quinta-feira, 21 de abril de 2022

O RIO PRECISAVA DESSA ALEGRIA



    Por um momento eu me juntei a esse grupo ai reclamando de mais um carnaval na cidade. Que já teve carnaval em fevereiro; que virão mais pessoas de outros lugares pra trazer doença; que já está bom de festa no Rio; que o ano já começou e que tá na hora de todo mundo trabalhar e blábláblá.
     Bom, pra começo de conversa têm uns feriados no meio dessa agenda. Seria uns dias de ócio normal na vida das pessoas, e o prefeito acertadamente transferiu os desfiles das Escolas de Samba pra dar uma esticada na festa momesca que o carioca não é feito de ferro, e como a gente já está acostumado a respirar festa, valeu pela moral.
    Já vai ser um ano diferente mesmo. Copa do Mundo, Eleições e Rock in Rio, não necessariamente nessa ordem, mas tudo bem. O Rio de Janeiro que sempre acompanhou tendências de entretenimento aliadas à bagunça que qualquer cidade tem vai certamente fazer bonito e todo mundo vai sair falando bem no final das contas como sempre acontece.
    Pra dizer a verdade, veio em boa hora essa resenha de empolgação geral. Da mesma forma que geral vem pra cá se divertir e relaxar a mente, a gente também precisa dessa energia a mais pra aguentar o rojão, porque, daqui a pouco tudo volta ao normal e junto aquele stress fruto da correria e efervescência inseridas no calendário da cidade do Rio de Janeiro.
     Além do mais, a gente ainda está se livrando de uma pandemia, a cidade ainda sob os efeitos da agonia que bagunçou geral, e como está tudo incerto ainda com relação aos rumos da cidade, do país, nada como aproveitar essa nova oportunidade de renovar o espírito carioca, enchendo de alegria o já animado jeito de ser do povo carioca.
     Portanto, que não percamos a chance de extravasar naquilo que temos de melhor: a alegria. Que essa pequena e empolgante festa possa sacudir mais uma vez a cidade e fazer valer a marca que só o Rio de Janeiro tem de fazer a alegria de seu povo em qualquer época do ano.

     
     

    
     
      
  

     
    
      
     
     

domingo, 17 de abril de 2022

JESUS CRISTO É O CARA

  

   Definitivamente eu não tenho aquele domínio padrão pra falar sobre Jesus Cristo e sua influência em todos os acontecimentos ao nosso redor. Eu nem sei conjugar os verbos daquele jeito, devo ter faltado as aulas, sei lá. Até nisso eu sou leigo no assunto.
    Mas, entrando lá no perfil dos outros caras que saíram por aí carregando um cajado para difundir certas verdades e aumentar seus rebanhos, Jesus Cristo foi o que realmente se aproximou do que precisava ser dito e feito para as pessoas tomarem tendência na vida.
   Eu acho até que a Bíblia hoje tinha de ser impressa com menos formalidade gramatical e as partes mais críticas, que exigem mais atenção, deveriam vir em negrito, porque tem muita gente que tem até hoje dificuldades pra interpretar textos.
   Mas, de qualquer forma, o mundo está aí escancarado, com a mesma rotação de sempre, as mesmas incongruências e uma necessidade maior de entendimento entre pessoas, povos e nações.
     Ainda tem gente achando que a Ressurreição foi um passe de mágica ou um efeito especial que pudesse realçar o mundo-cão. É bom que se diga que ressurreição é a salvação das pessoas, não do mundo, pois os passarinhos, os bichinhos, as plantinhas estão todos no mesmo lugar de sempre.
     A ressurreição é o inferno particular de cada um nessa terra. Mas, a ideia é o sujeito ir ao fundo do poço e voltar fortalecido, como o próprio Jesus Cristo, que passou por todas aquelas agruras de sofrimento, humilhação, esculhambação geral, e ainda manteve sua sabedoria e ternura e voltou para deixar a mensagem de como se ressurge das cinzas; de como se fortalecer mesmo com feridas, que são as palavras com veneno que te lançam, por exemplo, e você precisa suportar.
    E Jesus Cristo ainda passou por tudo aquilo carregando uma cruz, veja só, o fardo que todos carregam, que hoje seria o de culpa, vícios, inveja, maledicência, pensamentos ruins, e ainda assim sem esforço algum em rever conceitos visando sua própria evolução como pessoa humana. Há uma contribuição que qualquer um pode dar ao meio que o cerca quando se resolve essas questões internamente, um desafio em forma de cruz, vai vendo, cada tem a sua pra carregar.
  A ressurreição é um grande projeto de reconstrução, de recomeço, de resistência, até. Imagine quantas pessoas melhoram seu comportamento depois de se curar de uma doença e voltam mais solidárias. E as pessoas que quase foram também para o buraco com a morte de seu ente mais querido, pai, mãe, filho, e ganhou força para prosseguir com essa lacuna na vida. Tem sempre alguém que não abateu com uma ofensa sofrida e ainda deixou um exemplo de humildade.
     É esse legado que Jesus Cristo deixou para a humanidade. Tanto que Ele é respeitado até por outras denominações religiosas, que já teorizaram profundamente com ênfase no Messias.
   A maior contribuição a si mesmo que se pode dar é transformar uma dor num bálsamo para prosseguir na caminhada, porque é gratificante ir lá no inferno e voltar, de vez em quando, qual o problema? Jesus Cristo fez isso sem reclamar da vida.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A VIDA MERECE MAIS PRAZO

