domingo, 16 de março de 2014

O morro continua sangrando

   Que a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora na cidade do Rio de Janeiro não é o modelo eficiente de segurança pública todo mundo já sabe.
   Pelos constantes conflitos em áreas ocupadas por forças policiais, a população da cidade já tem uma ideia de tudo que precisa ser feito para trazer a segurança que todos precisam há muito tempo.
   Quando as primeiras incursões  foram feitas nas comunidades carentes de outros serviços, as prisões efetuadas nas operações não representaram efetivamente o fim do domínio das facções que por muito tempo consolidaram seu poder nestas áreas agora com presença relativa do estado com seus organismos de segurança.
   Antes que se discuta que a constância do braço armado do estado não é suficiente para garantir a paz nas favelas, é bom lembrar que os indicadores da violência fora desses territórios, ou seja, no asfalto, também não são animadores. Nesse sentido, o governo do estado não pode passar para a população a ideia de que o projeto das UPPs seja suficiente para acalmar a massa e diminuir os números de outras modalidades de crime que afrontam a integridade física e moral da sociedade como um todo.
    Dentro desse novo efetivo que opera nas comunidades, já há mostras de que esse modelo peca pela filosofia que a Polícia Militar adota para conduzir as ações que dependem dos aspectos de cada região, mas que demonstram a timidez e a fragilidade do Alto Comando da corporação para substanciar o discurso do governador e do secretário de segurança.
   Quando os protestos na cidade questionavam o desaparecimento do Amarildo na Rocinha, tanto a Polícia Militar quanto José Mariano Beltrame e o próprio Sérgio Cabral ficaram devendo à opinião pública a solução desse caso, que até hoje é um mistério.
   Agora vemos o fatídico episódio envolvendo o policial Leidson Acácio Alves, um simples aspirante a oficial exercendo o cargo de subcomandante de uma unidade, que pela complexidade da área nela estabelecida, dependeria exclusivamente de alguém mais capacitado, com mais tarimba, para desempenhar uma função de alta responsabilidade e capacidade, em meio aos discursos vazios de Sérgio Cabral e a aflição de quem vive completamente desprotegido nas comunidades, sejam os moradores ou o próprio aparato policial.
   Não há dúvidas de que faltam nessas localidades a atuação maciça de outras esferas governamentais com políticas públicas de grande porte. Da prefeitura com ações que supram outras carências de ordem social, e do governo federal com projetos que sirvam de modelo para todo o país.
   Porque do jeito que está, fica parecendo mera propaganda eleitoral, enquanto o morro vai sangrando e o poder público definhando de vez.
  

terça-feira, 11 de março de 2014

Nas portas da vida

 

Antes de me enveredar nesse ofício de reportar fatos  e situações do nosso cotidiano, eu já aprendera a lidar com fechaduras, chaves, expediente de conserto e manutenção que executo até hoje como ganha-pão.
   E foi justamente na profissão de chaveiro que eu tive a primeira experiência de companheirismo em toda a extensão da palavra. Naquela época, teoria era coisa desprezível, porque a prática é que dava resultados.
   Nessa troca constante que executamos na vida, sempre em comunhão com alguém disposto a ensinar para aprender, a gente acaba sempre se lembrando de alguém especial, com quem tivemos a honra de trocar figurinhas no passado.
   Meu velho companheiro Antônio Alves Fernandes se foi, mas fica o registro de grandes conquistas e grandes descobertas, do tempo suficientemente curto, mas extremamente importante que eu vivi ao lado de quem estava sempre disposto a oferecer mais do que receber.
   Foi um breve ciclo, mas que permitiu assimilar o que há de melhor nas relações humanas. Diferentemente de hoje, quando há um incessante intercâmbio de futilidades, naquela época se compartilhava verdadeiros valores, e o velho companheiro Antônio contribuiu enormemente para que eu colocasse em prática, hoje, tudo aquilo que consegui resgatar como algo edificante, resultado daquela feliz convivência.
   Não cabe aqui enumerar as qualidades que fizeram do velho companheiro Antônio um grande homem, mas eu não poderia me furtar a enaltecer sua grande marca, a solidariedade, que eu tive a felicidade de usufruir, nos velhos tempos da Rua Fonte da Saudade, onde eu aprendi a evoluir como pessoa humana e também como chaveiro.
   Nas portas da vida, não há como saber com que horizonte nos defrontaremos. Por isso, continuaremos aqui, fechando uma e abrindo outras, até ver o que acontece.
   Um breve adeus ao velho companheiro Antônio, que certamente abriu uma grande porta.
  

