domingo, 13 de setembro de 2020
UM RIO DE JANEIRO MELHOR
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
ATUALIZANDO A INDEPENDÊNCIA
Se tem algo de importante no grito do Ipiranga há quase dois séculos atrás, a liberdade do país das mãos do colonizador foi o primeiro passo para sermos localizados no mapa, tipo alguém procurar o Brasil no globo e saber que a gente existe como nação com nome e sobrenome.
Se desgarrar das mãos do explorador, daquela rotina de desapropriação das nossas riquezas com pouca ou nenhuma vantagem para o Brasil foi uma grande conquista para o povo brasileiro. A partir daquele momento a gente só precisava de sabedoria, transparência e união pra gerir tudo que é nosso.
É justamente nesse espectro de afirmação nacionalista, nesse conjunto de fatores que o Brasil ainda não atingiu o topo que grandes nações já desfrutam e comemoram também. Se existem níveis de comemorações inerentes à importância dos fatos, só deveríamos lembrar das lutas pra desamarrar as correntes do passado, só isso.
O nacionalismo tão exacerbado não se traduz em conquistas para o conjunto do país que ainda é dividido por interesses que passam ao largo da coletividade. É como se o famoso amor à pátria não passasse de uma questão de estética quando se entoa o Hino Nacional e a Bandeira do Brasil é hasteada, no momento em que há um desequilíbrio de forças em detrimento do plano geral de se construir uma nação para todos os brasileiros.
Antes que interpretem pessimismo nessas linhas devo lembrar que a soberania de qualquer país é construída dentro de seu próprio quadrante, não tem nada a ver com o orgulho que eventualmente despertamos no forasteiro. O reconhecimento do Brasil fora de nossas fronteiras é o sentimento em outros países de que podemos e devemos fazer o dever de casa como fazem por aí.
Não tem como desassociar a nossa esperança por um país de ponta com as mazelas e os malfeitos que vão protelando nossos melhores projetos. Se alcançamos a independência, falta agora a hegemonia, aquela instância em que o Brasil é bom para os brasileiros, cuja autoestima não pode ficar restrita à crenças, ideologias e jeitinho brasileiro.
domingo, 6 de setembro de 2020
RESPONSABILIDADE É TUDO
Tudo que está sendo discutido até agora em torno da pandemia se baseia em dados fornecidos pela comunidade científica do Brasil e lá de fora. São informações que auxiliam os governantes a tomarem medidas com relação à gestão da crise provocada pela doença, seja na própria área de saúde, a questão econômica e as restrições impostas à população enquanto durarem os números preocupantes da Covid-19.
Essa parte referente à rotina da população parece ser a mais complexa, agora que aumentou a flexibilização e a rotina das pessoas está quase voltando ao seu nível normal.
Houve, sim, aquele período crítico, em que todo mundo teve de fazer sacrifícios, mas agora que as ruas começam a encher novamente, o trânsito voltando ao seu rush de sempre, enfim, as cidades voltando a respirar com a abertura do comércio e demais atividades, já deu pra geral assimilar os cuidados que ainda precisam ser observados.
A tal flexibilização é apenas, pelo menos por enquanto, pra fazer a economia andar, mas tudo dentro de recomendações da área de saúde, dos pesquisadores e especialistas que costumam lidar com isso, porque já houve casos de contaminação de outras doença entre nós.
Isso é o suficiente para a população como um todo se ligar no perigo que ainda nos cerca. Independente de qualquer medida imposta principalmente pelos prefeitos da cidades, as pessoas deveriam ter mais cautela, mais responsabilidade com essas aglomerações vistas ultimamente. É triste ver praia lotada em plena pandemia, bares abarrotados de gente, eventos de música a pleno vapor, num tempo em que é possível desfrutar dos prazeres da vida sem correr riscos.
Daqui pra frente, tudo que for posto na balança pra avaliar os números e o cenário da pandemia não pode falta na pesagem o comportamento pouco prático e responsável de um universo considerável da população.
Cadê aquele jeitinho brasileiro que sempre driblou crise de outros tempos? Por que não botar em prática o famoso jogo de cintura do carioca, que sempre ri de seu infortúnio, mas não deixa de ser feliz. Se a praia está longe e perigosa, vamos de banho de borracha, de balde, aquela piscina inflável bem familiar. Por onde anda o bom e velho churrasco na laje, claro, sem aquela muvuca toda?
Com relação às crianças, muita gente está criando formas seguras de manter a molecada em movimento, atividades escolares e de entretenimento em família, tudo é possível para espantar a depressão e o tédio. Dá pra tocar o barco até a maré alta passar. O que não pode é piorar um cenário que ainda preocupa.