 

     Eu fui protelando a hora de falar sobre a vida da gente, mais precisamente sobre o prazo que todos nós cumprimos por aqui, e aquela velha questão acerca do que cada um pode e deve fazer com essa oportunidade de chegar por aqui, escolher sua forma de vida e respirar ate dizer chega.
   Dificilmente se faz especulações sobre nosso prazo de validade nesse plano, entendendo os grandes mistérios que cercam nossa passagem, a conformação com a morte e vida que segue pra quem continua.
    Mas nesses últimos tempos, mesmo com todas as incertezas sobre os rumos da humanidade devido às guerras, às práticas nocivas do seu e do nosso semelhante, ou de repente até mesmo em função disso, eu já acusei por aí algumas manifestações de como seria interessante se nós pudéssemos durar um pouco nesse velho mundo.
  Dificilmente os jovens se ocupam dessas possibilidades. Eles têm mais o que fazer, mas, pra nós que já temos as mãos calejadas e zero de cansaço, por enquanto, a gente fica pensando que não vai dar tempo de fazer um pouco mais aquilo que estava programado; aquilo que não poderia ser realizado antes porque não era o tempo, enfim, agora pode sair do jeito que a gente idealizou, por que não?
     Mas, de qualquer forma, é muito pouco esse instante em que se permanece por aqui. Mesmo que a gente não morra subitamente de uma violência qualquer, de fome, de uma dessas doenças, se não acontecer nada que abrevie nossa vida de repente, a gente vai durar esse tempo que todo mundo conhece, dentro daquela expectativa de vida normal, que até aumentou de uns tempos pra cá, mas bem aquém das possibilidades que a própria mente humana abre na consciência de quem tem mil e um planos pra tirar do papel.
      Vai demorar um pouco para se viver uma vida plena depois dos três dígitos. Tem gente que nem quer viver tanto. Olha o Alain Delon aí pedindo pra morrer. E tantas outras fugindo das guerras para ter uma sobrevida. Um paradoxo que deve até confundir muita gente sobre se vale a pena viver tanto tempo.
     Agora, olhando lá para frente, nem há garantia de que as gerações que tiverem esse privilégio vão tornar esse tempo estendido mais funcional e produtivo. Nem se pode afirmar que as religiões, as tecnologias de ponta, as novas formas de poder e as leis vigentes irão proporcionar e deliberar alguma coisa nesse sentido.
    Como já acontece nesse tempo de agora, é bem provável que as ações positivas de caráter coletivo continuem comprometidas por falta de entendimento, fruto de rancor e discórdia, a não ser que mais pessoas de bem comandem as ações e as nações. Isso, sim, pode interferir positivamente numa dimensão bem maior por conta de um engajamento mais amplo também.
     Talvez o grande sobressalto que vai continuar impactando a humanidade será de cunho individual, ou seja, cada um fazendo o seu melhor no pouco tempo que ainda lhe resta, o que pode efetivamente influenciar mais pessoas ao redor, ainda mais agora com toda essa conexão global. Uma ação isolada pode virar uma prática universal. Todo esse aparato tecnológico pode e deve servir para difundir o que estão fazendo de bom por aí.
    Bom, enquanto não aumentam nosso prazo de validade, a gente vai aprendendo a conciliar tudo aquilo do qual não queremos abrir mão, seja por preencher nosso próprio ego ou como um projeto de caráter social, sustentável, que possa deixar legado, essas coisas.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