sábado, 8 de março de 2014

Um tributo às mulheres

  O meu primeiro Lar Doce Lar foi o ventre mais aconchegante que eu habitei. Mas, se eu estivesse lá até hoje jamais conheceria esse mundo de intrigas, onde as mulheres mais poderosas são as que têm os seios mais fartos.
   De todas as substâncias já experimentadas e empregadas no mundo, a proteção e a dedicação são as marcas de um amor mais que perfeito, por isso que tu és, mulher, a mais desejada, ainda que a mais oprimida.
   De todos os valores e conquistas que projetaram para esse mundo-cão, a coragem e a vitória final são as insígnias do maior triunfo, por isso que tu és, mulher, a mãe de todos os poderes.
   Ninguém move o mundo sem o impulso de uma grande mulher.
   As ciências, as artes, a política, os grandes negócios também têm belas curvas, os instintos mais selvagens e o perfume que exala mais forte.
   A essência do mundo é uma minúscula partícula que nasce naquela redoma chamada placenta, onde brotam os artífices da terra.
   Para uns, a maior de todas as mulheres já se foi, mas tem sempre uma grande mulher nos rondando, com seu talento, seus prazeres, seus ensinamentos, suas certezas e seu fogo ardente.
   Mulheres de toga, de avental, mulheres de areia, descabeladas e exuberantes, para delírio de quem tem o privilégio de usufruir de tamanha beleza. 
   Tanto faz, mulher, se fores impertinente, encantadora, exuberante ou arrebatadora. O mais importante é que estejamos sempre em sua teia, caindo em tentação ou em suas graças.
   Às mulheres de todos os quadrantes, minhas mais sinceras e reconhecidas reverências.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Política de lixo

   O que pode ser mais grave nessa greve dos garis do Rio? O precedente que outras categorias profissionais abriram ao aderirem à paralização em momento inoportuno? Ou a própria afronta à lei que permite o movimento, mas estabelece regras quanto à continuidade do serviço?
   Há outras implicações além da imagem da cidade arranhada, no momento em que milhares de visitantes voltam para sua casa com uma impressão medonha da cidade do Rio.
   Se em tempos normais já é difícil dar um tratamento adequado ao lixo urbano, imagine agora, com o acúmulo de detritos de toda ordem espalhados pelas ruas, e um contingente proporcionalmente menor para retomar o recolhimento do lixo em tempo hábil, antes que o problema tome proporções incalculáveis para a rotina da cidade e a vida da população como um todo.
   Já não bastam as indefinições de políticas ambientais, no qual a questão do lixo está inserida, que passam ao largo de tudo que foi proposto na Rio+20?
   Já seria demais para o futuro de uma grande metrópole que o problema do lixo não seja discutido dentro da área de saúde pública.
   Quando um assunto de suma importância para a cidade se desenrola dentro da esfera pública, descortina-se no cenário do Rio, não só a sujeira que traz riscos para a população como também a timidez da administração pública para lidar com política salarial dentro de uma agenda compatível com a vida do cidadão e a rotina da cidade, principalmente em épocas de grandes eventos.
   Para os representantes da categoria dos garis, a falta de ética profissional, considerando a prerrogativa de serviço público que cerca a atividade, da qual a população depende e exige o mínimo de excelência, que fica ainda mais comprometida quando se permite a ingerência de outras correntes políticas em assunto que não lhes compete resolver, muito menos avacalhar o processo em andamento.
   Seria um lixo a mais para se remover do Rio. E a Cidade Maravilhosa não merece tanta sujeira. 
  

