sexta-feira, 18 de setembro de 2020

FOGO NO MATO

    Fica até difícil priorizar o assunto sobre as queimadas que vêm assolando a Floresta Amazônica e o Pantanal nesse novo filão do pessoal do agronegócio de derrubar árvores e plantar boi no lugar.
   Se a crítica em si aborrece alguém do setor, os registros já apontam a ação do homem em mais um evento de agressão à natureza nesses tempos em que a mais antiga das atividades do homem, ao contrário do que já se verifica em outros quadrantes, aqui a agricultura também desvia da renovação que o setor já desfruta com ênfase na sustentabilidade. 
   É claro que não se pode generalizar a prática criminosa desse fogaréu todo, mas dá pra afirmar que grande parte das queimadas é delituosa, pois mesmo antes,  quando se atribuía ao aquecimento global as chamas no mato, as ocorrências eram bem menos frequentes que agora.
   O Brasil deve ser o único país que não consegue ou não se dispõe a conciliar a atividade agrícola com o meio ambiente e os recursos minerais distribuídos em sua vasta geografia. Não faltam órgãos de pesquisa e tecnologia que possam auxiliar o setor agrícola a conjugar a lida no campo com a natureza, mas parece que questão mercantilista fala mais alto, o velho princípio do lucro imediato, sem preocupação alguma com as próximas gerações que poderão desfrutar das riquezas do país. 
   Quanto ao governo federal, o mínimo que se pode fazer ele já faz, disponibilizando recursos e infraestrutura aos governos locais, tanto na floresta quanto no pantanal, em socorro aos estados envolvidos nos desmatamentos e queimadas, mas muito pouco para quem deveria adotar uma política ambiental adequada à realidade ecológica do Brasil e em consonância com a tendência mundial de proteção e conservação do planeta.
    Há que se destacar as ações descabidas do ministro Ricardo Salles, do Meio-Ambiente, os casos de agressões à fiscais do Ibama, o descaso com a população indígena, o garimpo ilegal, enfim, uma sucessão de erros que já ocorreram em gestões passadas, mas que se acentuam agora com essa agenda muito pouco alinhada à causa ambiental e ecológica.
   É lamentável que o agronegócio brasileiro não esteja totalmente alinhado à políticas que fortaleçam cada vez mais o setor, com uma visão mais global, com as tecnologias de ponta de que dispõe, mas sem, no entanto,  degradar o meio-ambiente.
   Se tem alguém que tire proveito dessas práticas nocivas, para sociedade como um todo, é necessário e importante apagar esse fogo no mato.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

O VÃO DO METRÔ

       O Metrô Rio divulgou uma nota dando conta de uma redução em sua receita da ordem de R$ 409 milhões por conta da pandemia do coronavírus, que reduziu em cerca de 60% o transporte de passageiros. Por isso reivindica o aporte de mais recursos para continuar operando o serviço.
    Só que segundo reportagem do jornal O Dia, há uma batalha jurídica entre a empresa e o estado do Rio por uma parte dos lucros da concessionária, cerca de R$ 198 milhões, obtidos entre 2007 e 2012, que deveriam voltar para os cofres do governo.
    A reportagem destaca ainda a negativa do Metrô Rio quanto à referida quantia em seu caixa, além do imbróglio envolvendo a continuação das obras da Linha 4 e demais investimentos em melhorias do serviço, ou seja, uma briga que vai se arrastar até entenderem o que consta no contrato de concessão e tal pra definir a responsabilidade de cada parte nessa história.
   Agora, nunca é demais lembrar que a população é a única que não pode ser prejudicada nessa briga, principalmente se a concessionária resolver interromper o serviço, como já manifestou, caso não obtenha recursos para prosseguir operando o serviço.
   Ora, já é ruim para a sociedade esse modelo de parceria em que cabe ao estado, por exemplo, a aquisição de novos trens, quando há necessidade de renovação da frota. Ou seja, o dinheiro público ainda empregado em um serviço que o estado não opera. O usuário paga a passagem e ainda compra os trens, e por um tempo bem longo, pois essa parceria do Metrô Rio com o governo do estado vai até 2038, tudo dentro das regras de concessão, sem que  ninguém possa reclamar de eventuais prejuízos. 
   De qualquer forma, essa batalha que está rolando agora só veio em função da pandemia que reduziu o fluxo de passageiros e a consequente projeção de receita e as vantagens para ambas as partes. 
   Mas vale uma reflexão por parte da sociedade e dos próximos gestores do estado esse modelo de concessão de serviços públicos pouco atraente para a população, que além do vão entre o trem e a plataforma, sente no bolso o peso de serviços, ainda por cima, precários. 

