadores acabam sempre influenciando a formação das equipes e, consequentemente, no desempenho do grupo, por força de interesses que de uma forma geral degradam a imagem do futebol como um todo.
   Isso tudo porque os clubes brasileiros, em sua maioria, são comandados por pessoas que entendem muito pouco de administração e menos ainda de futebol. Portanto, fica difícil um clube atingir o nível das equipes mais competitivas e promissoras do mundo, quando não há no comando alguém que tenha vivido todas as fases de evolução do futebol, alguém que venha se atualizando constantemente, acompanhando de perto os novos caminhos que o futebol vem trilhando nesses últimos tempos.
  Apesar de toda a história brilhante que construiu ao longo de sua carreira como jogador, Roberto Dinamite não deu mostras de que tenha evoluído como alguém que se propõe a comandar e manter viva toda a tradição de um grande clube como o Vasco da Gama.
   Com isso, torcedores das Laranjeiras e da Colina vivem a angústia de acompanhar a ascensão e queda de dois clubes que por suas conquistas contribuíram para engrandecer o nome do Brasil no cenário do futebol.
   Mais do que se reerguer, o grande desafio é mudar as cabeças pensantes nos grandes clubes. E as de Fluminense e Vasco da Gama não fogem à regra.
       

A ira do torcedor

   As imagens desagradáveis que o Brasil inteiro presenciou no jogo entre o Atlético Paranaense e o Vasco da Gama revela com exatidão a desorganização do futebol brasileiro em todas as suas nuances.
  Não é de hoje que são registradas cenas lamentáveis de selvageria entre torcedores e ninguém até hoje tomou providências para que se elimine de vez a violência nos estádios de futebol. 
  Nem o advento do Estatuto do Torcedor foi o suficiente para trazer segurança nas arquibancadas e no entorno dos estádios. Toda vez em que dirigentes são responsabilizados sobre confrontos de torcidas, estes sempre imputam a culpa nas forças de segurança local, a polícia, que tem sempre um discurso pronto para se eximir de culpa também.
  Já o torcedor brigão, ou marginal, como queiram, também tem suas garantias de que tudo continuará como antes. Qualquer processo que implique uma eventual punição corre sempre no âmbito da justiça comum, cujas letras, parágrafos e incisos oferecem uma infinidade de atalhos para que o infrator seja sempre beneficiado.
  Quando aqueles torcedores do Corinthians provocaram a morte do menino em Oruro, na Bolívia, só houve punição por parte da justiça daquele país. Aqui, muito pelo contrário, além de não ter tido nenhum tipo de discussão acerca desses absurdos, pasmem, um integrante daquele grupo preso na Bolívia foi flagrado novamente num confronto com torcedores rivais, no Estádio Mané Garrinha, em Brasília.
  No caso específico desse incidente em Joinville, entre a torcida do Atlético Paranaense e do Vasco da Gama, certamente vai haver aquele velho jogo de empurra entre dirigentes e a polícia local acerca da segurança do evento, sem, é claro, nenhuma perspectiva de que alguém vai ser responsabilizado, enfim.
  Ao final de toda temporada do futebol brasileiro, há sempre um balanço de tudo que ocorreu o ano inteiro dentro da seara do velho esporte bretão. E essa questão da violência que assola o futebol do Brasil fica sempre para uma outra ocasião.
  Com isso, a impunidade continua com cadeira cativa no futebol brasileiro.
  Desse jeito, não há como aplacar a ira do torcedor.

  

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela nas mentes humanas

   A África do Sul não é o único país onde o separatismo culminou em grandes conflitos, assim como a exclusão não ficou restrita apenas à questão racial.
  Mas foi na África do Sul onde nasceu o grande líder a conduzir com sabedoria a bandeira contra a barreira do preconceito que chegou a extremos em outras nações também.
   A liberdade, igualdade e fraternidade, tão propaladas em revoluções de outrora, principalmente na Revolução Francesa, não chegaram a desenhar novos horizontes porque os baluartes daquela revolta apenas tomaram para si as rédeas de um sistema extremamente excludente das mãos da monarquia e da Igreja.
   As feridas do colonialismo e da escravidão deixaram cicatrizes em todos os recantos de população afrodescendente, inclusive no Brasil.
   E se na África do Sul o apartheid não foi totalmente erradicado, pelo menos a luta de Nelson Mandela não foi em vão, haja vista o mapa geopolítico implantado naquele país após sangrentas batalhas e do poder de diálogo do maior líder político da era contemporânea.
   Além da mensagem de paz e tolerância, Nelson Mandela deixou um exemplo a ser seguido por todas as nações envolvidas nessas diferenças de etnias e classes. Nenhum país poderá atingir um nível considerável de desenvolvimento humano e social enquanto perdurar essas divisões que o atual sistema insiste em perpetuar.
   Qualquer projeto de cunho social, político e econômico só terá progresso quando as mudanças propostas estabelecerem oportunidades sem privilégios e exclusões. Numa dimensão global, o próprio continente africano precisa estar inserido nas mudanças desse atual modelo de economia mundial arcaico, protecionista e corporativista.
   Portanto, apaguem-se dos anais da história todas as revoluções que não mudaram o rumo das coisas e eternize nas mentes humanas a revolução de quem nunca se sentiu inferior, apenas igual.
  Nelson Mandela ontem, hoje e sempre. Porque a luta continua.