ATÉ QUANDO ISSO?


   Já não dá mais pra ficar falando desses acidentes em decorrência de temporais que castigam as cidades dentro da expectativa que a própria sociedade vai alimentando nas ações dos gestores atuais dos referidos municípios. 
    A questão humanitária a gente até sabe que ameniza a situação de muita gente numa hora dessa, mas, melhor ainda é sinalizar o que vai ser do futuro dessas localidades. É projetar lá pra frente o destino das cidades, suas viabilidades, suas agendas e a realidade das pessoas que terão essas localidades como recanto e refúgio.
     Não é difícil perceber que esses eventos de mais calamidades ocorrem em áreas de relevos que compõem grande parte do território fluminense. Uma característica marcante do estado do Rio que consta e muito nos vários estudos que já foram feitos considerando a geografia de cada localidade onde há precipitações de toda ordem.
     Só para ficar em eventos recentes, Petrópolis ainda faz um amplo balanço do prejuízo causado pela tempestade que destruiu a cidade em fevereiro, e agora Angra dos Reis, Paraty e vários pontos da Baixada Fluminense, onde o uso desenfreado e inadequado do solo urbano é sistematicamente ignorado pelos gestores municipais de todas essas regiões, inclusive na capital, a cidade do Rio de Janeiro que também tem vários pontos críticos com vários registros de catástrofes.
     Vale lembrar como sempre a Rio+20, em 2013, o evento mais importante dentre os demais encontros para tratar a questão do desenvolvimento das cidades dentro de um quadro social de políticas públicas atrelada a qualquer intervenção urbana. 
   Se o Rio de Janeiro tivesse seguido à risca os pontos mais importantes do documento final daquele Fórum, numa escala aceitável de responsabilidade e transparência a cidade maravilhosa estaria hoje num nível de excelência suficiente para servir de modelo para as demais regiões do estado com as mesmas urgências e necessidades. 
    Nas tomadas aéreas de veículos de imprensa é fácil perceber a coleta irregular de lixo e esgoto a céu aberto em vários lugares, comunidades carentes e asfalto, numa mostra de como o gestor público ignora ou dá pouca atenção a uma questão da maior relevância, no momento em que várias metrópoles do mundo seguem essa tendência de desenvolvimento sustentável. 
    Na cidade do Rio de Janeiro diminuíram bastante os registros de acidentes em decorrência de tempestade em função das sirenes instaladas nas comunidades, mas por outro lado um crescimento desenfreado de construções irregulares em áreas de proteção ambiental, ainda com fiscalização muito aquém do que a causa exige.
     São praticamente nulos as discussões e compromissos em relação às catástrofes e o sofrimento da população ao longo do calendário em todo o estado do Rio de Janeiro.
    