domingo, 13 de setembro de 2020

UM RIO DE JANEIRO MELHOR

    A cidade do Rio de Janeiro entrando mais uma vez em clima de eleição com a divulgação das figuras que num primeiro plano vão querer administrar a nossa já combalida cidade maravilhosa. 
   Só lembrando que não foi a pandemia que me impulsionou a fazer essa classificação, pois já havia esse cenário antes da Covid-19 dar essa sacudida geral, não só na cidade como em todos os quadrantes do planeta.
   Aliás, pegando carona nessa forma como os cariocas vêm enfrentando a pandemia nessa aglomeração desenfreada em lugares públicos a gente até reforça a desatenção, falta de educação e de responsabilidade de parte da população com o cenário da doença e seus números ainda em ebulição por aqui.
   É justamente esse vacilo de uma massa considerável que resvala como sempre no cenário político, permitindo que velhas figuras ainda continuem ciscando em nosso terreiro fingindo que fez e que pode fazer mais. O estado em que se encontra a cidade derruba qualquer argumento em defesa dessa gente que governa o Rio ou fez parte de sua gestão nesse últimos tempos.
   Com essas denúncias do Ministério Público contra esses políticos que já governaram a cidade ou ainda estão à frente do governo fica mais uma vez o alerta à população desses caras que nunca representaram algo inovador para o Rio de Janeiro, que pudesse efetivamente colocar nossa cidade no patamar de uma grande metrópole.
  Se os maiores problemas que o Rio tem já duram há muito tempo, essas incursões do MP contra Eduardo Paes, o próprio prefeito Marcelo Crivella, Pedro Fernandes e quem mais vier nessa leva dá bem a dimensão dos cuidados e atenção redobrada aos critérios do eleitorado pra escolher o próximo governante.
  Reservados todos os direitos de defesa de cada um em suposta safadeza com a coisa pública como permite a lei, cabe ao público avaliar e extirpar esses verdadeiros malandros que aprenderam com seus padrinhos políticos a arte de enganar o povo sistematicamente. 
   Não faltam meios pra listar nossas mazelas, basta um rolé pela cidade, usando, inclusive, os modais de transportes públicos, todos precários, para traçar o atual cenário do Rio ao longo de todo seu território. Se alguma fala desses futuros proponentes à gestores da cidades não se enquadrarem nas melhores e mais transparentes  soluções para os nossos problemas, que sejamos bem rigorosos nas escolhas, porque também não faltam oportunidades pra se discutir velhas questões da nossa realidade. 
   O jornal O Globo promove esta semana uma série de debates virtuais com lives no evento “Semana Rio 2020 – Um seminário Reage, Rio!” Durante a semana serão discutidos temas como saúde, educação, transporte e economia com ênfase às particularidades de cada região da cidade do Rio. Especialistas vão enviar suas ideias aos candidatos à prefeituras do Rio ao final dos debates, segundo informações da publicação.
   Taí uma oportunidade pra população ver quem está verdadeiramente antenado com as necessidades do Rio de Janeiro, porque já passou da hora dos enganadores de sempre. 
   A cidade do Rio tem de ter a cara de sua população, não de seus governantes.
   

