sábado, 19 de novembro de 2022

A BOLA DA VEZ


   É bola rolando mais uma vez nesse grande campeonato que é a Copa do Mundo, sempre num lugar diferente, porque tem uma fila gigante de países querendo sediar um evento dessa magnitude.
     E dessa vez é o Qatar, esse país forasteiro no cenário do futebol, mas que tem bastante grana para organizar a festa segundo os critérios da FIFA. Eu digo forasteiro, estranho, porque o Qatar não tem tradição no futebol, pelo menos por enquanto, já que aos poucos todo mundo vai aprendendo a jogar bola.
    De qualquer forma, é mais uma festa com um monte de gente de idioma, cultura, religião e habilidades diferentes para fazer gol. Esse Qatar que poderia estar falando português, tá pensando o quê?
     Pois é, lá no passado, nas Grandes Navegações, Portugal andou dando umas esticadas bem além do Cabo da Boa Esperança e ciscou também lá pelas bandas do Golfo Pérsico, chegando a amarrar umas caravelas num píer qualquer do Qatar, mas os turcos cortaram o barato dos gajos em pegar as pérolas de lá com a mesma facilidade com que surrupiaram o ouro do Brasil.
     Mas isso é outra história, gente, até porque o Qatar hoje vive da renda e riqueza do petróleo e do gás, o suficiente pra levantar aqueles arranha-céus e claro, fazer estádios bem bacanas para acomodar uma massa cheia da grana, porque essa Copa não é pra mochileiro, não, companheiro. Um souvenir lá é mais caro que a camisa oficial da seleção aqui no Brasil, vai vendo.
   No mais, o Qatar será momentaneamente o Planeta Bola, onde os confrontos revelarão as diferenças como contraponto da disputa. Vai ter partida entre nações irmãs, amigas, e outras como reedições de velhos conflitos, como Estados Unidos e Irã, de por exemplo. Haja coração e fair-play. Disputa entre colonizador e colonizado. Qualquer falta desleal, é puro revanchismo. E Jogador que faz o sinal da cruz quando entra em campo pode correr risco na terra do Islã. Não adianta nem chamar o VAR.
     Aos torcedores só resta seguirem as regras da casa. Aliás, a regra é clara por lá. No começo os caras até flexibilizaram, mas depois endureceram e agora é bico seco geral. Eu lembro logo de alemães e ingleses numa hora dessa, coitados, ficaram tão bolados quanto o patrocinador. A FIFA vai pensar duas vezes antes de escolher um país islâmico para sediar a Copa novamente.
    A gente descontrai, mas sabe que tudo isso faz parte de um grande cenário de diversidade que é o planeta em sua integridade. Não faltam eventos no mundo que trazem à tona essa questão tão importante, principalmente agora nesses tempos de intolerância em nível global. E a Copa do Mundo é o acontecimento que mais aflora essas diferenças.
    É claro que há toda uma questão política envolvida nesse processo de espalhar a maior disputa do futebol no mundo, e o mundo árabe também é protagonista na história de formação de civilizações e a pluralidade cultural ao redor de cada nação, assim como o ocidente e outros continentes, de onde brotam gente de todos os cantos jogando bola e rompendo fronteiras, disseminando a arte do velho esporte bretão.
    E a peleja no Qatar não será diferente. Vamos que vamos.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

DE QUEM É ESSE LIXO?

  