quinta-feira, 24 de março de 2022

AS CAMISAS DA GUERRA



   Num dos vários momentos de tensão da guerra os ucranianos destruíram um navio russo e a âncora de uma emissora aqui no Brasil, ao relatar o episódio, chamou um comentarista presente ao noticiário para avaliar a vitória da Ucrânia naquele momento.
    Como assim, vitória, se não tem nada definido? Mas, deixa pra lá. Não é essa avaliação precipitada e fora de propósito que é o grande problema do conflito. É justamente o posicionamento para um lado qualquer da batalha que vai produzindo mais combustível para a guerra.
     Uma guerra é uma desgraça, morre gente, outras sofrem mais. Desde o momento que tem vidas envolvidas e ceifadas, fica difícil e humanamente impossível se posicionar confortavelmente, por mais que uma questão ideológica fique martelando na mente uma torcida por alguém. Porque é isso que eu tenho visto, principalmente nas redes sociais. “Ah, o Putin tá certo, cara!!”.
     Todo mundo está certo enquanto defende seus princípios, seu povo, sua nação. Mas quando morre gente de ambos os lados, ninguém tem mérito algum, seja pela misericórdia ou pela coragem.
   Nunca é demais lembrar que já existia um conflito interno na Ucrânia. As cidades de Donetsk e Luhansk já tinham sido tomadas pelos separatistas, e o Putin acabou interferindo de forma cruel e desumana, matando inocentes, quando poderia apoiar o contingente pró-Rússia na Ucrânia sem esse morticínio todo. O Zelensky que se virasse pra resolver a parada em seu país.
    Uma questão que envolve a soberania de uma nação qualquer, que precisa ser discutida dentro de uma agenda específica, no espectro da diplomacia, sob pena de se abrir um grande precedente lá na frente, quem sabe.
     Agora, fica a Otan e seus membros implorando para que Vladimir Putin stop the war, mas municiam a Ucrânia com todos os calibres. Como a guerra vai acabar desse jeito? Nem no grito, pois na Rússia os que condenam o conflito são intimidados, e na Ucrânia, eles precisam fugir e se refugiar.
    Ainda que o impacto maior dessa guerra seja seus efeitos na vida das pessoas por um longo tempo, além, é claro, das vidas perdidas, das crianças sem pátria, registre-se a polarização dessa batalha como algo bizarro que mancha o lado humano da parcela mais estúpida do pedaço ou do mundo, como queiram
      Vão ficar marcadas as camisas da guerra, cada um veste a sua e torce com o mesmo prazer com que se mata e morre.

quarta-feira, 16 de março de 2022

POR UMA MUDANÇA DE RUMO

   