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

ATUALIZANDO A INDEPENDÊNCIA

       Passados esses cento e noventa e oito anos da independência do Brasil, já deu tempo de os livros didáticos chegarem aos bancos escolares com aquela tecla de F5 pra dar aquela atualizada de leve e mudar a forma como é vista e comemorada a data em que viramos um país de fato.
   Se tem algo de importante no grito do Ipiranga há quase dois séculos atrás, a liberdade do país das mãos do colonizador foi o primeiro passo para sermos localizados no mapa, tipo alguém procurar o Brasil no globo e saber que a gente existe como nação com nome e sobrenome.
   Se desgarrar das mãos do explorador, daquela rotina de desapropriação das nossas riquezas com pouca ou nenhuma vantagem para o Brasil foi uma grande conquista para o povo brasileiro. A partir daquele momento a gente só precisava de sabedoria, transparência e união pra gerir tudo que é nosso.
   É justamente nesse espectro de afirmação nacionalista, nesse conjunto de fatores que o Brasil ainda não atingiu o topo que grandes nações já desfrutam e comemoram também. Se existem níveis de comemorações inerentes à importância dos fatos, só deveríamos lembrar das lutas pra desamarrar as correntes do passado, só isso. 
   O nacionalismo tão exacerbado não se traduz em conquistas para o conjunto do país que ainda é dividido por interesses que passam ao largo da coletividade. É como se o famoso amor à pátria não passasse de uma questão de estética quando se entoa o Hino Nacional e a Bandeira do Brasil é hasteada, no momento em que há um desequilíbrio de forças em detrimento do plano geral de se construir uma nação para todos os brasileiros.   
   Antes que interpretem pessimismo nessas linhas devo lembrar que a soberania de qualquer país é construída dentro de seu próprio quadrante, não tem nada a ver com o orgulho que eventualmente  despertamos no forasteiro. O reconhecimento do Brasil fora de nossas fronteiras  é o sentimento em outros países de que podemos e devemos fazer o dever de casa como fazem por aí. 
   Não tem como desassociar a nossa esperança por um país de ponta com as mazelas e os malfeitos que vão protelando nossos melhores projetos. Se alcançamos a independência, falta agora a hegemonia, aquela instância em que o Brasil é bom para os brasileiros, cuja autoestima não pode ficar restrita à crenças, ideologias e jeitinho brasileiro. 
   
   


domingo, 6 de setembro de 2020

RESPONSABILIDADE É TUDO

      Passados esses seis meses de pandemia já dá pra fazer  um balanço bem mais amplo que no começo de tudo, quando os dados e informações girava em torno única e excessivamente da evolução da doença, o pânico da população, aquele monte de números que ainda se alteram todos os dias. 
   Tudo que está sendo discutido até agora em torno da pandemia se baseia em dados fornecidos pela comunidade científica do Brasil e lá de fora. São informações que auxiliam os governantes a tomarem medidas com relação à gestão da crise provocada pela doença, seja na própria área de saúde, a questão econômica e as restrições impostas à população enquanto durarem os números preocupantes da Covid-19.
   Essa parte referente à rotina da população parece ser a mais complexa, agora que aumentou a flexibilização e a rotina das pessoas está quase voltando ao seu nível normal.
   Houve, sim, aquele período crítico, em que todo mundo teve de fazer sacrifícios, mas agora que as ruas começam a encher novamente, o trânsito voltando ao seu rush de sempre, enfim, as cidades voltando a respirar com a abertura do comércio e demais atividades, já deu pra geral assimilar os cuidados que ainda precisam ser observados. 
  A tal flexibilização é apenas, pelo menos por enquanto, pra fazer a economia andar, mas tudo dentro de recomendações da área de saúde, dos pesquisadores e especialistas que costumam lidar com isso, porque já houve casos de contaminação de outras doença entre nós.
   Isso é o suficiente para a população como um todo se ligar no perigo que ainda nos cerca. Independente de qualquer medida imposta principalmente pelos prefeitos da cidades,  as pessoas deveriam ter mais cautela, mais responsabilidade com essas aglomerações vistas ultimamente. É triste ver praia lotada em plena pandemia, bares abarrotados de gente, eventos de música a pleno vapor, num tempo em que é possível desfrutar dos prazeres da vida sem correr riscos.
  Daqui pra frente, tudo que for posto na balança pra avaliar os números e o cenário da pandemia não pode falta na pesagem o comportamento pouco prático e responsável de um universo considerável da população. 
  Cadê aquele jeitinho brasileiro que sempre  driblou crise de outros tempos? Por que não botar em prática o famoso jogo de cintura do carioca, que sempre ri de seu infortúnio, mas não deixa de ser feliz. Se a praia está longe e perigosa, vamos de banho de borracha, de balde, aquela piscina inflável bem familiar. Por onde anda o bom e velho churrasco na laje, claro, sem aquela muvuca toda?
  Com relação às crianças, muita gente está criando formas seguras de manter a molecada em movimento, atividades escolares e de entretenimento em família, tudo é possível para espantar a depressão e o tédio.  Dá pra tocar o barco até a maré alta passar. O que não pode é piorar um cenário que ainda preocupa.
   Portanto, falta a essa parcela que vem, sistematicamente,  descumprindo regras assumir sua responsabilidade pelo conjunto,  mais senso de coletividade, enquanto muita gente ainda segue à risca todos os protocolos.
   