    A única vez que a Baía da Guanabara esteve sob os holofotes da mídia foi quando o poder público ensaiou despoluir toda aquela área naquele velho e mal fadado projeto criado em 1994, resquícios ainda de todo aquele discurso da Eco-92 que o Rio sediou.
   Naquela época, a única preocupação era recuperar o ecossistema local e deixar o espelho d’água reluzente para a foto do cartão-postal da cidade ficar bem bacana, e todas as cidades do entorno da Baía com saneamento básico, olha que maravilha.
    Agora, foi preciso uma carcaça velha de navio se desprender do ferro, bater na Ponte, levar perigo aos usuários da via, para todo mundo se lembrar que ficou muita coisa por fazer na Baía da Guanabara ao longo dessas décadas.
     Hoje, a questão ambiental é muito mais complexa, há uma série de fatores envolvidos, e haja fóruns para discutir o assunto. As nações e vários organismos se encontram e haja documentos, relatórios, promessas e um falatório interminável para no final resultados bem aquém do que esperavam.
     A COP-27 está aí em mais uma tentativa de tornar o planeta mais atraente, mais saudável e sustentável, essas coisas. As pautas discutidas agora são muito mais abrangentes, mais globais, melhor dizendo.
    Portanto, menos mal que o incidente não trouxe danos maiores para a vida das pessoas e para a estrutura da ponte. Continuamos respirando aliviados e sobrevivendo ao descaso de governantes de todas as esferas, empurrando a responsabilidade, um para o outro, como sempre acontece.
     Tanto a Capitania dos Portos, o Instituto Estadual do Meio Ambiente e o Ibama não levarão a culpa por esse entulho a céu aberto. Tem uma questão jurídica envolvida que vai livrar a cara dessa gente toda. E aquele trambolho vai ficar lá por mais tempo compondo aquela paisagem, ofuscando nossas vistas, nossas vergonhas e tudo mais.
    A Baía da Guanabara é apenas mais uma promessa de tempos atrás, com o mesmo nível de degradação que há muito se verifica nos rios, lagoas, no Pantanal, no Cerrado, na Floresta Amazônica, guardadas as devidas proporções, tudo bem, mas com o mesmo grau de preocupação e urgência frente às demandas de todo o seu entorno.
     O pior já passou.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

CERTAS CANÇÕES DA VIDA

 

   Muito bacana o último show do Milton Nascimento em Belo Horizonte. Em pouco mais de duas horas de espetáculo, o Bituca reviveu toda a sua trajetória de mais de 60 anos de carreira. Um período que se confunde com a vida de uma enorme legião de fãs, inclusive, a minha.
    Vendo aquele público maravilhoso em completa devoção e agradecimento a tudo que Milton Nascimento produziu ao longo da carreira passou um filme na minha cabeça.
    Quando eu comecei a prestar atenção em músicas, identificar o que soaria melhor para mim, Milton Nascimento já soltava a voz nas estradas. Foi nessa época que eu ouvi “Travessia”. Eu não tinha a menor ideia de quem era Milton Nascimento, mas foi através daquela bela canção que minha mente fluiu para os melhores acordes.
      A minha sorte foi ter em meu convívio familiar a referência de pessoas que já haviam identificado Milton Nascimento como um talento nato, e ter apostado em tudo que o Bituca produzisse dali pra frente e botasse para rolo nas rádios, nas vitrolas e nos bailes da vida.
      E assim me foi apresentado Milton Nascimento de forma compulsória, mas que certamente teria influência em minhas escolhas, porque até nisso Milton Nascimento se tornou especial, ou seja, ele serviu de referência não só para vários artistas que surgiram depois, além, claro, da reverência que astros já consagrados faziam para ele, a gente aqui de fora, só ouvindo, criava automaticamente um modelo a ser seguido nas primeiras playlists.
    Tudo que a gente queria ouvir de outras vozes teria que ter o nível de Milton Nascimento, ou algo próximo daquela beleza de som, de voz, de poesia em forma de canção.
    E Bituca foi com o tempo fazendo parte de vários momentos de minha vida, como certamente serviu de trilha sonora do grande público em fases pertinentes a cada um, porque é assim mesmo toda a obra de Milton Nascimento, uma canção que valia por uma época no plano cultural, social, político, enfim, eu sinto uma saudade danada de quando tocava “Maria Maria”, “Canção da América “, “Coração de Estudante “, “Caçador de mim”, “Encontros e Despedidas”, e por aí vai o que representou para mim a vida e a obra de Milton Nascimento.
     Até hoje eu fico cantarolando que meu caminho é de pedra, é verdade. Talvez seja uma forma de reconhecimento ao maior talento, de amor à melhor das poesias e, principalmente, de agradecimento à influência adquirida.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