Portanto, falta a essa parcela que vem, sistematicamente, descumprindo regras assumir sua responsabilidade pelo conjunto, mais senso de coletividade, enquanto muita gente ainda segue à risca todos os protocolos.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
HOMENS BIZARROS
Seria até interessante e mais agradável uma análise sobre o que falta acontecer, o que falta o homem público realizar dentro do que compete a ele executar, enfim, elementos de grandes projetos e uma realidade positiva que pudessem embasar essa discussão, mas vendo agora esse expediente do prefeito Marcelo Crivella usando funcionários sob seu comando constrangendo pacientes e obstruindo o trabalho de repórteres na porta de hospitais públicos dá bem a dimensão de como o poder pode desconstruir a consciência do homem público de suas funções.
É sabido que o regime democrático permite que qualquer cidadão se sinta representado, mas também define o campo de atuação, os deveres e responsabilidades dos mandatários de cargos públicos. Estes não podem perder a noção dos cargos que ocupam. Não consta que eles podem extrapolar o limite de suas funções. É inadmissível que a sociedade tome prejuízos de qualquer ação extracampo de quaisquer agentes públicos.
Não podem o prefeito, o governador, o presidente ou quem quer que seja fazer o que bem entender, como se isso fosse normal, só porque têm o poder nas mãos. Ao contrário do que ele acredita, o prefeito não pode armar-se de grupelhos para esculhambar o trabalho da imprensa que se serve justamente de trazer os fatos da realidade que nos cerca.
Não cabe num regime democrático espaço para perseguição, repressão e autoritarismo de qualquer natureza por pura conveniência ou intolerância à oposição, como fica bem evidente em algumas falas e ações do presidente Jair Bolsonaro em casos recentes de ataques verbais à jornalistas e opositores, assim como a confecção de relatórios sobre funcionários com viés ideológico contrário à situação, numa clara demonstração de perseguição totalmente fora dos padrões de convivência política que dita as normas da democracia.
Nesses tempos de aberrações políticas e homens vacilantes há um desgaste considerável para quem se excede no poder e um revés a mais para o processo evolutivo que a própria política deveria implementar. Em vez disso, o homem público pouco afeito aos princípios básicos da convivência política perde a oportunidade do prestígio e gasta a energia que o poder lhe confere em práticas sem cabimento.
Resta à sociedade ou parte dela não cair nessa pilha e observar sempre quem tem de fato talento para o jogo político e não recorra à ações maliciosas e fraudulentas. Que haja sempre vigilância por parte dos órgãos concebidos para vigiar as normas que cabe ao homem público observar e obedecer.
Que possamos encerrar esse ciclo de pantomina e seus homens bizarros.
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
CRIVELLA JÁ PODE SAIR
O prefeito do Rio Marcelo Crivella resolveu incluir em sua agenda de governo um item completamente incompatível com os ideais da democracia.
Se já era ruim que a população sentisse na pele a precariedade do sistema de saúde do município e tivesse dificuldades para usar os canais disponíveis para expor sua indignação, pior ainda quando a imprensa se vê impedida de tornar públicas as reclamações frequentes dos pacientes das principais unidades de saúde da cidade.
Os tais “guardiões” que o prefeito colocou na porta dos hospitais municipais, mais do que uma afronta à liberdade dos cidadãos e da imprensa, é a prova cabal de que os serviços oferecidos não condizem com a atual realidade e demanda da população, caso contrário a imprensa não encontraria obstáculo algum para informar à população a excelência do serviço. O próprio prefeito faria questão da publicidade.
Aliás, o prefeito poderia utilizar esse grupo para entrar nos referidos hospitais e verificar se a unidade está funcionando dentro dos conformes, com um relatório dos problemas e necessidades que cada um tem e enviar ao prefeito, que de posse de informações pudesse efetivamente melhorar a qualidade do serviço. É o mínimo que quem prometeu prometeu cuidar das pessoas poderia fazer.
Agora, ao utilizar funcionários para atuar fora de suas atribuições para interpelar o trabalho de repórteres na porta dos hospitais municipais, o prefeito Marcelo Crivella incorre em prática ilícita, em total desacordo com as prerrogativas do cargo e pode ser interpelado judicialmente, como já adiantou o Ministério Público do Rio de Janeiro, manifestando a intenção de investigar a suposta participação de Crivella no esquema organizados pelos funcionários através das redes sociais.