   

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lazer interrompido

   Pelo caráter multicultural que a Lapa tem, principalmente nos fins de semana, de alternativas mil para todas as tribos, tanto para quem aqui vive quanto para os visitantes, o poder público bem que poderia dispensar atenção especial na questão da segurança, sem que isso implique desguarnecer outras áreas, de entretenimento ou não, que também demandam proteção policial eficiente e permanente.
   Como se não bastassem os dissabores por que passa a população em seu cotidiano normal, estende-se ao momento de lazer a agonia do carioca nos principais quadrantes da cidade, onde há aglomerações de pessoas em busca de diversão e descanso.
   Assim como acontece nas imediações da Lapa, todos os dias, recentemente o Rio reviveu o inferno dos arrastões nas praias e como sempre o policiamento se mostrou ineficaz, sem a regularidade que a ocasião exige, o que mostra que a política de segurança é muito mais oportunista, eventual, do que preventiva.
   Hoje, costura-se cada vez mais um processo de integração de grupos sociais distintos, depois que as redes sociais ampliaram esse movimento incessante de troca, Nesse sentido, essas concentrações urbanas ganharam importância e dimensão suficientes para despertar um intercâmbio crescente, mas também a cobiça de bandidos, pela vulnerabilidade desses espaços, dada a desproporção da oferta de segurança.
  A Lapa representa hoje uma grande referência cultural e turística, e por isso, cada vez mais exposta aos olhos do mundo pela diversidade, liberdade e democracia. Por outro lado, fica mais visível o descompasso entre a realidade local e a propaganda que os governantes fazem dessa imagem arranhada, no momento em que o povo brasileiro dá exemplo de convivência para o mundo.
  Em agosto de 2011, quando houve aquele trágico acidente com o bonde de Santa Teresa, o poder público deixou à mostra o descaso com as maravilhas que podem nos trazer benefícios, o despreparo para administrar nossas riquezas e belezas.
 Seja qual for o viés com que o governo hesita nos expedientes de gestão pública, o mais grave são as perdas humanas. E quando a integridade física da população fica comprometida, até mesmo em seu instante de lazer, qualquer medida sazonal será mero paliativo para vender uma boa imagem do Rio de Janeiro.   

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nilton Santos nunca morrerá

    Quando Nilton Santos ousou ultrapassar a metade do campo para investir lá na frente, partir para cima do adversário, fazer as vezes de um atacante impetuoso e bater de frente com seu oponente, outros defensores com a mesma visão progressista para aquela época certamente tiveram a petulância de avançar além dos domínios de um mero lateral que apenas defendia a retaguarda.
   A diferença é que Nilton Santos promoveu sua sorte e ousadia com maestria e elegância, sabedoria e malícia, elementos essenciais para se enquadrar um grande boleiro na galeria dos maiores astros do velho esporte bretão.
  Tanto na seleção brasileira quanto no Botafogo, poucos envergaram com a energia do grande mestre a velha camisa 6 por ele imortalizada. 
   Toda vez que aventarem a ideia de escalar o scratch de todos os tempos, Nilton Santos figurará sempre lá na lateral esquerda, porque a Enciclopédia é atemporal, seja com bola de meia ou a contemporânea, com efeito visual; seja em campo de várzea ou da verdejante zona do agrião.
   Se existe um divisor de águas no mundo do futebol, Nilton Santos é que representa essa nova era, da dinâmica dos destacados estrategistas à desenvoltura de quem poderá um dia se tornar um ícone dentro das quatro linhas, tão ou menos brilhante que Nilton Santos.
   Eu desconfio até que muito da filosofia pregada em preleções, pranchetas e outras geringonças ainda não está à altura do que Nilton Santos inaugurou para a glória do futebol moderno.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Deixou chegar, o Flamengo é campeão