SEM PLAQUINHA NO QATAR



    Ah, não leva a mal, não, mas vou cornetar a seleção também. Começou a temporada de dar pitacos na escalação da seleção brasileira, já sabendo que a maioria das pessoas que discutem futebol o faz com uma certa paixão clubista ou pelo bom e velho bairrismo que ninguém é de ferro.
     Não é diferente quando rola a convocação dos jogadores para disputar um Copa do Mundo aquele fuzuê de milhões de brasileiros que viram técnicos de futebol de uma hora pra outra, dando pitaco de tudo quanto é formato e escalação ideal para o tão cobiçado caneco de campeão.
    É até normal no meio desses “entendendores” de futebol aquelas falas sem sentido com escalações meio que de várzea até, tudo bem... é tudo movido pela paixão de ver o seu perna de pau preferido vestindo a amarelinha. Vestindo a amarelinha pra jogar mesmo, tá, pessoal, enfim...!
     Agora, o difícil é entender o critério do técnico oficial, no caso, o Tite, para escalar o nosso scratch que vai defender nossas cores no Catar. Pois é, eu puxei scratchl lá do fundo do baú de propósito, porque antigamente havia mais razão na escolha do time. Lembrando que no Brasil sempre vai haver dificuldade de escolha, pois em qualquer época tem uma galera boleira top de linha. E a Taça das Favelas está aí servindo de peneira.
    Por conta disso eu vou, sim, puxar brasa pra sardinha do cara que mais tem causado nesses últimos tempos: o Gabigol. Até porque tem uma nação levantando essa bola, quer dizer, a plaquinha, né. É verdade que o craque do Flamengo divide opiniões. “Ah, mas na Europa ele não rendeu o esperado, não jogou nada!!”, é o que mais se fala do cara.
    Bom, vamos partir do princípio que o time mais badalado desperta um olhar mais instigante do treinador da seleção. Pelo menos era assim no passado. E o Flamengo hoje é esse time badalado, inclusive com o protagonismo do Gabigol, decisivo em partidas importantes, se é que isso vale alguma coisa, tá ligado?
     Eu sempre acreditei que o jogador ganha experiência aqui também, não é só jogando lá fora, onde alguns ganham mais dinheiro que prestígio. E o Gabigol encontrou aqui no Brasil a sua forma de viver e ser feliz. Basta ver o que ele já fez no Flamengo, num período que se confunde com a própria evolução do rubro-negro nos últimos tempos.
     Ou seja, o Gabigol já roeu o osso desde o começo, e agora justamente quando o cara vai começar a desfrutar de todo o prestígio, moral com a torcida, o Tite só chama o Pedro e o Everton Ribeiro? Tudo bem, merecido os caras irem pra Copa, mas o Gabigol já viaja na janelinha do avião bem antes de seus companheiros de time.
     A gente vai ficar aqui torcendo e confiando na escolha do Tite, comemorando e tal. A galera que vai ao Catar já não vai poder tomar uma, bico seco, tranquilo...mas poderia estar exibindo a plaquinha do Gabigol, tá vendo aí, Tite?

sábado, 5 de novembro de 2022

O BEM AINDA É MAIOR

   
    
     Que confusão parece ser essa que está fazendo o mundo viver um caos bem pior do que aquele do qual originou tudo isso ao nosso redor? Quando se começa uma fala, uma discussão assim já questionando alguma coisa é porque o negócio está sinistro mesmo, tá ligado?
    Não parece que a pandemia e a guerra tenham revirado as coisas desse jeito como as pessoas estão falando, botando a culpa no vírus e nas rusgas entre Putin e Zelensky. Tudo bem que esses eventos de doença e guerra deixam marcas que interferem na vida global, mas não há registros de que isso tenha apagado o lado bom do mundo.
     Até porque já houve outras guerras e outras doenças afligindo as pessoas ao mesmo tempo em que uma outra parcela mostrava seu lado mais cruel.
     Mas, agora, por conta de uma atenção maior às tragédias, muito de ações isoladas voltadas para o bem têm ficado em segundo plano. As tragédias as quais me refiro são desconstruções da vida prática, não essas tragédias que costumam provocar a comoção nacional, toda vez que cai um avião, um barranco desliza, um edifício desaba ou pega fogo ou uma celebridade morre.
    A audiência maior hoje é a agenda de ódio, de intolerância e impaciência com quem pensa diferente, com quem acredita numa outra realidade. A gente fala essas coisas por conta das eleições, mas já rola essas impertinências em outros ambientes de convivência humana, não é de hoje.
     E com isso na comunicação global, incluindo a mídia, as redes sociais, conversas de botequim, fórum de debate, encontro de chefes de estados, missa, culto, pajelança, reunião de condomínio, churrasco na laje e outras resenhas que tenham agrupamento de homo sapiens a pauta é a mesma de sempre: se não for fofoca, é gente discorrendo sobre coisa ruim.
    Até eu aqui. O texto já vai terminar e eu ocupei a maior parte do espaço sem um mínimo de audiência ao lado bom da vida. O que vão pensar meus 22 seguidores da página?
     Está cheio de gente por aí praticando o bem sem a menor visibilidade, no momento em que explanar a melhor faceta humana serve de alívio nesses dias loucos, além, claro, de um estímulo a mais para um outro horizonte.
     É gente que de uma forma qualquer massageia o ego de alguém sem exposição alguma. Tipo o cara que dá aula de reforço numa praça, olha que bacana. A pessoa às vezes nem quer aparecer, uma atitude nobre, claro, mas o mundo precisa saber dessas práticas, senão fica parecendo que o mal predomina sobre o melhor que as pessoas têm para oferecer e não é bem assim, bate na madeira aí.