   
  
   

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

HOMENS BIZARROS

   Pelas atribulações evidentes hoje no cenário político, é importante que façamos uma avaliação sobre o comportamento de todos aqueles que nos representam em todas as esferas de governo. Um olhar mais crítico sobre a forma e modelo com que conduzem o que é público e de interesse coletivo, mais precisamente sobre suas atribuições e prerrogativas dos cargos que ocupam.
   Seria até interessante e mais agradável uma análise sobre o que falta acontecer, o que falta o homem público realizar dentro do que compete a ele executar, enfim, elementos de grandes projetos e uma realidade positiva que pudessem embasar essa discussão, mas vendo agora esse expediente do prefeito Marcelo Crivella usando funcionários sob seu comando constrangendo pacientes e obstruindo o trabalho de repórteres na porta de hospitais públicos  dá bem a dimensão de como o poder pode desconstruir a consciência do homem público de suas funções. 
   É sabido que o regime democrático permite que qualquer cidadão se sinta representado, mas também define o campo de atuação, os deveres e responsabilidades dos mandatários de cargos públicos. Estes não podem perder a noção dos cargos que ocupam. Não consta que eles podem extrapolar o limite de suas funções. É inadmissível que a sociedade tome prejuízos de qualquer ação extracampo de quaisquer agentes públicos.
   Não podem o prefeito, o governador, o presidente ou quem quer que seja fazer o que bem entender, como se isso fosse normal, só porque têm o poder nas mãos. Ao contrário do que ele acredita, o prefeito não pode armar-se de grupelhos para esculhambar o trabalho da imprensa que se serve justamente de trazer os fatos da realidade que nos cerca.
   Não cabe num regime democrático espaço para perseguição, repressão e autoritarismo de qualquer natureza por pura conveniência ou intolerância à oposição, como fica bem evidente em algumas falas e ações  do presidente Jair Bolsonaro em casos recentes de ataques verbais à jornalistas e opositores, assim como a confecção de relatórios sobre funcionários com viés ideológico contrário à situação, numa clara demonstração  de perseguição totalmente fora dos padrões de convivência política que dita as normas da democracia. 
   Nesses tempos de aberrações políticas e homens vacilantes há um desgaste considerável para quem se excede no poder e um revés a mais para o processo evolutivo que a própria política deveria implementar. Em vez disso, o homem público pouco afeito aos princípios básicos da convivência política perde a oportunidade do prestígio e gasta a energia que o poder lhe confere em práticas sem cabimento. 
   Resta à sociedade ou parte dela não cair nessa pilha e observar sempre quem tem de fato talento para o jogo político e não recorra à ações maliciosas e fraudulentas. Que haja sempre vigilância por parte dos órgãos concebidos para vigiar as normas que cabe ao homem público observar e obedecer.
   Que possamos encerrar esse ciclo de pantomina e seus homens bizarros. 
   