   Não poderia haver outro resultado que não fosse o triunfo do Flamengo no Maracanã. Uma festa que reproduziu fielmente os velhos tempos do maior do mundo, sem as imposições do tal padrão FIFA.
   A festa que se viu nessa nova conquista do Flamengo, além de reeditar os maiores feitos, consagra também a glória do grande estádio do povo e a identidade de quem nunca perdeu sua majestade, mesmo com outra roupagem.
   E a paixão de uma grande torcida se confunde com a história de um grande palco, de um grande templo.
   Em nenhum momento o adversário de agora, o Atlético Paranaense, demonstrou o ímpeto de quem almeja desbancar o Flamengo diante de sua grande nação, que apesar do fôlego inflacionário do novo sistema, pagou mais do que podia para representar o que sempre foi alma do futebol carioca: o envolvimento total e irrestrito da torcida do Flamengo ao projeto do rubro-negro de conquistar essa Copa do Brasil, num ano que começou cheio de incertezas quanto o futuro do time nesta temporada.
   Se no Campeonato Brasileiro o Flamengo amargou sucessivos revezes, sem perspectiva de se manter no topo da tabela, na Copa do Brasil, o Flamengo em nenhum momento demonstrou a apatia da outra disputa.
   E se a torcida rubro-negra fez a sua parte em momentos vacilantes da equipe, não seria diferente nessa Copa do Brasil, cada vez que o time do Flamengo suplantava um adversário e prosseguia na competição. Cabia então ao time corresponder em campo a toda confiança da grande nação rubro-negra.
   Então, imperou aquilo que já virou um eterno clichê: deixou chegar.
    Pois, é. Uma vitória para coroar uma grande conquista e blindar sua imensa torcida, que apesar de todo esforço financeiro para se adequar ao novo Maracanã, tem agora o mérito de gritar bem alto.
   É campeão!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

No rastro do mensalão

   A corrupção no Brasil não é coisa que vai se extinguir com uma simples canetada, ordens de prisão, uma nova interpretação das letras da lei, dos regimentos e das artimanhas.
   Nos tempos em que era preciso dar uma satisfação para a comunidade internacional de que o Brasil inaugurava de fato uma nova era, a democracia reinstalada por aqui era vendida lá fora sem os vícios dos sistemas e regimes anteriores.
   Quaisquer aberrações e distorções no curso da nação brasileira ficavam completamente ilesas de execuções sumárias ou pouco convincentes para os padrões do que a sociedade como um todo considerava hostil e maléfica.
   Nesse espaço de tempo em que a corrupção dura no país, já impregnada no tecido social, os instrumentos jurídicos de que dispomos, mesmo não traduzindo impecavelmente as punições devidas, à altura de grandes danos causados, é o mínimo de resposta que o Supremo Tribunal Federal poderia dar à opinião pública, agora que a insatisfação popular ganhou as ruas.
   Os desdobramentos de um processo longo e extenuante como foi o caso do mensalão, apesar dos meandros que uma legislação arcaica oferece aos malfeitores da coisa pública, num primeiro olhar, pelo menos reverte a impunidade, alvo de indignação tanto quanto dos malfeitos em si.
   No entanto, a mesma inclinação e fôlego que o Supremo Tribunal Federal demonstrou para repaginar os mecanismos jurídicos, agora sob o olhar mais atento da população, terá sido em vão se os outros poderes não seguirem esse mesmo ritmo. Até porque, estão nos ambientes do Legislativo e do Executivo a gênese de todas as maquinações políticas que afrontam e deturpam a administração pública.
   Vale lembrar que esse processo nefasto engendrado pelos mensaleiros teve similares em gestões anteriores, que chegaram a derrubar presidente, e em outros momentos, simplesmente caíram no esquecimento por força do corporativismo que por vezes tinha voz ativa no círculo jurídico.
   Se o desfecho da Ação Penal 470 vai ter efeitos nebulosos nas hostes do Partido dos Trabalhadores, só a cúpula da legenda poderá apagar essa mancha na história de quem mais levantou a bandeira da moralidade pública.
   Na verdade, a engenharia dos mensaleiros e de outros grupos políticos de outrora não é exclusividade do âmbito federal. Como ocorreu em São Paulo, na esfera estadual e municipal, vindo à tona agora, outras siglas de destaque no cenário político também podem ter implicações nas administrações de outras unidades da federação, o que faz do combate à corrupção um projeto de ordem nacional, com ênfase em grandes reformas política, eleitoral e penal, sobretudo.
   Para que no rastro do processo do mensalão não fique apenas o ensaio de um novo horizonte.