                                                         Foto: Portal VER

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

ESSA TAL DEMOCRACIA


    Foi bem tensa essa campanha eleitoral em todos os aspectos, desde os primeiros momentos até o resultado final da disputa, mas nada que pudesse desconstruir as bases da democracia, aquilo que a gente tem de melhor para decidir nossos rumos.
     Não é porque todo o processo foi nervoso que se vai fazer qualquer análise apenas dentro do cenário negativo que ilustrou a disputa.
    A dimensão do nosso país, a diversidade das regiões, cada uma com suas características e problemas e, principalmente, a diversidade de nossa gente, não implica somente a pluralidade cultural do povo brasileiro, mas também a pluralismo de ideias para decidir, definir e acertar a forma como queremos conduzir nossas vidas através das pessoas que se propõem e são escolhidas para representar todos os segmentos da sociedade.
     E foi justamente isso que todo mundo pode ver agora nesse desfecho eletrizante e conturbado ao mesmo tempo, mas maravilhoso, se a gente relembrar a oportunidade e a liberdade que cada brasileiro teve para fazer sua escolha, o que acabou se refletindo na composição dos legislativos e executivos federal e estaduais.
    Ainda que haja controvérsias quanto a um novo cenário para a vida política no Brasil, a verdade é que há um pouco de cada aspecto da realidade brasileira se insurgindo no horizonte da política através das representações, é isso que a gente pode ver.
    As mulheres tomando cada vez mais espaço nos governos, nos parlamentos, numa força política há muito tempo reivindicada pela sociedade. Pessoas dos mais diferentes perfis se fazendo representar em uma composição que vai retratando o Brasil na sua forma mais fiel e plural. 
     É assim que deve ser, um Brasil de todas classes, raças, credos, direitos e oportunidades.
    É lamentável que haja conflitos ao longo do processo. Apesar de alguns focos de tensão e insatisfação de alguma parcela que ainda queira atentar contra a normalidade das coisas, é gratificante saber que o resultado dessa eleição é fruto de respeito e observância às regras impostas para que tudo funcione dentro da ordem.
      Felizmente deu tudo certo, como bem sugere e permite a democracia com o respaldo da constituição. É preciso alguns ajustes para que o nosso maior patrimônio, a democracia, não fique tão à prova assim como esteve. É inadmissível que a democracia, o único sistema que pode conduzir as nações de forma justa se fragmente.
     Especialmente o Brasil, o país com a maior diversidade cultural, étnica e socioeconômica, que precisa de uma democracia cada vez mais fortalecida para que todos os segmentos da nossa sociedade sejam fielmente representados e também correspondidos em seus anseios e necessidades.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