    Definitivamente estamos vivendo um tempo sinistro. Eu sei que numa hora dessa a gente tem de manter o otimismo e acreditar no melhor desfecho para tudo isso.
    Antes que alguém ou eu mesmo me ache um pessimista contumaz, devo dizer que essa explanação dos eventos ruins que nos cercam é um momento de consciência pura, em que nada passa despercebido, apenas isso. O que não pode é ficar capitalizando essas coisas.
     E tudo passando tão rápido que eu nem lembro do tempo em que eventos de grande magnitude tenham se acumulado assim tão assustadoramente, e o que é pior, tudo simultaneamente. Parece que tá se alastrando esse negócio, sem a expectativa de fim.
    Veio a Covid-19 que devastou vidas no planeta, pânico geral em larga escala. Por um momento deu pra imaginar o mundo se dissolvendo e aquele calor humano que marca a nossa espécie se distanciando um do outro por tempo indeterminado. O único lampejo de esperança e luz foi ver as pessoas aplaudindo a vida que escapava da morte. Foi bacana ver o cara voltando do inferno, tirando onda, sorrindo novamente e recomeçando a vida.
    Agora deu uma aliviada, tá todo mundo tomando providências, ainda com muita cautela, enfim, o mundo voltando a sentir cheiro de oxigênio novamente. Aqui no Brasil tivemos as tragédias causadas pelas chuvas e a solidariedade mais uma vez diminuindo o impacto das perdas. Um monte de gente massageando o ego alheio como sinal de esperança para o mundo.
     Mas...e as guerras, gente? Não tem ninguém no mundo que não tenha convivido com um arranca-rabo entre povos e nações. São pessoas que se desprendem de suas famílias; outras que mudam de pátria, perdem suas referências de passado e futuro.
    A Ucrânia está em evidência por causa do envolvimento geral, mas tem gente agonizando em outras praças. No Afeganistão, há um contingente bem maior de cidadãos fugindo do regime local. Na África, então, nem se fala. A metade do continente em ebulição permanente. Em todas essas regiões a miséria como pano de fundo, a degradação humana em seu mais alto grau.
    Não dá nem pra imaginar quando isso vai acabar. Tem sempre alguém botando lenha na fogueira. Eu vejo esses acordos de paz como uma agenda completamente inútil. É cada um puxando brasa para sua sardinha, dando a entender que na história das guerras não tem um santo jogando pedra no outro.
     A única coisa que a gente espera é que haja uma compensação para todo esse cenário de escombros. Uma mudança de rumo qualquer. Uma chance de vida a todos que estão fulminando e uma outra avaliação sobre essa tal nova ordem.

terça-feira, 8 de março de 2022

TEMPO PERDIDO



    Já dá pra ter uma noção do quanto essa guerra vai ter os mesmos desdobramentos dos outros conflitos, ou seja, as mortes, os escombros e a crise pós-guerra. Se não rolar uma crise econômica com a mesma magnitude daquele crash de 1929, vai de qualquer forma dar uma sacudida geral, e atingindo mais países, especialmente aqueles que não pegaram em armas.
     Não é difícil perceber que a única precaução que tomaram depois dos armistícios foi se armar até os dentes, tanto que o Putin está pouco se lixando para o poderio bélico e militar de seus eventuais oponentes.
      O que poderia efetivamente mudar o rumo das principais nações depois de todo aquele perrengue da Guerra Fria era criar alternativas que minassem de vez a dependência do petróleo. Praticamente todo o Ocidente está impondo sanções à Rússia, mas dependem de parte do petróleo russo pra sobreviver.
    Eu fico imaginando o Putin lá no seu bunker rindo da cara dessa gente e vendo a Europa entrar em pânico com a ameaça do cara de fechar a torneira do gasoduto que alimenta as lareiras do Velho Mundo, vai vendo.
     Os estudos e pesquisas sobre outras matrizes energéticas ficaram em segundo plano, porque ficou geral amarrado à indústria automobilística e seu velho combustível fóssil, inclusive o Brasil, que teve a oportunidade de criar autossuficiência em combustível com o ProÁlcool na década de 70, o que seria um sobressalto do Brasil naquela época.
    Hoje, com essa guerra aí, muita gente estaria encomendando nosso etanol, a essa altura, completamente evoluído e fortalecido pelas inovações tecnológicas dos órgãos científicos do país. Mas, os generais não conseguiram conter a sanha e o olho grande dos usineiros, que preferiram jogar o patriotismo e a soberania do Brasil para o alto e vender açúcar que é melhor.
     Nas fontes de energias renováveis, o histórico brasileiro é de total atraso, considerando a riqueza de nossos recursos naturais para fortalecer o segmento. É um cenário que mostra claramente o quanto o Brasil poderia sair ileso depois que Rússia recolher suas armas.
    É essa visão que a gente tem de ter sobre os efeitos de uma guerra para todo o mundo. É avaliar o tempo perdido por conta de interesses das corporações e da maioria dos governos que não tiveram a responsabilidade de se fortalecer, de se resguardar, de se inovar como alternativa à crise como essa.
    O mundo todo está há mais de 30 anos discutindo política ambiental que sugere justamente essa independência por meio do potencial energético que cada nação pode desenvolver. Ninguém chega a um acordo satisfatório, ninguém cumpre metas que eles mesmos assinam nos protocolos.
  Um país como a Alemanha, moderno, na vanguarda de pesquisas e uso de fontes renováveis, mas usa carvão até hoje e ainda depende do gás da Rússia em seu parque industrial.
   Vai ter muita coisa para se discutir depois dessa guerra. Com relação à geopolítica, uma remexida básica para saber para que lado cada um vai ficar. Mas, dentro da política interna de cada nação, uma ampla reflexão, visando futuras transformações, para se evitar eventuais dependências como essas aí, de todo mundo quase que comendo na mão do Putin.