Não seria exagero afirmar, portanto, que o prefeito Marcelo Crivella corre risco de impeachment, se comprovada sua responsabilidade no esquema denunciado.
Para o bem da democracia, da cidade e da população não seria de todo mal tirar o poder de quem nunca esteve preparado para o cargo, não aceita críticas à sua gestão e vive constantemente atentando contra um dos princípios básicos da democracia: a liberdade de imprensa.
A persistir esse despreparo para o cargo, melhor sair.
sábado, 29 de agosto de 2020
UM OLHAR SOBRE AS INFLUÊNCIAS
Mas como saltam aos olhos nos dias de hoje uma já conhecida diferença entre o que se fala e o que se faz, então nos ocupemos um pouco dessa separação do discurso da prática.
Não é que estejamos inaugurando a era das más influências no seio da sociedade, pois já tivemos momentos em que esse cenário ficava em segundo plano. Um tempo em que além da instituição família como referência contemporânea, as principais figuras públicas se sobressaíam justamente pelo exemplo de seus discursos em consonância com a vida prática.
Se o círculo familiar sempre foi a matriz de grandes projetos de vida e seus valores, personagens de outros círculos e instituições também contribuíram como referência de conduta para a sociedade. Autoridades religiosas, agentes públicos, artistas, esportistas e demais figuras públicas, não faltam seguidores desse universo de gente de bom comportamento.
É claro que muita gente se espelha na figura de pai, mãe, avós, mas há também quem queira seguir o exemplo de outros personagens que transitam bem distante do ambiente familiar. Se vestir como o ídolo da tv; ser descolado como o craque do time de futebol; abraçar a causa de celebridades; adotar a fala e o discurso de personalidades religiosas, enfim, um sem número de gente ditando moda, regras e estilos de vida, passando para o público a força de sua aparição e jeito de viver.
No entanto, o que se discute hoje é a forma como essas pessoas que num primeiro plano servem de exemplo, mas que destoam completamente desse status de que gozam perante o público, em casos conturbados de suas vidas pessoais que anulam todo o discurso e a mensagem que passam como ídolos.
Crimes em família, casos de corrupção e outras práticas ilícitas de figuras públicas, que nesses tempos de velocidade em rede, além de repercutirem negativamente na imagem dessas celebridades, trazem reflexões sobre a influência de figuras públicas na vida das pessoas.
Até que ponto se pode separar a agenda pública da vida privada? É possível ficar alheio à vida pessoal daqueles de quem se admira ou nos representa no cenário político? Como fica o olhar sobre aquela referência espiritual que tanto conforta como decepciona? Enfim, como fazer a defesa e manter o mesmo vínculo com quem já não desfruta do status de outrora?
São perguntas que surgem em meio a esse cenário, são questionamentos que independente do tempo de respostas já estimulam uma revisão na forma como lidamos e nos amparamos em quem nos representam, em quem apostamos nossas fichas.
Se ao longo dos tempos houve alguma mudança nos critérios de escolha, que os maiores valores permaneçam intactos em todo esse processo. Afinal de contas, nós temos nossas referências para alavancar nossas vidas, mas também servimos de referência para alguém em nossas vidas.
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
IMORALIDADE
Isso não tem nada a ver com religião e política. Ninguém aprende a ser vagabundo, marginal, hipócrita, ladrão e mentiroso sob o manto de denominação religiosa ou por interferência ideológica. O que dita o comportamento e a estrada que alguém vai trilhar é a sua formação no seio familiar. É essa influência que define o seu caráter e tudo que ao redor disso forma e cria uma identidade. Religião e politica pra esses delinquentes são redomas, por onde se protegem de eventuais julgamentos. Alguém acredita que o foro privilegiado e a imunidade parlamentar serão extintos? Esses marginais usam capas de templos, igrejas e afins pra parecerem super-herois; usam espadas de partidos políticos pra fingir que têm poder. A Igreja e a Política são uma extensão desse simulacro que é a própria sociedade. É nesses ambientes que o sujeito se refugia pra fingir que é do bem, usando, principalmente, a instituição família como referência de sua aparente e simulada boa imagem. Nesses lugares o ladrão, o estuprador, o traficante, o agressor de mulheres, o racista, todos ganham uma nova roupagem e escapam do peso da justiça. Longe de mim generalizar fatos e pessoas de instituições religiosas e políticas, porque meus amigos de esquerda, de direita, crentes, católicos, macumbeiros, flamenguistas e vascaínos, por eles me alinho por seu caráter. Enfim, que fiquemos atentos a essa gente que ensina os filhos a roubar e matar e depois vem pedir sua confiança e seu voto.