quinta-feira, 6 de março de 2014

O triunfo de Paulo Barros

   Houve um tempo em que o samba-enredo era o cartão de visita das escolas na Marquês de Sapucaí. Havia sempre um refrão empolgante, que ao ecoar na Passarela do samba levantava o público, prenunciando o triunfo da agremiação, ao som do samba cantado exaustivamente ao longo do desfile.
   Aqueles sambas que se eternizaram na boca do povo, tanto que alguns já foram até reeditados em enredos recentes.
   Agora, os desfiles ganharam ares de um grande espetáculo teatral, com performances diferenciadas em todas as alas, reproduzindo com requinte o universo do tema encenado pela escola, principalmente as comissões de frente, que se tornaram o ponto alto dos desfiles, pela surpresa que o carnavalesco guarda até o último momento, causando expectativa e frisson, tanto no público quanto nos jurados.
   E é justamente neste quesito que a grandiosidade da Escola de Samba ganha corpo na avenida. O começo de uma breve história que todos os integrantes se esmeram em narrar o mais perfeito possível, sob o olhar crítico de perspectivas completamente distintas, do espectador e dos julgadores.
   Para grande parte do público, a cadência do samba, o luxo das alegorias e fantasias, a harmonia das alas e a compatibilidade entre o enredo e os elementos exibidos no desfile têm um olhar um tanto quanto superficial, sem, no entanto, deixar de discernir o exuberante do medíocre.
   Na ótica dos jurados, tudo que é apreciado, analisado, examinado tem seus pormenores, seus detalhes, o que não quer dizer que todo esse critério revele com exatidão quem mais encantou  público.
   Nesse aspecto, Paulo Barros deve estar colhendo esses louros justamente por ter se aproximado mais daquilo que entende-se como algo perfeito. 

sábado, 1 de março de 2014

Rio de carnaval e resistência

   Não é sempre que as comemorações pelo aniversário do Rio de Janeiro coincidem com a maior festa do nosso calendário.
   Pelo aspecto multicultural do povo carioca, fica até parecendo que o carnaval também faz 449 anos.
   Se a cidade do Rio de Janeiro evoluiu enormemente ao longo de quase meio milênio, as mudanças que poderiam efetivamente acompanhar o ritmo frenético de uma grande metrópole ficaram no ensaio das importantes manifestações, sejam elas das ruas, retomadas recentemente, ou no seu aspecto cultural que o carnaval emblematicamente traduz desde a época dos corsos até os dias de hoje com o crescimento do blocos de rua e dos grandes enredos da avenida.
   Mais especificamente neste ano cheio de incertezas e também de expectativas, louvemos menos as belezas naturais da cidade maravilhosa, e consagremos a resistência do carioca a tudo que lhe é hostil.
   A febre do isoporzinho para combater a carestia; as mensagens das camisetas aos governantes; e as fantasias inusitadas, exóticas e irreverentes acabam por remeter o carnaval a uma grande forma de protesto da população por tudo que ainda não foi realizado em mais de quatro séculos de história.
  Portanto, mais do que exaltar tudo aquilo que enche os olhos de quem vem se esbaldar em quatro dias de folia, é enaltecer as proezas de um povo feliz e resistente em toda sua essência.   