   


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

CRIVELLA JÁ PODE SAIR

    O prefeito do Rio Marcelo Crivella resolveu incluir em sua agenda de governo um item completamente incompatível com os ideais da democracia. 
    Se já era ruim que a população sentisse na pele a precariedade do sistema de saúde do município e tivesse dificuldades para usar os canais disponíveis para expor sua indignação, pior ainda quando a imprensa se vê impedida de tornar públicas as reclamações frequentes dos pacientes das principais unidades de saúde da cidade. 
   Os tais “guardiões” que o prefeito colocou na porta dos hospitais municipais, mais do que uma afronta à liberdade dos cidadãos e da imprensa, é a prova cabal de que os serviços oferecidos não condizem com a atual realidade e demanda da população, caso contrário a imprensa não encontraria obstáculo algum para informar à população a excelência do serviço. O próprio prefeito faria questão da publicidade.
   Aliás, o prefeito poderia utilizar esse grupo para entrar nos referidos hospitais e verificar se a unidade está funcionando dentro dos conformes, com um relatório dos problemas e necessidades  que cada um tem e enviar ao prefeito, que de posse de informações pudesse efetivamente melhorar a qualidade do serviço. É o mínimo que quem prometeu prometeu cuidar das pessoas poderia fazer. 
   Agora, ao utilizar funcionários para atuar fora de suas atribuições para interpelar o trabalho de repórteres na porta dos hospitais municipais, o prefeito Marcelo Crivella incorre em prática ilícita, em total desacordo com as prerrogativas do cargo e pode ser interpelado judicialmente, como já adiantou o Ministério Público do Rio de Janeiro, manifestando a intenção de investigar a suposta participação de Crivella no esquema organizados pelos funcionários através das redes sociais. 
   Não seria exagero afirmar, portanto, que o prefeito Marcelo Crivella corre risco de impeachment, se comprovada sua responsabilidade no esquema denunciado.
   Para o bem da democracia, da cidade e da população não seria de todo mal tirar o poder de quem nunca esteve preparado para o cargo, não aceita críticas à sua gestão e vive constantemente atentando contra um dos princípios básicos da democracia: a liberdade de imprensa. 
   A persistir esse despreparo para o cargo, melhor sair.