A FORÇA DE TRABALHO DO RIO



   Ampliando as discussões sobre os esforços do governo para fazer mudanças no cenário do estado do Rio de Janeiro visando o bem-estar da população, é necessário incluir na pauta a questão do emprego e o efeito prático na vida das pessoas.
     Quando se fala do esgotamento da cidade do Rio de Janeiro isso está ligado diretamente à relação com as cidades adjacentes que compõem a região metropolitana.
    Imagine o indivíduo que sai todo dia de sua casa na Baixada Fluminense para vir trabalhar no Rio. A gente fala justamente daquele universo que diariamente lota os trens, ônibus, naquele inferno que todo mundo já conhece.
     Pois é, agora imagine se grande parte desse contingente tivesse mais oportunidade de trabalho em seu local de origem. Quem conhece e anda em cidades como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Queimados, Niterói, São Gonçalo e Alcântara vê de perto o potencial econômico dessas cidades.
      São redes de supermercados e shoppings-centers que geralmente movimentam essas localidades com a geração de emprego em níveis consideráveis, tudo bem, mas, rodando por esses locais não é difícil ver a quantidade de terrenos ociosos às margens das rodovias.
     São propriedades privadas, imóveis da União, principalmente das Forças Armadas ao longo da Via Dutra, Washington Luís, Rio Magé, BR 101 e demais vias da região metropolitana, que compõe uma paisagem completamente vazia, um contraste com a  efervescência do estado do Rio. Um mínimo de vontade política e parcerias entre as esferas federal, estadual e municipais poderiam perfeitamente remexer alguns indicadores através de políticas públicas de criação de emprego e renda.
    Com isso, uma massa considerável deixaria de descer a Dutra, a 040, a Ponte todos os dias, assentando um monte de gente em seu local de origem. Olha o reflexo que isso teria na mobilidade urbana de toda a região, só para começar.
    A gente tem visto nos últimos tempos uma debandada geral de empresas de grande porte do estado do Rio de Janeiro, fábricas, indústrias, montadoras de carros, num tempo em que esses grupos estariam fortalecendo e ampliando a capacidade de o nosso estado de crescer e fazer jus à sua importância para a população fluminense, para a região sudeste e, claro, para o Brasil.
     Nesses tempos de eleição, os candidatos, o próprio governador e os outros proponentes têm feito discursos de recuperação do estado, mas é tudo muito vago, sem garantia alguma de que a agenda deles vai ter realmente um conjunto capaz de fazer as verdadeiras transformações para o nosso rico e maltratado Rio de Janeiro, que já tem estrutura suficiente para absorver essas mudanças, basta querer.
     Muito se fala sobre a recuperação do estado. É possível por em prática qualquer ação proposta, desde que tenha essa amplitude em todos os sentidos.
     Senão, não rola.
    

terça-feira, 20 de setembro de 2022

POR UM ESTADO MAIS FUNCIONAL

    


  Há aspectos importantes para se destacar a respeito da campanha para o governo do estado do Rio de Janeiro. A gente sempre imagina que o governador conhece as necessidades de cada região do estado, mais precisamente de cada cidade. Ao todo são 92 cidades.
      Se por acaso passa despercebido do governador uma determinada localidade, o mandatário tem sempre seu secretariado que municia o chefe com informações e dados para eventuais projetos a serem implementados.
   No caso da região metropolitana, há uma complexidade maior pelo conjunto de fatores que compõem essa área enorme em torno da capital do estado.
      Sem tirar a importância das outras regiões do estado, cada uma com suas características e peculiaridades, a região metropolitana do Rio de Janeiro, que reúne a capital, a Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo é a parte do estado do Rio que mais tem demandas serem atendidas pelo poder público.
    Por concentrar o maior contingente populacional de todo o estado, a região metropolitana é a área que movimenta a maior parte da economia do estado e também onde os principais serviços prestados à população estão aquém da realidade de uma metrópole desse porte.
     Se houve num tempo passado algum estudo que pudesse adequar as ações do estado às necessidades da massa dessa grande região os números já estão completamente defasados.
    No dia a dia é possível ver a discrepância do que a população precisa para viabilizar sua vida e o conjunto do que tem sido oferecido pela administração pública. Eu destaco três áreas em que há assimetria de toda ordem na atual realidade do estado do Rio: transporte, segurança e saúde.
     Todos os sistemas de transporte público que fazem a ligação intermunicipal não suportam a carga diária de deslocamento das pessoas. Não há conexão entre os modais, todo dia tem uma pane, uma interrupção. Um sofrimento do tamanho do caos e pouco atenção para a mobilidade urbana.
    A segurança é outro setor que opera de forma precária, apesar de um esforço relativo, mas tímido que o governo do estado faz. Algumas localidades têm mais atenção que outras, ou seja, uma parte da população é mais privilegiada, outras, mais desguarnecidas, desprotegidas. Não existe uma política de segurança que abranja todo o estado.
    A rede de saúde é mais uma que traz agonia e apreensão para a população fluminense. A Baixada Fluminense é precária em unidade hospitalar. Muitas pessoas vêm buscar atendimento no Rio, onde já está saturada a rede, por falta de planejamento, investimento e vontade política. Enfim, não há saúde decente para todos.
     Considerando a conexão entre as diversas localidades do estado do Rio de Janeiro, em função da própria funcionalidade da região, o governo estadual precisa trabalhar em conjunto com as prefeituras locais nessas demandas que envolvam toda a região.
    Isso é uma obrigação, uma responsabilidade que deve estar acima de qualquer questão política ou ideológica que costumam cercar as relações entre as esferas de governo.
     O desenvolvimento de todo o estado e o bem-estar da população dependem dessa visão de quem se propor a governar o Rio de Janeiro daqui para frente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