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A outra Guerra Fria

   A Ucrânia é o primeiro idício de que o mundo não evoluiu desde o fim da Segunda Grande Guerra, quando todo acreditava que não haveria mais nenhuma desvença entre nações ou blocos econômicos.
   Qual e diferença entre a Polônia de outrora, dividida ao meio por tiranias de diferentes estirpes, e a Ucrânia, disputada pelo saudosismo de Putin em reeeditar o poderio sovético e o desespero do velho continente, a Europa, para tirar o euro do câmbio paralelo e fortelecer a economia do Bloco?
   É bem verdade que Barack Obama não tem cacife para criar um novo Plano Marshall, caso lhe coubesse a árdua missão de salvar a Europa de uma hecatombe econômica.
   Mas tanto quanto as rusgas em torno de Varsóvia dividia o mundo em imbecilidades, Kiev também está no centro de uma contenda entre o poder de sedução dos europeus e a sanha tirânica de Putin.
   O próximo mandatário da Ucrânia ainda é uma incógnita, dada a divisão de forças do eleitorado daquele país, onde uma grande parcela deseja uma nação aos moldes da cultura ocidental, e a outra que parece querer contribuir para que a Rússia espalhe uma nova onda soviética.
   Mesmo que as decisões verdadeiramente soberana do povo ucraniano alargue as fronteiras do velho continente, é certo que Vladimir Putin reinaugurou a Guerra Fria, ainda que sem os resquícios ideológicos do passado, na época do famoso Muro, embora o governo russo pregue sistematicamente o fortalecimento do Estado, enquanto as administrações da Europa, o encolhimento deste, o que não deixa de ser um grande divisor de águas no mapa do mundo. 
   De qualquer forma, é mais importante que a população da Ucrânia resolva seus conflitos internos, mesmo no meio desse fogo cruzado.
  

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A dúvida do gol

   Eu sempre entendi o advento das tecnologias como fator de evolução humana, em que uma ideia genial pode perfeitamente superar uma grande expectativa ou, na pior das hipóteses, atender uma pequena necessidade.
   Nesse intrincado mundo futebolístico, não há dúvidas de que a televisão deu um suporte a mais para o espetáculo do futebol, pelo recurso da imagem que o rádio não podia oferecer.
   Naquela época, o torcedor enfurecido atirava o radinho ao chão porque a bola não entrava, naqueles domingos de Maracanã, em que nada dava certo.
   Mas isso não criava implicações para o dia seguinte porque a imagem que tanto o narrador quanto o trepidante construíam não suscitavam as dúvidas quanto à expectativa de um grande lance até a bola estufar a rede.
   Hoje, qualquer parafernália de última geração só servirá apenas para diminuir a margem de erro humano e colocar as coisas em seus devidos lugares, incluindo a bola que estava lá dentro do gol.
   Mesmo que essas novas ferramentas não possam evitar grandes sobressaltos, as limitações da capacidade humana de operar seus próprios sentidos não podem servir de subterfúgio para se desconstruir a realidade percebida a olho nu.
   Portanto, eu não ligo que questionam a minha inteligência. Também não me importo que julguem meus conceitos, nem tampouco que especulem sobre meus princípios.
   Só não vale duvidar da minha visão apurada.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Racismo não tem vez

   O primeiro contratempo do futebol foi o gol-contra. Depois, durante o tempo em que a elite formatava as grandes jogadas e a zona de agrião, alguns boleiros começaram a inventar a mesmice dentro das quatro linhas.
   É lógico que a burocracia dos principais fundamentos do futebol não poderia eternizar o velho esporte bretão, quebrando fronteiras e desenhando um novo mapa geopolítico da arte de jogar bola!
   A revolução do futebol teve origem nos campos de várzea, de terra batida, de onde brotaram os meninos de canelas cinzentas e a bola de meia.
   Hoje, o futebol não tem raça nem fronteira nem nacionalidade. Por isso, é inadmissível que  ainda entoem das arquibancadas os cânticos de intolerância toda vez que neguinho ensaia uma grande jogada.
  Quando o futebol virou espetáculo a firula foi o primeiro grande ato dos grandes palcos encobertos de grama. E o futebol deve à ginga do negro a magia que emana das grandes peladas, construindo um gol, decidindo um campeonato e encantando um público sempre fiel às suas origens e seus princípios.
   Uma partida de futebol é como uma grande roda de capoeira, do público em círculo, entoando em compassos de samba as proezas do moleque de canelas cinzentas, a nobreza de um grande gesto e a elegância de um grande feito.
  Cubillas, certamente deu ao povo peruano, não só o orgulho de ter um grande ídolo, como também a honra de um povo civilizado. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A morte da imagem