segunda-feira, 7 de março de 2022

AS MULHERES NÃO SÃO FÁCEIS



  Se a gente for olhar lá pra trás e fizer uma lista das mulheres que se destacaram em suas áreas de atuação aqui no Brasil e ao redor do mundo, certamente vai ficar muita gente de fora, porque a própria história da humanidade deixou essa lacuna em seus registros.
 Imagine quantas mulheres passaram despercebidas por não estarem em um contexto de maior visibilidade como de uma forma ou de outra estariam as mulheres das ciências, das artes, da política e tantas outras que transitaram próximas desses círculos e acabaram ganhando também notoriedade.
  Hoje, com as inovações tecnológicas e a consequente conexão global, o sistema automaticamente abrange um número muito maior de mulheres em sua trajetória de participação, luta e resistência ao longo da existência humana.
   Desde os tempos das primeiras atividades humanas, da formação das primeiras sociedades, das civilizações, enfim, não haveria nenhuma transformação nesse sentido sem o protagonismo das mulheres.
     Se a sociedade ao longo das eras se habituou a ter uma visão diferenciada e distorcida desse cenário, atribui-se ao machismo, à misoginia e toda sorte de preconceito que até hoje influencia o discurso, os projetos, as políticas públicas, tudo que pode e deve efetivamente reverter esse quadro, mas que em nenhum momento impediu a atuação de todas aquelas que se propuseram a fazer a diferença.
   Agora, o foco principal é a questão da representatividade. É essa perspectiva que vai fazer justiça e atualizar os números do universo feminino e fazer valer a participação das mulheres em todos os recantos do planeta.
    Aqui no Brasil, infelizmente ainda há um caminho longo a ser percorrido. A política é o principal ambiente onde a representação das mulheres está bem aquém de sua proporção na sociedade. E isso acaba se refletindo na composição de outros cenários e ambientes onde as mulheres sempre se fizeram presentes, mas são sistematicamente desfavorecidas nas relações de trabalho em todas as suas tratativas.
     O que mais se espera hoje é um chamamento mais abrangente, principalmente nesses tempos de redes sociais, para que haja mais mulheres na política. As câmaras municipais, estaduais e federal precisam ter uma nova composição em seus quadros para que haja uma defesa maior a todas as pautas e reivindicações das mulheres.
    Só assim será possível atualizar e adequar aos novos tempos as decisões, as propostas, as políticas públicas e demais intervenções que possam efetivamente erradicar os números da desigualdade latente no seio da sociedade, além, é claro, da maior chaga que envolve o universo das mulheres hoje em dia, a violência em todas as suas vertentes, que tanto aflige as brasileiras.
     A gente fala da representatividade das mulheres como garantia de equilíbrio de forças na defesa de tudo que simboliza as mulheres no Brasil, mas sabemos que essa é uma luta de toda a sociedade.

sábado, 5 de março de 2022

PRA ONDE VAI ESSE TREM?