sábado, 29 de agosto de 2020

UM OLHAR SOBRE AS INFLUÊNCIAS

 Seria mais interessante falar sobre a referência das pessoas, suas influências, num cenário positivo, das melhores expectativas possíveis, em que os efeitos da convivência humana descortinem o melhor dos horizontes.
  Mas como saltam aos olhos nos dias de hoje uma já conhecida diferença entre o que se fala e o que se faz, então nos ocupemos um pouco dessa separação do discurso da prática.  
  Não é que estejamos  inaugurando a era das más influências no seio da sociedade, pois já tivemos  momentos em que esse cenário ficava em segundo plano. Um tempo em que além da instituição família como referência contemporânea, as principais figuras públicas se sobressaíam justamente pelo exemplo de seus discursos em consonância com a vida prática. 
  Se o círculo familiar sempre foi a matriz de grandes projetos de vida e seus valores, personagens  de outros círculos e instituições também contribuíram como referência de conduta para a sociedade. Autoridades religiosas, agentes públicos, artistas, esportistas e demais figuras públicas, não faltam seguidores desse universo de gente de bom comportamento.
  É claro que muita gente se espelha na figura de pai, mãe,  avós, mas há também quem queira seguir o exemplo de outros personagens que transitam bem distante do ambiente familiar. Se vestir como o ídolo da tv; ser descolado como o craque do time de futebol; abraçar a causa de celebridades; adotar a fala e o discurso de personalidades religiosas, enfim, um sem número de gente ditando moda, regras e estilos de vida, passando para o público a força de sua aparição e jeito de viver.
  No entanto, o que se discute hoje é a forma como essas pessoas que num primeiro plano servem de exemplo, mas que destoam completamente desse status de que gozam perante o público, em casos conturbados de suas vidas pessoais que anulam todo o discurso e a mensagem que passam como ídolos.
  Crimes em família, casos de corrupção e outras práticas ilícitas de figuras públicas, que nesses tempos de velocidade em rede, além de repercutirem negativamente na imagem dessas celebridades, trazem reflexões sobre a influência de figuras públicas na vida das pessoas.
   Até que ponto se pode separar a agenda pública da vida privada? É possível ficar alheio à vida pessoal daqueles de quem se admira ou nos representa no cenário político? Como fica o olhar sobre aquela referência espiritual que tanto conforta como decepciona? Enfim, como fazer a defesa e manter o mesmo vínculo com quem já não desfruta do status de outrora? 
  São perguntas que surgem em meio a esse cenário, são questionamentos que independente do tempo de respostas já estimulam uma revisão na forma como lidamos e nos amparamos em quem nos representam, em quem apostamos nossas fichas. 
  Se ao longo dos tempos houve alguma mudança nos critérios de escolha, que os maiores valores permaneçam intactos em todo esse processo. Afinal de contas, nós temos nossas referências para alavancar nossas vidas, mas também servimos de referência para alguém em nossas vidas.
  

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

IMORALIDADE

   Isso não tem nada a ver com religião e política. Ninguém aprende a ser vagabundo, marginal, hipócrita, ladrão e mentiroso sob o manto de denominação religiosa ou por interferência ideológica. O que dita o comportamento e a estrada que alguém vai trilhar é a sua formação no seio familiar. É essa influência que define o seu caráter e tudo que ao redor disso forma e cria uma identidade. Religião e politica pra esses delinquentes são redomas, por onde se protegem de eventuais julgamentos. Alguém acredita que o foro privilegiado e a imunidade parlamentar serão extintos? Esses marginais usam capas de templos, igrejas e afins pra parecerem super-herois; usam espadas de partidos políticos pra fingir que têm poder. A Igreja e a Política são uma extensão desse simulacro que é a própria sociedade. É nesses ambientes que o sujeito se refugia pra fingir que é do bem, usando, principalmente, a instituição família como referência de sua aparente e simulada boa imagem. Nesses lugares o ladrão, o estuprador, o traficante, o agressor de mulheres, o racista, todos ganham uma nova roupagem e escapam do peso da justiça. Longe de mim generalizar fatos e pessoas de instituições religiosas e políticas, porque meus amigos de esquerda, de direita, crentes, católicos, macumbeiros, flamenguistas e vascaínos, por eles me alinho por seu caráter. Enfim, que fiquemos atentos a essa gente que ensina os filhos a roubar e matar e depois vem pedir sua confiança e seu voto.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Comemorar o quê?