  A imprensa brasileira pode até não ser diferente dos outros poderes constituídos, em níveis de incongruências, hesitações, empatia e unanimidade. Mas isso não lhe tira a sina de estar sempre entre a cruz e a espada, ou para ser mais preciso e conveniente aos dias de hoje, entre a pedra e a vidraça.
  A morte trágica do companheiro Santiago Andrade reproduz fielmente essa nova atmosfera de fagulhas em que a imprensa está inserida.
   De qualquer forma, mesmo que a democracia brasileira não tivesse nascido em frangalhos, ainda assim a imprensa se fundaria como elo entre dois extremos.
  Em regimes de exceção ou não a censura aos meios de comunicação só difere da forma com que ela é executada, tramada, articulada, instituída, aos moldes dos ventos que sopram do poder.
   Não é menos grave que os instrumentos que calavam as vozes e vendavam os olhos tenham evoluído ao ponto de ofuscar a imagem que vale mais que mil palavras, como era o objetivo de quem pretendia deter o ímpeto do fiel cinegrafista.
   O que preocupa é a imprensa sofrer ameaças de outras frentes, onde até quem almeja o poder também ensaia respingar de sangue um dos principais símbolos da democracia do Brasil: a liberdade de expressão.
   O poder pelo poder não se dá pela morte da palavra, muito menos pela morte da imagem que o Brasil quer reconstruir. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A saga da violência

   A imagem de um jovem desafortunado imobilizado por uma trava comumente usada para prender bicicleta revela com exatidão como a questão da violência é tratada, ou não tratada, e seus efeitos no cotidiano das grandes cidades.
   Não seria menos estarrecedor se o suposto infrator estivesse preso por algemas, ao menos que a presença do estado fosse algo mais abrangente, mais eficaz, sem o imediatismo igualmente infrutífero que o cidadão indefeso emprega como solução de curto prazo.
   Se não é novidade que jovens delinquentes e seus algozes se equiparam como vítimas de um mesmo e combalido sistema, também não é de hoje que o poder público adota medidas de segurança com poucos resultados práticos, que há muito contribuem para esse clima de barbárie.
   O Brasil nunca foi um país sem lei. O máximo que chegamos a ser é subserviente. Mas isso não impediu que construíssemos um estado de direito capaz de tornar o Brasil uma nação soberana, apesar dos contrastes e aberrações de algumas letras em vigor.
   A própria constituição brasileira, ao mesmo tempo em que oferece atalhos para o atraso e o continuísmo, impõe também garantias ao cidadão brasileiro em seus aspectos individuais e coletivos.
   Em função disso, a sociedade tem seus representantes, de quem se pode e deve exigir políticas públicas voltadas exclusivamente para a socialização de menores infratores, assim como projetos educacionais com ênfase na educação básica em tempo integral e outras diretrizes que proporcionem a efetiva formação de verdadeiros cidadãos ainda na sua origem.
   A população brasileira não pode ficar assim, por tempo indeterminado, à mercê de políticas de segurança pública de cunho eleitoreiro, além do outro sistema corporativista e voraz que vai criando esses falsos meios de defesa como contraponto à ausência do estado no combate à violência.
   O que são os shoppings-centers? Os condomínios fechados? Os carros blindados? E as tecnologias que invertem completamente os valores, as grades e alarmes? Uma parcela significativa da população não tem acesso a esses paliativos.
   Tanto especialistas, estudiosos e pessoas de bem apontam soluções que aos olhos dos arautos da miséria soam como utopia, mas é bom lembrar que o povo brasileiro consegue conviver com suas diferenças ideológicas, religiosas e étnicas, rechaçando qualquer possibilidade de conflito que ponha em xeque a soberania do país, como acontece em outros quadrantes do planeta.
   Isso é suficiente para sermos uma sociedade justa. 
  Segundo levantamento do Instituto Data Popular, nos últimos 10 anos as classes C, D e E tiveram mais acesso aos principais bens de consumo.
   É muito pouco para fazer do Brasil uma nação coesa, desenvolvida e moderna, enquanto perdurar essa saga da violência no país.