   Um indivíduo está no trem que vai levar vários refugiados embora. É um momento de alívio saber que está salvo da guerra, livre do perigo e a expectativa de um recomeço, além, é claro, da gratidão pela mão estendida no momento mais difícil. Agora é deixar tudo para trás, passar uma borracha e retomar a vida, o pior já passou. Não importa pra onde vai o trem. Que parta logo o trem.
    Mas, eis que o sujeito é abordado por uma autoridade ou alguém encarregado de organizar aquela viagem confortável rumo ao futuro. O cara é simplesmente retirado do trem porque ele não preenche os requisitos para estar ali, ele não pertence àquela casta, ele não pode integrar aquele grupo por estar fora dos padrões de quem efetivamente merece partir naquele trem.
      A gente até tenta disfarçar pra não parecer tão trágico, mas é difícil não fazer a pior leitura do cenário descrito, uma reprodução nua e crua do apartheid que até hoje ainda serve de pano de fundo nas práticas humanas.
     O ideal seria que um momento de crise revelasse mais eventos positivos que as mazelas que já são comuns em tempos normais. Já são mais de dez dias que a guerra do Putin vem descortinando não só a verdade sobre o telhado de vidro de ambos os lados do conflito como também as feridas da convivência humana.
     Longe das muitas trincheiras espalhadas pela Ucrânia movem-se as fileiras de gente correndo dos avanços da Rússia, pra que haja um pouco de sossego, de paz, mas em vez disso, o separatismo como complemento do motivo da guerra, a própria extensão de todo esse enfrentamento.
     Não basta só fugir da guerra. É preciso passar pelo crivo da intolerância. É um processo seletivo que acaba excluindo as pessoas por sua origem, cor e outros critérios que destoam completamente do que seria humanamente viável para amenizar as dores, angústias e aflições que só uma guerra é capaz de provocar.
    Tão ou mais difícil que retomar na Ucrânia a democracia que tanto incomoda o Putin é estar revivendo de tempos em tempos a barbárie, a dificuldade de se conviver com o outro, a cultura da perseguição, justamente na oportunidade que a humanidade tem de mudar de fase, evoluir como pessoa humana e coletivamente.
     Por um momento a gente até pensa que uma tragédia assim dessa magnitude serviria pra isso, para promover a melhor das revoluções, mas, parece que nem a dignidade das pessoas se salva dos escombros.
    E o destino da humanidade por enquanto fica assim, como uma viagem de trem.

quinta-feira, 3 de março de 2022

A NOVA VELHA ORDEM



   Não tem como saber se os outros conflitos tinham todo esse bafafá que é visível nas redes sociais por causa dessa guerra atual. Na época das duas grandes guerras, claro, não havia essa comunicação dimensionada de hoje, por isso só saiu nos livros de história os mortos e feridos.
      Pelo tempo que já passou, não há ninguém que possa reproduzir uma resenha que tenha havido na ocasião, de algum bate-boca, nem que seja de uma conversa na calçada com a vizinhança, numa dessas noites calorentas, enfim...e as pessoas disparando impropérios contra os Aliados, outros, contra o Eixo.
     Prefiro acreditar que havia mais preocupações com um familiar que tenha partido para a guerra e o reflexo do conflito na vida brasileira como um todo. Qualquer cidadão brasileiro, rico ou pobre, de direita ou de esquerda, negro ou branco, tinha um parente, amigo ou vizinho lutando na guerra, o que envolvia todos os brasileiros numa só corrente pelo fim da guerra.
     A divisão ideológica que já era iminente só se deu no fim das batalhas, com a Guerra Fria oficializando o racha no mundo, pelo menos até o famoso muro ruir de vez, porque, de lá pra cá foram surgindo vários atores nesse cenário, embolando um pouco o meio de campo na globalização. Nações que estavam em segundo plano nas rodas de conversa da elite mundial ganharam corpo nessa remexida toda aí.
     Hoje a gente vê a China, a própria Rússia e países do mundo árabe ocupando um espaço bem maior que antes, com mais voz ativa, com bala na agulha mesmo, para ser mais específico sobre o poder deles agora. Não chega a ser uma nova ordem, como propagam por aí. É apenas uma mudança nas peças do tabuleiro, simples assim. É o poder econômico que sempre fala mais alto, e esses emergentes já ditam regras também.
    A questão ideológica é menos importante nesse cenário. Não interessa mais saber como cada país se administra em casa. Um exemplo é a China, uma nação comandada por um partido comunista e completamente capitalista além de suas fronteiras. A Rússia, ainda exalando a fragrância do regime soviético; países árabes, também com controle do estado e observando valores diferentes do ocidente, enfim...uma diversidade que em nenhum momento vai impedir relação comercial com quem quer que seja.
     Com essa nova roupagem, esse novo desenho no mundo, o velho conceito de esquerda e direita vai perdendo a sua essência. São vertentes que ficarão restritas ao plano interno de cada administração. Cada um terá de mostrar sua capacidade de sobrevivência com outros elementos. O domínio de novas tecnologias, a responsabilidade ambiental com novas matrizes energéticas e o caráter social de gestão pública é que definirão o ranking das nações. Isso, sim, talvez seja uma nova ordem mundial de fato. 
     É claro que não se pode ignorar o poder bélico de qualquer nação. Isso ainda será um peso considerável, principalmente para quem se preparou pra ter um arsenal pra chamar de seu. O que a Rússia faz hoje contra a Ucrânia, outras nações já usaram o mesmo expediente para expandir seus domínios.
     As sanções que querem impor à Rússia podem influenciar o destino do conflito, sim, por causa dessa conexão global que interliga os sistemas e pode perfeitamente definir os desdobramentos, não só de conflitos como de outras formas de relação entre os países nessa nova velha ordem mundial.
                                                                  