SEM PALAVRAS AO VENTO

  

       A campanha das eleições já está a pleno vapor, e essa já tem um complicador a mais por abranger os outros cargos dos legislativos federal e estaduais.
     É claro que a disputa para a presidência da república e os governos estaduais será sempre a que disperta mais interesse e atenção dos eleitores, ainda mais agora com toda essa polarização em nível máximo de turbulência.
    Mas a briga para as cadeiras nas Câmaras e no Senado também tem suas bizarrices típicas do ambiente, vai vendo.
    Pode até ser que essa disputa fique marcada, justamente por isso, pelo alto grau de intolerância entre todas as partes envolvidas.
     Se tanto eleitores quanto candidatos não reverem seus conceitos, essa baixaria, esse ódio e intolerância, tudo junto e misturado acabarão sendo a principal marca da política como já faz parte do traço de personalidade de milhões e milhões de brasileiros por esse país afora.
     E pior disso tudo é que essa nova agenda acaba ocupando espaço e tempo do que seria realmente necessário discutir. É como se a gente continuasse protelando a discussão de nossos próprios problemas e a política vai deixando para depois dar aquele salto de qualidade que certamente iria interferir na vida brasileira.
     E vamos também combinar, gente, que no meio de toda essa confusão passa despercebido de muita gente, menos de mim, um monte daquelas figurinhas de sempre que só vivem de soltar palavras ao vento, prometendo coisas que não tem nada a ver com as atribuições do cargo que pretendem ocupar. Aquela velha tática de apostar na ignorância do eleitor. Na maioria das vezes é a própria figura o ignorante em questão.
     Está incluído nessa lista também os filhos da política. É uma turma que segue os passos de seus genitores, alguns ainda tentando, outros já com espaço conquistado, dando continuidade aos trabalhos pra manter o nome da família, essas coisas, você sabe.
     Mas tem também filhinho e filhinha escondendo o sobrenome do papai que deu mole e está em maus lençóis, com o nome sujo, uma herança que ninguém quer. Faz de conta que é carreira solo. Há quem ainda acredite nessa gente, fazer o quê?
     Seguindo esse rumo conhecido do calendário eleitoral, a tendência é que não haja mudança alguma, mas eu acredito muito na maturidade do eleitor. É ele que pode operar essa mudança, trocando as peças sempre que puder e entender a necessidade da mudança.
     Em todo pleito tem uma galera cheia de energia, querendo se incluir na política com ideais de interesses coletivos, mas com certa dificuldade pelo pouco espaço de tempo na mídia, além de pouca grana. Pelas redes sociais ficou bem mais fácil identificá-los.
     Um novo ambiente que pode contribuir muito para essa renovação.


                                                Arte: Senado Federal 

terça-feira, 6 de setembro de 2022

UM GRITO A MAIS

   