 É normal qualquer clima festivo da população toda vez que há um desfecho positivo em ações das forças de segurança em momentos de agonia e apreensão que já fazem parte da rotina do estado do Rio de Janeiro.
   Todo esse calor que tomou conta das pessoas pelas redes sociais durante o sequestro do ônibus na Ponte Rio-Niterói dá bem o tom de como a sociedade está envolvida e atenta para qualquer medida que possa trazer sossego para toda a população.
   Se a população comemorou com fervor o desfecho positivo da ação policial é porque ela deseja e espera um estado sempre eficiente na defesa da população que vem sofrendo em sua rotina diária com a timidez de políticas de segurança que remontam de gestões anteriores.
   Agora, está muito cedo para o governador comemorar qualquer resultado positivo em começo de gestão. A população pode, sim, festejar, porque não é sempre que ela sai ilesa de confronto do aparelho policial com quem atenta contra a paz do cidadão.
   Apesar de louvável a presença de Wilson Witzel num momento de aflição ali no local do incidente, a comemoração é completamente inoportuna, sendo que os desafios do governador estão só começando. Até porque, este incidente na Ponte é o primeiro de grande repercussão em que não houve revés para a população, e por si só demonstra claramente para a cúpula de segurança a necessidade de ser sempre eficiente em suas incursões toda vez que a paz da população for posta à prova.
   Seja em incursões em comunidades, no deslocamento diário pelas ruas da cidade ou em qualquer outro ambiente em que a população se faz presente, há sempre momentos de tensão em que a população corre riscos e o poder público tem a responsabilidade de garantir a segurança dos cidadãos sem prejuízos para quem quer que seja.
   De qualquer forma, é mais um caso que torna ainda mais abrangente a política de segurança do estado, além de trazer reflexões sobre a questão da segurança pública em áreas de mobilidade urbana, hospitais, escolas, enfim, em toda a agenda da população fluminense, obrigando o governador Wilson Witzel a corresponder a confiança depositada nas urnas.
    Mas sem comemoração por parte do governador, por enquanto; apenas destacando a eficiência da equipe de segurança. 
     

     
    

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A mesma lama

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   O pior das tragédias é quando delas não se tira lições, e as perdas de vidas humanas seriam o suficiente para que houvesse uma mobilização maior por parte de todos os órgãos e autoridades envolvidas em mais um caso trágico que se repete.
    Não fossem a solidariedade das pessoas e toda a repercussão na imprensa, aquele falatório e jogo de empurra de sempre é que se destacariam no conjunto de erros e descaso. Se vem de tempos anteriores a mesma timidez e passividade que se verificam hoje, não há nenhum sinal de que pelo menos vidas humanas ficarão de fora de outros cenários dessa natureza.
    Agora é inútil ficar especulando sobre como era Vale sob a égide do governo, antigamente, e agora, nas mãos do capital privado, assim como essa perda de tempo de internautas nas redes sociais partidarizando e dando cunho ideológico a uma tragédia que atinge todos na mesma magnitude, porque, entende-se que quando envolve vidas humanas qualquer questão é unânime na busca de soluções.
   Se em gestões passadas pouco se fez para implementar de forma segura e sadia toda e qualquer proposta de manuseio do solo em todas as suas variantes, inclusive e principalmente na área de mineração, pelo menos até agora esse governo que se inicia não deu mostra de que vai reverter esse quadro.
  Muito pelo contrário, o presidente Jair Bolsonaro já manifestou, bem antes dessa tragédia de Brumadinho, seu descaso com a questão do meio-ambiente, afirmando que licença ambiental atrapalha obra e tal, enfim, sem a noção exata de que é justamente esse instrumento que permite que projetos sejam implementados dentro das especificidades e critérios técnicos devidamente apurados conforme as leis ambientais vigentes, de forma que haja segurança para a sociedade e para o meio-ambiente.
   A Vale sabe perfeitamente dos riscos de todos os empreendimentos das atividades da empresa, assim como as penalizações pertinentes aos crimes previstos em lei, como é o caso desse acidente ocorrido em Brumadinho, que em nenhum momento pode passar em branco no que diz respeito às reparações, que ainda que sejam efetuadas na mesma proporção e dimensão dos danos causados, ainda assim não trarão de volta o conjunto de tudo que foi destruído, a fauna, a fauna, a vida das pessoas e a rotina de Brumadinho, agora emersa na lama.
    A justiça de Minas Gerais bloqueou cerca de 11 bilhões de reais para ressarcimento de perdas e danos em geral. É muito pouco para o montante que foi destruído, considerando outros casos em que a empresa esteve envolvida, como em Mariana, em 2015. 
     Se crime ambiental ainda não deu cadeia no Brasil, tá na hora de inaugurar essa nova era.