                                                                      Foto: UOL

quarta-feira, 2 de março de 2022

O MENINO E O TRIGO

 
    Uma criança fala abertamente que seu pai vai vender alguns bens para defender seu país. Ela fala assim, parecendo estar completamente conformada com toda uma tragédia que lhe cai às costas de repente, do nada.
   Na mesma velocidade com que o trem a transporta pra bem longe dos conflitos ela também se apressa em tentar esconder uma tristeza evidente naqueles olhos marejados, mas está na cara que ela ainda vai chorar muito que seu pai tenha ficado para trás, que sua infância foi interrompida, que aquele horizonte para onde a composição se dirige é tão incerto quanto o destino daquela nação.
    Se por obra do destino o trem cortar os campos de trigo da Ucrânia, é o próprio futuro que fica pra trás e o menino já bem cedo vivendo essa experiência de ter deixado o seu tempo de infância espalhado pelo chão às pressas.
    Uma infância perdida e uma geração partida têm o mesmo peso de vidas ceifadas, pela necessidade do recomeço, partir do zero e botar tudo no seu lugar de novo.
     É esse cenário que servirá como referência para se repensar tudo que foi feito para não se repetir velhos erros, mas repete agora, depois que as gerações do passado arderam em chamas e sobreviveram de demais crises que surgiram.
      Certamente a Ucrânia vai se reerguer das cinzas ou dos escombros, não se sabe...vai depender do grau de competência de um monte de gente envolvida, porque a Ucrânia interessa pra muita gente, até para aqueles que não gostam daquela terra e daquele povo.
      Independente de alguém perder as estribeiras com Putin e haver uma reação em cadeia, ou um cessar-fogo, já há um grande prejuízo que se soma a um conflito que se arrasta há tempos na Ucrânia, por conta de movimentos separatistas desde a implosão da URSS.
  Esses embargos econômicos, represália, cancelamento ou como queiram chamar, é uma outra forma de submissão por parte de quem tem poderes para essas ações. Ainda mais agora, com todo mundo conectado nessa grande rede, por onde vai surgindo uma nova guerra com novas tecnologias que podem permitir uma nova forma de combater, aniquilar, interromper, sem que isso custe vidas humanas.
     E as crianças continuem a ver o trigo da Ucrânia crescer.