    

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Filipinas em ruínas

   Quando um país como as Filipinas é assolado por uma grande tragédia não é novidade que várias nações se apressam para enviar provisões de toda ordem, com o intuito de, pelo menos, amenizar a dor de vítimas de desastres naturais de grandes proporções.
   Muito tem se discutido sobre programas de prevenção de acidentes naturais, principalmente nos países onde há uma incidência maior desses sinistros.
  Em 2004, quando a Indonésia foi varrida por um tsunami, especialistas do mundo inteiro ventilaram a possibilidade de dotar aquele país de tecnologia capaz de prever outros acidentes, evitando grandes tragédias e, consequentemente, perdas humanas.
   Com muitas dificuldades as Filipinas certamente vão reconstruir, mesmo que num tempo longo, toda a área agora destruída por mais uma catástrofe. Mesmo que a economia local permita ensaiar algum projeto para evitar outros prejuízos para a infraestrutura do país, o governo filipino precisará de aporte tecnológico vindo de outras nações para solucionar um problema que faz parte do cotidiano do país asiático, pela sua localização geográfica em área de constantes turbulências.
  Para os países que conseguiram erradicar esse problema dentro de seus domínios, como o Japão, de grande potencial econômico, fica a contribuição na forma de conhecimento adquirido em pesquisas que demandam altos recursos, precisamente bem distantes da realidade financeira das Filipinas.
   Inaugurando a Semana Internacional da Ciência e da Paz, o Secretário-Geral da ONU, Ban ki-moon alertou que grande parte do mundo está excluída de avanços científicos. Dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio que a ONU promove se encaixa perfeitamente essa questão do conhecimento que o órgão pretende disseminar.
  Ao acrescentar que a comunidade internacional tem a responsabilidade de proteger toda a humanidade contra os usos destrutivos da capacidade científica, é bom lembrar que o poder científico também pode trazer tantos benefícios quanto a educação e agricultura moderna, por exemplo.
  Os efeitos de desastres naturais na infraestrutura dos países vitimados e, principalmente, em vidas humanas, já obriga a inclusão de futuros projetos de prevenção de acidentes na questão da sustentabilidade, tão propalada em encontros anteriores.
   A iminência de aumento do aquecimento global sugere uma corrida urgente de todas as nações, sob pena de essas tragédias terem conseqüências mais drásticas num futuro próximo.
   Porque as nações que sistematicamente poluem o planeta têm muita culpa nessa recente tragédia nas Filipinas, agora em ruínas.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Por que a Perimetral?

   Já não era surpresa para ninguém que a interrupção e posterior derrubada da Perimetral fosse trazer transtornos ao trânsito da região portuária.
   Não se esperava, no entanto, que a prefeitura se abstivesse de um planejamento mais profundo, antes de demolir o Elevado, por onde passa cerca de 60 mil veículos por dia.
   As duas vias binárias dificilmente vão comportar a mesma carga de veículos com o mesmo fluxo, já que estas funcionarão com paradas frequentes, devido aos semáforos em suas extensões, o que certamente vão comprometer o tráfego local na hora do rush.
   Dentro do projeto arquitetônico e urbanístico que a prefeitura pretende implementar para a região estão incluídos empreendimentos de cunho comercial e residencial, provocando uma massa adicional de pessoas se deslocando para aquele local a todo instante, de modo que o modelo de mobilidade urbana concebido para aquela área talvez não absorva o futuro contingente esperado.
   Numa cidade como o Rio de Janeiro, imersa em problemas estruturais a serem solucionados, nenhum projeto de intervenção urbana terá alguma funcionalidade se ficar restrito apenas ao caráter estético.
   Enquanto os arautos do paisagismo e da superficialidade vêem a Perimetral como um monstrengo a manchar o cartão-postal da cidade, os mais racionais e imbuídos numa causa mais ampla e sustentável enxergam outros obstáculos para o mesmo projeto de modernização da zona portuária.
   Se a questão da mobilidade urbana é parte fundamental do projeto Porto Maravilha, há que se compensar a ausência da Perimetral, considerando a sua importância ao longo desses anos como uma das vias de ligação entre pontos de grande demanda da cidade.
   Mais do que o Elevado, agora em vias de extinção, a Rodoviária Novo Rio é o grande fator de estrangulamento, principalmente em horários de pico, e ninguém até hoje conseguiu colocar em prática um antigo projeto de remoção daquele terminal, que pode efetivamente equacionar, em patamares significativos, os frequentes engarrafamentos na região.
   As soluções de que a população precisa vão muito mais além das preocupações com o panorama e o relevo da cidade maravilhosa.