   O povo brasileiro vai sempre comemorar a independência do Brasil por uma questão de honra e soberania. Qualquer nação que como o Brasil tenha passado pelo jugo das Grandes Navegações até ficar livre das amarras do colonizador e atingir a maioridade com hino, bandeira e moeda próprios vai ter motivos para festejar com o peito estufado de tanto orgulho por termos nossa própria vida e realidade.
    Agora, é bom deixar claro que essa independência que a gente conquistou apenas colocou o Brasil no cenário geopolítico. Somos uma nação que tem o seu espaço no mapa do mundo com fronteiras respeitadas e reconhecidas por todos os países, olha que bacana!
      Se hoje o Brasil desfruta desse prestígio de sermos bem relacionados no mundo, é gratificante para qualquer brasileiro saber desse status de uma grande nação. Que bom que a gente preenche todos os requisitos para que geral venha pra cá vender mercadorias, investir capital, curtir nossas praias e nossas festas de arromba!
    Na sequência da mais importante conquista do Brasil, criamos condições para as organizações políticas, econômicas, sociais e culturais aos moldes do que a sociedade brasileira precisava para prosseguir construindo sua história, sem que ninguém de fora pudesse ou quisesse interferir nesse processo. Ou seja, a gente aprendeu a andar com nossas próprias pernas.
     Bom...aqui dentro de nosso quintal, nesse cenário e realidade que só nós conhecemos a história é outra. É claro que em toda essa obra de construção do país foi preciso criar leis, regulamentos que nos permitissem viver em ordem, porque, senão já viu, né. Se mesmo com regras o brasileiro já mata, rouba, estupra, suja praia e derruba árvore, imagine se a gente não tivesse uma constituição pra chamar de nossa!
     Pois é, o Brasil cresceu tanto que nossas próprias leis não acompanharam a tendência de crescimento do país. Criamos instituições de toda ordem para gerir nosso patrimônio que compreende tanto o resultado de nosso trabalho quanto dos nossos recursos naturais.
    Mas pela dinâmica com que o Brasil vem evoluindo ao longo desses 200 anos, teríamos de renovar a todo instante os códigos que dizem respeito às riquezas, às formas de vida, aspectos culturais, meio-ambiente, inovações tecnológicas e desvios de conduta no plano individual e coletivo.
    Há transformações constantes em todos os campos de atuação de nossa gente, e todas leis vigentes não acompanham essas mudanças. Há sempre uma lacuna a ser preenchida; há sempre um vácuo entre a realidade e a desordem; há uma discrepância enorme entre o tempo das leis e o tempo do cidadão.
    As tais reformas que a gente está sempre ensaiando executar implicam justamente diminuir esse espaço que é quase um abismo, quase um precipício.
    De qualquer forma, comemoremos, sim, a nossa independência. Ela foi um sopro para o nosso projeto de nação soberana. E pode também ser um estímulo ao nosso desejo de sociedade moderna.
     Um grito a mais para a evolução do Brasil.
     

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

NO RITMO DAS TRIBOS



     A gente já estava começando a falar de política porque foi dada a largada para a corrida eleitoral quando começa também o Rock in Rio, tudo junto e misturado no mesmo calendário, e pareado até no barulho que cada evento vai fazer, claro, cada um no seu tempo e ambiente.
     Mas tá valendo mudar o foco por alguns dias pra falar basicamente de um acontecimento que já faz parte da agenda do Rio de Janeiro de tempo em tempo, principalmente porque contagia e traz um pouco de alegria e descontração num momento de grande expectativa e aflição nesses tempos de pandemia e cenário político bastante conturbado.
     E falando exclusivamente do Rock in Rio não se está fugindo ou desviando da política. Esse festival que o carioca, o Brasil e o mundo já conhecem é uma reprodução clara do que se reivindica na política e que já se ensaia numa frequência cada vez maior a cada chamamento de um sufrágio universal.
    O Rock in Rio que lá na sua gênese tinha a prevalência do metal em suas mais variadas vertentes, hoje consagra a diversidade de ritmos como uma tendência universal da própria música, da arte e da cultura em geral, como instinto e espírito da globalização, porque hoje, dificilmente uma batida qualquer fica retida em seu ponto de origem. Se alguém bate uma lata nos confins do universo seus acordes ecoam em toda a galáxia.
     Talvez devesse mesmo o Rock in Rio abraçar e fazer esse congraçamento de tribos e ritmos, porque a música sempre foi assim, essa mistura de barulhos diferentes, o erudito e o popular, o urbano e o tribal em constante transformação.
     E a política dentro de seu espaço e tempo vai construindo esse cenário, não com o mesmo ritmo e compasso do Rock in Rio, evidentemente, mas há uma proposta com esse objetivo. Há elementos e personagens que ensaiam e reivindicam um outro palco ou palanque como queiram. Na verdade, um palanque como esse do Rock in Rio, para uma diversidade tão abrangente e global como já se confirmou o Rock in Rio.
     Pois bem, é isso que a política precisa ser, consagrada e diversificada como o Rock in Rio em sua configuração, em sua organização, esse monte de gente diferente saindo de todos os cantos, cada um com seu barulho peculiar. Assim deve ser a política em falas e representações, assim ela deve ser, fluindo como música, é melhor que seja assim. É melhor que fosse assim, melhor dizendo.
     Que a política tenha outros ritmos, faça mais barulho e congregue mais e mais tribos e gentes diferentes. Do mesmo jeito que funciona o Rock in Rio.